O mergulhador

2.2K 229 40
                                    

Mergulhar sempre foi minha paixão, andar de barco também, na verdade eu nasci e cresci dentro de um barco de pesca, meus pais são pescadores, então desde pequeno vivo no mar. Aprendi a nadar antes mesmo de dar os primeiros passos, minha mãe diz até que eu nasci dentro d'água e já fui nadando no meio dos peixes.

Ela faleceu ano passado, foi uma perda e tanto para o meu pai e para mim, ainda sinto falta dela, jogamos suas cinzas no mar, assim ela estaria onde sempre amou até depois da morte.

E para ficar mais próximo dela eu passo horas mergulhando. Ficamos ancorados perto da ilha azul como chamamos aqui, damos esse nome porque sempre que a olhamos do barco ela tem a coloração azul, ela uma ilha quase deserta, exceto por alguns nativos, uns cinqüenta no máximo. Temos amizade com eles, somos os únicos na verdade que eles permitem por os pés na ilha, isso só pelo fato de meu pai já ter salvo a vida do chefe deles. Algo a ver com um tubarão atacando. Nada de mais.

Bom, desde então moramos ancorados a ilha. Vamos lá apenas para abastecer nosso suprimento de água potável e trocar peixes por comida. Na verdade meu pai vai lá raramente. Quem sempre aparece por lá sou eu. Eu descobri a um ano uma caverna submersa que dá em um lugar dentro da ilha cercado por árvores e que só se pode chegar pela caverna. Eu sempre vou lá pra pensar, relaxar... é meu lugar preferido. E é pra lá que estimou indo agora

- Já vai mergulhar de novo, filho? - pergunta meu pai ao me ver saindo da minha cabine.

- Vou sim, Velho, volto pro almoço. - digo sentando na lateral do barco e me preparando pra cair na água.

- Veja se encontra algum crustáceo pra janta. E se for à ilha, traga algumas frutas.

- Tudo bem. - eu respondo mergulhando.

A água estava um pouco fria apesar da minha roupa de mergulho. Eu gostava mesmo era de nadar nu, sentir o a água na pele se sentir parte daquele meio. Por isso a ilha escondida era o local perfeito pra minhas aventuras, lá eu me sentia livre e ao mesmo tempo em casa.

Fiz o mesmo percurso de sempre, segui pelo recife de corais e de lá continuei junto a encosta próximo a lateral noroeste da ilha. Era uma sensação única, o recife de corais era de uma beleza extraordinária, como se desenhado e esculpido pelo artista mais primoroso, era uma floresta colorida embaixo d'água, como não se maravilhar com os peixes exóticos que nadavam tão próximos? Por mais que eu visse esse espetáculo todos os dias não parava de me surpreender com sua beleza.

Vinte minutos depois eu avistei a entrada da caverna, acendi uma segunda lanterna e entrei na tão familiar escuridão.

Se não tivesse cuidado facilmente se perderia ali dentro, pois além de escuro tinha várias entradas que não davam em lugar nenhum e podiam facilmente perder um mergulhador experiente, tornado qualquer erro perigoso e fatal.

Na primeira vez que a encontrei eu quase me perdi, a minha sorte foi que tinha preso um barbante que sempre carregava comigo na entrada da caverna. Ele se rompeu em determinado momento, mas depois de um pouco de procura eu o encontrei novamente. No dia seguinte vim preparado pra explorá-la.

Mais quinze minutos de vira aqui, vira ali, desce acolá, eu finalmente sai da caverna para meu recanto particular. Fui em direção a mini praia que tinha lá dentro pra tirar minha roupa de mergulhador, e aproveitar o resto da manhã sossegado.

Ao me aproximar da praia, notei algo inusitado, havia marcas de cauda na areia, como se um peixe tivesse se arrastado para fora d'água, porém de acordo com o tamanho da marca deixada na areia o peixe devia ter dois metros e meio, o que juntando ao fato de estar indo em direção a ilha era muito esquisito.

O rastro se seguia até a sombra de uma arvore próxima, lá a areia estava toda revirada, como se tivesse acontecido uma luta ali e a marca de cauda tinha sumido e apenas duas pegadas muito pequenas pra serem de um homem adulto seguia pra dentro da mata. Das duas uma: ou era uma mulher ou uma criança o dono daquelas pegadas, eu torcia pra ser o primeiro, mas o que diabos estaria fazendo aqui? E como descobrira este lugar? Isso me intrigou cada vez mais. E eu decidi descobrir.

Eu segui os rastros curioso. E entrei mata a dentro. Ajustei meu aparelho de audição que eu tinha tirado pra não molhar, pois é tenho esse bendito problema desde que nasci. Ninguém é perfeito, fazer o que? Mas em compensação eu leio lábios como ninguém.

Segui os passos até poder ficar a uma distancia razoável, e escondido atrás dos arbustos tive a visão mais linda da minha vida. Uma mulher! Ela estava nua da cintura pra cima, uma saia dourada cobria suavemente suas pernas e seu cabelo vermelho cobria os seios, para minha infelicidade, devo dizer.

Fiquei observando ela em silêncio, ela estava corada e suada como se tivesse feito um esforço muito grande ou acabado de fazer sexo. Como não havia mais ninguém perto dela julguei que fosse a primeira opção.

Eu me movimentei pra me aproximar e ter uma visão melhor e um galho se quebrou em baixo de meus pés. Quando eu ia praguejar mentalmente ela se vira rapidamente fazendo seu cabelo descobrir um seio perfeito, tinha o bico rosado. Ela procura a causa do som e eu para não assusta-la mais me levanto devagar olhando pra ela.

Assim que me vê ela arqueia as sobrancelhas e arregala os olhos assustada.

Parece que revelar a minha presença não foi uma boa ideia. Mas o estrago já estava feito. Ela se vira pra fugir e eu seguro seu braço impedindo-a de se afastar.

-Espere não vá! - eu peço suplicante. Ela para de tentar fugir e eu continuo segurando seu braço, com suavidade arrasto meus dedos sob sua pele até chegar a sua mão. E levanto até minha boca para dar um beijo na palma.

- Por favor fique. Eu suplico olhando em seus olhos e sinto todos os pelos de seu corpo arrepiar. Então ela olha em meus olhos e congela.

- Você - ela diz surpresa como se me reconhecesse.



A Ilha da Sereia (Degustação)Onde histórias criam vida. Descubra agora