Ele me olhava com desejo, eu fiquei sem reação. Apesar de minha necessidade eu não o desejava. Nem me pergunte porque.
Se eu o rejeitasse ele poderia me ver como um desafio, ele iria me cortejar até que eu me apaixonasse e quando isso acontecesse ele me jogaria fora, como eu sei? Isso já aconteceu antes. E acredite ele sempre tem a sereia que quer. Ele pode te levar ao paraíso ou ao inferno.
Mas porque só em me imaginar deitando com ele eu me sentia mal? Não me sentia excitada, e até o desejo de seduzir estava sumindo! Definitivamente eu não o queria.
E jamais iria querer ter a minha primeira vez com ele. Eu não sentiria dor, eu sei, sereias não tem aquela barreira que os humanos tem, qual seria a função daquilo afinal? Apenas causar dor? E nós fomos criadas para o prazer. Não existia dor e sexo na mesma frase. Apenas prazer. Mas mesmo sabendo que seria agradável eu não queria que fosse com ele forma alguma.
O que faria? Não podia rejeitá-lo e muito menos o queria. Eu estava numa enrascada.
Olhei suplicante para a Marina, mas ela abaixou a cabeça dizendo que não podia, nem sabia como me ajudar. Então quando ia começar a me desesperar ouço alguém intercedendo a meu favor.
- Adrian, eu sinto informar, mas temo não ser possível minha irmã ter a honra de aquecer sua cama hoje. Ela criou uma regra estúpida de não ter prazer com alguém dois dias seguidos. Uma idiotice eu diria, mas ela sempre se apegou muito a essa regra, e ela não iria satisfazer você da forma que merece. Porque não fazemos assim: esse mês eu me disponho a te dar prazer no lugar dela e no mês que vem ela se prepara exclusivamente pra você?
Ondine tinha vindo em meu socorro. Jamais esperei isso dela. Nem sabia o porquê dela fazer isso. Talvez ela não fosse tão ruim afinal.
Ele olhou para minha irmã, analisando cada uma de suas curvas sedutoras, eu não era tão bonita quanto ela, e pela primeira vez isso se mostrou uma vantagem.
- Isso é verdade? - ele perguntou pra mim. E eu temi que ele não acreditasse nela.
- Si-Sim. - eu mantive a mentira.
- Tudo bem, vou respeitar suas regras, até porque tenho as minhas próprias, mas mês que vem depois da maré alta eu estarei aqui, então esteja preparada pra mim.
Para a minha sorte apenas minhas irmãs sabiam que eu não tinha dormido com ninguém, pois caso contrário ele teria descoberto a mentira. E ele ainda o faria, se no mês que vem eu parecesse uma inocente na hora do ato.
Se eu quisesse continuar vivendo feliz em Oceana teria que aprender a fazer sexo em um mês, e me tornar uma experiente no assunto. Eu me dar prazer era uma coisa eu ser capaz de dar prazer era outra completamente diferente.
Se eu não honrasse meu compromisso iria ser repreendida diante de toda Oceana, e eu sinceramente já estava pensando em um modo de escapar, porque eu não estava afim de ter sexo com ele.
Rejeitar era uma opção, mas as consequências que essa opção trazia era muito perigosa. Adrian era um dos tritões de confiança de Poseidon, e ele era só tipo que adorava se vingar. Então era capaz de ele me acusar de traição ou algo assim e isso resultar em uma expulsão, fora as inúmeras ameaças que tenho certeza que ele faria.
