Depois de passar mais algumas aulas no banheiro chorando, saio de lá. Já é hora do intervalo então vou direto para o refeitório.
- Amber! - escuto alguém me chamar, mas não tenho medo já que reconheço essa voz.
Olho para trás e vejo o Fellipe, ele vem até mim e nos servirmos da comida, juntos.
- Tudo bem? - pergunta.
Assinto, com a cabeça baixa, ele não pode ver que andei chorando...
- Tudo mesmo? - novamente ele pergunta, parecendo desconfiado enquanto procuramos uma mesa.
- Sim. - Digo baixinho.
- Não quer ir na mesa dos meus amigos?
- Eu não gosto de ficar perto deles, Feh. Você sabe disso. - Digo.Os amigos de Fellipe não são do mesmo status que eu. Mim ser a excluída. Eles serem incluídos. Vê a diferença?
- Ok. Relaxa. Só foi um convite.
Sentamos em uma mesa, ao lado das grandes janelas no refeitório.
Vejo pessoas lá fora, reunidas. Riem e conversam. Outras estão lendo embaixo de alguma árvore.
- Como foi o seu dia? - puxo assunto.
- Foi bem de boa. Eu me aproximei mais dá Ally e ela disse que gosta da minha companhia e que sou um cara legal. - Fellipe fala todo empolgado.
O Fellipe é apaixonado pela Ally, uma menina ruiva, de olhos verdes e que é líder de torcida. Mas tenho que dizer que ela é bem nojenta. Faz anos que ele sente algo por ela, porém... A garota gosta de ser rodada.
- Que bom né? - Pergunto e ele sorri.
Uma coisa que eu sei, o amor deixa as pessoas cegas!
- E como foi o seu dia? - Pergunta ele, enquanto morde uma maça.
Por que ele perguntou isso!?
Não queria falar sobre isso.
Só que não posso mostrar que isso me incomoda.Fica firme Amberly.
- Legal. - respondo sem muito ânimo.
O garoto em minha frente dá uma tapa na mesa, me assustando...
- Desde quando apanhar da Gabrielle e dos amigos dela é legal, Amber? Me fala aonde isso é legal? - Fellipe me olhando bravo.
Abaixo a cabeça.
- Qual é Amber? Por que você os deixa fazerem o que quiser com você? - pergunta mais calmo.
Suspiro.
- Hein?
- Não é fácil, ok? - Digo baixo.
- O que não é fácil? - Pergunta ele.
- A minha vida não é fácil! A minha irmã me odeia e meus pais nunca estão perto de mim para saberem o que eu passo todos me odeiam. Eu sou feia, nerd, uma idiota e a única pessoa que realmente se importa comigo é você! - despejo sobre ele tudo o que sinto, já alterada.
- Sua vida é assim porque você quer. - Resmunga ele.
- Você acha realmente que eu quero que a minha vida seja assim? Quem quer ter uma vida assim? - Pergunto-lhe.
- Se você realmente quisesse acabar com esses problemas, estaria correndo atrás, Amberly!Alerta de discussão.
Alerta de discussão.Sempre que ele diz meu nome ao invés de falar Amber, sei que o mesmo está a perder a paciência.
- Correr atrás do que? De vingança talvez. - Murmuro.
Vejo seus olhos revirar.
- Podemos parar de falar sobre isso? - tento acabar com toda essa discussão.
- Não. - responde frio.
- Aff, qual é a sua?
Ele ri sarcasticamente:
- Qual é a minha? Qual é a sua! Se o Juan não tivesse me contado o que fizeram pra você, estou vendo que você não ia me contar. - Diz e bufa.Que engraçado, é tão fácil os outros estudantes verem o que acontece e sair espalhando por aí. Mas por que ao invés de ficarem olhando não vão me ajudar.
- Não mesmo. - sou direta.
- Por quê?
- Porque isso é problema meu, Fellipe! Não precisa se importar comigo. E porque ao invés de irem fazer fofoca pra você, seus amigos não me defendem?
