(Obra registrada)
No impulso, levanto rapidamente, com o coração disparado, começo a suar frio... sempre tive medo de répteis, até da minúscula lagartixa.
Saio correndo e acabo tropeçando e caindo em uns pequenos degraus.
Levanto depressa, limpando a calça.
- Que droga, COBRA MALDITA! Nossa foi por pouco, ufa!
Entro pálida para dentro de casa. Acho que aquela cobra deve morar lá. Será que tem um ninho de cobras lá? Nunca tinha visto. Mas já fazia um mês que não ia ao jardim...
*****
Pego meu celular, deito espalhada na calçada da minha vó.
E choro, lembrando-se da Milla, uma amiga que tinha desde a infância.
Tínhamos uma conexão de irmãs. Saíamos juntas, ela me ajudou apoiando a sair de vários momentos difíceis juntos. Sempre tive poucas amigas na escola; devido a minha beleza, sofria bullying de outras garotas. Ninguém me queria por perto, por causa dos garotos.
Uma vez, quando fiz treze anos, não aguentando mais esta situação, cortei o cabelo, igual de moleque, para ficar mais feia. Não adiantou muito, porque também não fiquei mais popular.
Sou tímida, e não consegui mudar a situação. Só fui motivo de piada para as meninas e os garotos continuavam me rodeando. Eu os odiava, porque queria ter amigas, não ser excluídas dos jogos, das fofocas. Aliás, quase nunca ouvia uma, elas tinham medo de contar seus segredos, como se eu fosse roubar seus garotos.
Ao andar na sala, pés eram colocados na frente para eu cair. Na quadra, bolas vinham "erradas" no meu rosto. Era empurrada "sem querer". Deixada sempre pra trás. Sem alternativas, acabava muitas vezes ficando no grupo dos garotos. Mas sempre fui respeitada, apesar das investidas.
A Milla nunca me abandonou, mas ela tem diversos problemas de saúde, como diabetes. Por isso, falta muito na escola. Já eu, não consigo faltar... meus pais fazem questão de me levar todos os dias para estudar.
Até que no começo do ano passado, Milla tomou coragem e foi se declarar a Maycon, após muita insistência minha. Já tinha uns dois anos que eles trocavam olhares.
Mas ao se declarar, Maycon disse que nunca olhou para ela, mas que sempre foi apaixonado por mim! Para minha tristeza e decepção por parte dela. Milla foi ficando estranha comigo e se distanciando cada vez mais.
Até que fui conversar com ela, mas ela não acreditou que eu não tinha - e não queria - nada com Maycon; não sei o que ele falou para ela! Só sei que Milla rompeu nossa amizade, se aliando a outras garotas da classe.
A partir daí, consegui fazer amizade com a Jaque... ela veio o ano passado de outra escola... mas não é a mesma coisa... já considero-a como uma BFF, mas tenho medo de "falsianes". Saudades da Milla... queria seu apoio sobre esta dor que estou sentindo agora.
Vou zapear o Facebook, penso em postar alguma foto minha, mas desisto e só curto a dos outros. Entro na página de Milla e vejo algumas fotos nossas nos divertindo nos parques. Sorrio lembrando.
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Converso com minha mãe no telefone. E sem querer, minha mãe acaba aceitando e me deixa ficar mais uns dias aqui com minha vó. Será ótimo não aguento mais ir á escola. Não vejo a hora de tudo isto acabar.
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No outro dia, penso em ir ao jardim, mas lembro-me daquela cabeça enorme da cobra, me arrepio de medo.
Porém, a curiosidade me faz ir até lá novamente. E vou abrindo o portão bem devagar e ver se ela continua lá. Vou entrando com passos leves, olhando para todos os lados possíveis e não vejo a cobra.
Acho que ela deve ter ido embora. Ufa, não tem nenhum ninho de cobra aqui, penso.
Começo a ler um livro muito interessante, chamado "Canções Perigosas", fala de Orfeu, e não consigo parar de ler; não sei por quantas horas fico ali, entretida lendo, até que sinto que "alguém" está me olhando.
Quando viro para trás, quase desfaleço de MEDO!
Novamente, vejo entre duas árvores pequenas, aquela cabeça da cobra!
Minhas pernas ficam mole, meu coração acelerado, quero correr, mas estou bamba... começo a andar devagar quase caindo, olhando para aquela cabeça de cobra, que me fita intensamente.
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O Homem Cobra
FantasiSofia está no último ano do colegial, cheia de desejos, sonhos e insegura acerca de seu futuro. Ela vive uma vida pacata e sem graça na casa de seus pais. Desprezada por suas "amigas", Sofia espera que o ano termine logo para ela começar uma no...