Fugir de Oceana era outra opção, essa só tinha dois problemas para resolver antes de escolher essa opção em particular:
Primeiro: Para onde eu iria? Nenhum outro canto era seguro para uma sereia viver sozinha. Eu teria que ficar sozinha na imensidão que era o oceano, era perigoso, muito perigoso, toda espécie de tritões maus viviam como nômades, assassinos, ladrões, eles eram expulsos de Atlanta e condenados a ficarem vagando no oceano. Uma sereia sozinha seria presa fácil pra eles.Segundo: Eu podia ficar na ilha, lá ninguém me acharia, bom talvez o mergulhador, mas eu poderia me esconder dele. Talvez eu devesse voltar lá e observar seus hábitos, ele parecia conhecer bem o lugar, então deve ter ido muitas vezes ali. Logo, se eu ficasse observando poderia saber seus lugares preferidos e assim evitar aparecer por qualquer um deles. descobriria os dias que ele costumava visitar a ilha, e quem sabe eu não conseguisse modificar a caverna com algumas algas, esconder a entrada dela talvez, assim fora o mergulhador, mais ninguém descobriria o lugar.
Sim, essa era uma opção razoável, dava pra fazer isso caso mais nada desse certo.
- Dione? Você está aí? - perguntou Marina movimentado a mão em frente a meu rosto pra cima e pra baixo tentando chamar minha atenção. - todos já foram embora vamos.
- Ah, claro, tudo bem.
Fomos para nossa casa nadando, e não demorou muito para chegarmos lá, já que não era longe, e depois de um tempo Ondine apareceu.
- Já? Nossa como foi rápido - Marina brincou - Assim ne m parece ser divertido.
- Claro que não né, Marina, eu vim buscar alguns géis de algas, e também me preparar, devo estar lá em uma hora. Aí sim a diversão vai começar - seus olhos brilharam de antecipação ao prazer que ela sentiria.
- Porque se ofereceu? - eu perguntei curiosa, pois ela ir a meu socorro realmente tinha me deixado surpresa.
- Se tiver achando ruim eu digo que mudou de ideia. - ela replicou irritada como sempre, pelo menos quando se trata de mim.
- Não! Eu agradeço de coração o que fez. É que não esperava que fizesse isso por mim... - eu agradeci envergonhada por ela pensar que eu estava me queixando.
- Não fiz isso por você. - ela acusou -Sabe o que ele fez com a última sereia que não o satisfez? Ele a expôs, e ela foi ridicularizada por toda Oceana. E a família dela acabou se mudando de Vila das Algas para a fenda abissal. Você sabe o quanto aquele lugar é assustador? Até hoje eles não são bem vistos. Jamais eu deixaria que você nos humilhasse dessa forma. Então você tem um mês para aprender a dar prazer a um tritão ou eu deixarei toda Oceana saber do seu segredo e você será a piada do século. - ela jogou tudo de uma vez na minha cara.
É, ela definitivamente não tinha virado uma pessoa boa. Continuava a mesma egoísta esnobe de sempre. Mas ela tinha razão. A pobre garota tinha sido envergonhada em público, e não só ela como toda a família.
O não cumprimento das promessas e a desobediência a ordem de um superior pode levar de repreensões a expulsão. Eu estaria cometendo os dois ao fugir. A promessa não foi minha, mas Ondine pagar por alguma escolha minha não era uma opção, ela podia não gostar de mim, mas eu não faria isso com ela.
E foi pensando nela que eu percebi outra falha no meu plano de fugir. Se eu o fizesse Ondine pagaria pela minha escolha. Merda! Fugir já não era uma opção tão boa assim.
Bom se eu não encontrasse uma forma de me livrar do Adrian até o dia da maré alta, eu o rejeitaria na frente de todos e fugiria para a ilha. Fazendo assim ele não culparia minha irmã por eu não cumprir com a palavra dela, já que eu estaria rejeitando deitar com ele e sexo era uma das coisas que ele não podia me obrigar a fazer. E fugindo para a ilha, ele não poderia me ameaçar ou me persuadir a fazer o que ele queria.
Finalmente eu tinha o plano quase perfeito. E eu ia começar a por em prática, indo pra ilha pra observar os hábitos de um certo mergulhador.
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A Ilha da Sereia (Degustação)
FantasiDione ama o mar, mas sente que ali não é seu lugar. Ela não aceita o fardo que lhe é jogado sobre os ombros e isso pode mudar sua vida de uma forma como ela nunca achou ser possível. Sua única saída é fugir para uma ilha. Lá é o único lugar onde est...