- Por que são idiotas. - ele reclama. Fellipe já tentou me defender mais a Gabi sempre escolhe a hora que estou sozinha. - Achei que eu era o seu amigo, Ambely. Amigos enfrentam os problemas juntos e eles se importam um com o outro... - se levanta. - Mas estou vendo que você não me considera como um amigo.
Ele sai da mesa, indo para junto dos seus amigos. Não vou impedi-lo, ele não entende que eu não quero depender da sua proteção! Ninguém pode me salvar das maldades da Gabi............
Não falei com o Fellipe o dia inteiro, mas acho melhor esperar a poeira abaixar antes de conversarmos.
Já estava indo embora da escola, virando a esquina quando escuto barulho de várias pessoas correndo... Me viro, a tempo de ver o grupo da Gabi e ela jogando ovo e farinha em mim.
- Está bem melhor agora, nerd! Diz Paulo entre risadas.
- Nerd idiota! Cadê o seu amiguinho para te ajudar? - Diz Gabrielle e me empurra, me fazendo cair. Começo a chorar.
- Está chorando, feiosa? Coitadinha dela. - fala Leo e começa a bater na minha cabeça.
Eu odeio vocês, odeio a minha vida, odeio tudo isso!
Eles ficam me zoando por um bom tempo até que vão embora.
Fico sentada na guia da calçada, chorando quando sinto uma mão em minhas costas.
Olho para ver quem é me surpreendendo.
- Camille? - Questiono.
- Pode me chamar de Cami. - Diz e sorri.
A Camille é uma das melhores amigas da Gabrielle... Estranho ela estar aqui. Se bem que eu não vi ela com a amiga hoje.
- O que você está fazendo aqui? - pergunto, secando as lágrimas.
- Eu vi o que eles te fizeram... Isso foi horrível. - Diz ela e me olha triste.
Olho desconfiado para a mesma que me estende a mão.
- Vamos. A minha casa é perto daqui. - Diz e sorri.
Levanto-me, mas sem a ajuda dela. Vejo o quanto ficou sem graça pois deixei ela no vácuo.
- Por que você não está com a Gabi e os outros? - Pergunto.
Ela suspira.
- Brigamos. - Ela responde. Franzo a testa.
- Vamos? Você toma um banho em casa e... - Ela começa a falar, mas levanto um dedo para o alto.
- Eu posso ir à minha casa mesmo. - Aviso.
Ela dá de ombros.
- Tudo bem... Mas eu te acompanho. - Diz ela sorrindo. Assinto.
Começamos a andar e conversamos pouco, até que chegamos à minha casa.
- Bom... Eu tenho que ir, Amber. - Diz ela.
- Tudo bem. - Digo.
- Nos vemos na escola então.
- Tá.
Ela se despede e vai embora, entro em casa e dou de cara com a Milena, esparramada no sofá.
Ela me olha e começa a rir.
- Está mais linda do que de costume. - ela comenta. Procuro ignorar sua fala e subo as escadas. Ela me segue e começa a tirar sarro da minha cara, mas a única coisa que faço é fingir a surda e muda.
- Pode me passar o número da sua cabeleireira? - ela caçoa e continua a rir. Reviro os olhos.
Temos apenas um ano de diferença, ela tem quatorze anos e somos bem parecidas. Só muda que ela é má e rodadinha enquanto eu sou pura e recatada.
Entro no meu quarto e tranco a porta, mas a Milena fica dando socos nela e continua fazer comentários idiotas. Começo a tirar a roupa suja e vu para o banheiro que tem em meu quarto. Vou para de baixo do chuveiro, e deixo que a água quente leve embora tudo de ruim.
Fico pensando no que aconteceu:Por que a Camille veio me ajudar? Ela vivia me zoando e agora veio me ajudar! Isso não é muito comum.
* * * * *

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Uma Nerd Vingativa
Teen FictionAmberly desde muito nova sofreu com o preconceito de muitos por ser 'nerd'. Aliás, o que há de mais nisso? Ela sempre se deu muito bem com os livros mas nas amizades não posso dizer o mesmo. Porém, como sabemos o mundo dá voltas, ora estamos em cima...