Lendas da ilha

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Amores mais um capítulo pra vocês espero que gostem!

***

Eu fui nadando até a ilha, o que não era longe. Dessa vez não tirei minha roupa de mergulhador, seria uma perda de tempo, pois eu não ia me demorar. Pelo menos eu achava que não.

A ilha em si podia ser considerada deserta, pois apenas uns nativos que viviam quase como índios eram os únicos habitantes. Digo que eram quase índios porque eles tinham um pequeno comércio entre si, coisa que índios não tinham, eles também usavam roupas ao contrário de índios, e as casas eram diferente... Porque que eu os comparei a índios mesmo? Eles só se parecem com os índios no quesito idioma, mas ainda assim usam dois: o comum que é o que eu uso e o próprio deles que não entendo uma palavra sequer.

Segui entre as casas espaçadas, na frente de algumas tinham os produtos para serem trocados. Eu tinha pego alguns peixes antes de chegar na ilha, usando uma mini rede de pesca. E usaria eles para trocar por alimentos e condimentos que meu pai tinha pedido.

Segui para uma barraca de frutas, não era exatamente uma barraca e sim, uma lona no chão com as frutas em cima. Tinha uma variedade não muito grande, se resumia a limões, mangas, maçãs e bananas.
Troquei meu peixe por meia dúzia de limões, quatro mangas e duas maçãs. E é porque eu negociei com a dona das frutas.

Tinha ainda mais dois peixes menores na bolsa. Segui para a barraca de condimentos fiz a segunda troca. Guardei o terceiro para se por acaso não encontrasse os crustáceos para meu pai.

Segui em direção da casa de um amigo de meu pai e meu, que provavelmente me daria as respostas sobre a ruiva misteriosa.

- Tio Bart, eu chamei da porta. - ele insistia que o chamasse de tio pois me conhecia desde garoto, e foi um dos primeiros ali a entrar em contato conosco. Ele antes morava no continente, era um biólogo que encontrou a ilha em uma de suas pesquisas, e foi o responsável por ensinar a língua comum aos nativos. Ele ajudou os nativos em várias ocasiões e isso tinha dado a ele o direito de viver na ilha. Ele era uma senhor alto e enorme, mas muito carismático tinha se apaixonado por uma nativa anos atrás e tiveram um filho que agora tinha a minha idade, e era meu melhor amigo o Daniel. Ele estava terminado de seguir os passos do pai no continente se formando em Biologia, e voltaria ainda esse ano pra ilha pois já está no fim do curso.

- Rafael! Que surpresa agradável! Venha meu filho, entre. Já faz tempo que não nos visita, Pensamos que tinha esquecidos seus pobres tios.

Eu ri da cara de ofendido que meu tio fazia. Ele era sempre exagerado e brincalhão. Coisa que o Daniel tinha herdado completamente.

- O que o traz aqui, meu rapaz? Sinto que dessa vez não foi só a saudade. - perguntou minha tia me dando um abraço. Ela era bem mais baixa que meu tio, e como toda nativa tinha cabelos escuros e olhos castanhos, era muito bonita e de fácil riso, o que creio que tenha sido o motivo para chamar a atenção de meu tio.

- Como sabe tia? - eu sempre visitava eles quando ia a ilha, ou seja meu tio tinha sido muito exagerado, já que os tinha visto semana passada.

- Você está com olhos curiosos. - ela disse me fazendo lembrar que ela era filha do curandeiro local, e que com isso tinha aprendido a ser muito observativa.

- Eu conheci uma garota hoje, e ela sumiu. Então achei que poderia estar por aqui, morando ou visitando, não sei.

- Parece que alguém aqui foi flechado pelo cupido. - brincou meu tio.

- Claro que não tio, só fiquei curioso, não é todo dia que vejo uma ruiva por aqui.

Meu tio ainda me olhava divertido quando se ouviu o som de algo quebrando logo atrás de nós.
Minha tia estava com a mão erguida como se segurasse um copo, mas este se encontrava quebrado a seus pés, e seus olhos pareciam querer saltar das órbitas. Ela estava completamente assustada.

