- Lucas!
Essa foi a última palavra que pronunciei quando o vi pela última vez. Estava lá, morto impiedosamente e o que mais me dói é a lembrança de que não consegui chegar a tempo de salvar o meu grande amor.
Minha profissão me permite conhecer muitas histórias, mas não tenho a borracha para apagar e reescrever o destino da minha própria história de vida.
Os dias se passavam muito rápido, muito mais rápido para mim que tinha uma rotina um pouco pesada, mas o meu trabalho é uma conquista. Apesar de trabalhar tanto, ser psicóloga foi um sonho realizado. Exercer a profissão que tanto gostava me fazia acordar bem disposta, ainda mais tendo o Lucas ao meu lado, já fazem 3 anos que estamos casados e parece que ainda estamos em lua-de-mel.
A rotina do Lucas é quase igual a minha, tirando a parte dos desenhos e plantas, ele tem que lidar com pessoas, um arquiteto respeitável.
Acordando para minha primeira refeição, notei que ele já estava na mesa. Não poderia ter arranjado um marido mais lindo, não cansava de olhar para aqueles cabelos médios, olhos castanhos e barba bem-feita acompanhada de um sorriso lindo.
- Bom dia meu amor, acordou tarde hoje!
Retribuí o beijo que havia me dado e me sentei.
- Fui dormir super tarde, você sabe que tenho o vício de ler sempre à noite, porque de dia não tenho tempo nem para me coçar.
- Eu sei disso e sei também que já estou atrasado. Tenho que estar na construtora cedo hoje amor. - Ele saiu abraçando meus braços por trás da cadeira e me olhou de um jeito diferente, como se quisesse decifrar os detalhes dos meus olhos, achei estranho, mas já era costume. Segundo ele, olhar para os olhos era uma boa técnica de percepção de detalhes, pois os olhos falavam mais que a própria boca.
A nossa rotina era meio complicada, falávamos muito de trabalho, tínhamos tempo para o amor... mas de uns tempos pra cá as coisas parecem ter ficado estranhas. Parece que 24 horas não são mais suficientes para nós dois.
Me arrumei e fui para meu consultório onde a agenda já estava cheia e sabia que seria mais um longo dia, mas eu amava.
No meio de uma consulta para outra, a minha secretária me alertou de um telefonema.
- Dra. Bruna, tem uma mulher aqui no celular que não se identificou, mas quer urgentemente falar com a senhora.
- Irei atender, obrigada!
Sentei na minha cadeira giratória e atendi o telefone.
- Consultório da Dra. Bruna, o que deseja?
- Estou com o seu marido.
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De Frente Com O Seu Pior Pesadelo
AdventureUma psicóloga tem sua ética profissional testada a partir do momento em que um crime é descoberto. Frente a frente com o culpado pela morte do seu falecido esposo ela terá o desafio de manter o profissionalismo, escolher entre contar a verdade, fala...