- Ru-ruiva? - gaguejou ela. - Ela tinha cauda? Cantava? - começou a perguntar histérica.

- Calma querida. - o meu tio tentou acalmá-la

- Meu menino, mulher-peixe ser perigosa. Elas seduzem e matam.

- Elas? - eu perguntei curioso - Tem mais de uma?

- Elas sao três: a de cabelos de fogo, a que tem o sol nos cabelos e a que tem os cabelos tão escuros quanto a noite.
São irmãs, crias do demônio das águas, elas são perigosas meu filho. Já perdemos muito dos nossos para elas, ela gostam de aparecer essa época do mês. E cantam para seduzir e matar. Muitos barcos se perderam no mar. - me alertava minha tia.

- Mulher-peixe é só uma lenda querida. - meu tio dizia para acalmá-la, mas sem sucesso.

- Mulher peixe é o mesmo que sereia tio? - perguntei, mas já sabia a resposta.

- Sim. - ele disse por fim

Depois de passar o resto do dia acalmando minha tia, dizendo que não ia mais na ilha, e que não iria procurá-la eu voltei pra casa a tempo de ajudar meu pai a preparar o jantar com as coisas que tinha trazido. Como fiquei ocupado com meus tios não pude capturar nenhum crustáceo então a janta foi ensopado de peixe.

No meio da janta eu aproveitei pra perguntar a meu pai sobre as antigas lendas que ele me contava quando criança. Não que eu estivesse acreditando que aquela mulher era uma sereia. Longe disso, mas eram estórias interessantes, então não fazia mal relembrá+las.

- Velho - comecei sem saber como continuar.

- Que foi filho? - ele disse me incentivando a continuar.

- Sabe as lendas que o senhor me contava? As estórias de pescador, sobre as sereias... - Eu disse e seus olhos brilharam.

- Ah, as sereias. - começou ele sonhador - criaturas incríveis, metade peixe e metade mulher, com a voz capaz de seduzir até o mais fiel monge. Eu já te contei a vez que eu conheci uma?

Foi antes de conhecer sua mãe, eu tinha vinte cinco anos, o mesmo que você agora, eu estava pescando a noite, era uma noite de lua cheia, mas até aquele momento não tinha pescado nada. Mas eu continuava a jogar a rede. Quando menos espero meu barco é balançado, mas não tinha sido o vento, este permanecia calmo e silencioso. Parecia que o barco tinha batido em algo, eu procurei na água qualquer coisa que tivesse sido a causa do movimento. Mas não tinha nada lá em baixo além de água. Novamente o barco e sacudido e eu sou lançado na água gelada.

Me agarrei no barco e tentei subir: foi quando eu comecei a ouvir a música mais linda que um homem já ouviu, era uma melodia única que tocava a alma, comecei a procurar a dona da voz, pois era uma voz feminina. Subi no barco para ter uma visão melhor e qual minha surpresa ao encontrar a dona da voz apoiada no barco tinha apenas os seios e o rosto a mostra, e ela mexia os labios entoando a canção. Eu me aproximei hipnotizado, seus cabelos azuis era a coisa mais linda que eu já tinha visto, ela era linda. Cada centímetro de pele exposta era uma tentação. Ela ergueu a mão pra mim me chamando e eu ia de bom grado, até que algo a puxou e ela desapareceu na água. Passei a noite procurando por ela, mas nunca mais a encontrei. No dia seguinte conheci sua mãe, e ela me fez esquecer a sereia. - ele riu quando disse isso. E me fitou observando minha reação - porque quis saber disso?

- Por nada, apenas curiosidade. Fui na casa do tio Bart hoje e a tia Kia me falou das mulheres peixe, que aparecem nessa época. Aí lembrei que o senhor me contava sobre elas quando criança. Mas nunca tinha me contado essa.

- Você nunca mais perguntou sobre elas, não desde que disse que tinha salvo uma Sereinha ruiva.

- Uma Sereinha ruiva? Ruiva... Ah meu santo Poseidon. - eu balbuciei ligando os pontos.

***
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A Ilha da Sereia (Degustação)Onde histórias criam vida. Descubra agora