Capítulo 2

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Ele aumentou o aperto no meu pescoço, eu estava ficando sem ar, meu peito começou a doer.

"Po-por favor" tentei pedir

"Saia da minha casa e leve a porcaria da sua família junto" seus olhos eram de um vermelho intenso, eu nunca tinha visto aquilo antes.

Eu fechei os olhos e assenti com a cabeça. Senti meu pescoço relaxar, senti o aperto desaparecer. Abri os olhos e o garoto tinha sumido. Sai pelo meu quarto correndo, eu ainda chorava e com certeza estava com as mascas das mãos deles em mim, doía muito.

"Mãe" eu gritava desesperada enquanto corria pela longa escada "Mãe, cade você?"

"Mia! O que aconteceu?" ela apareceu na porta da sala de jantar, tinha preocupação em seu olhar.

"Nos precisamos sair agora"

"O que? Sair pra onde?" ela colocou as mãos em meus ombros

"Dessa casa, mãe" eu gesticulei com as mãos, lágrimas ainda desciam dos meus olhos.

"Como assim, Mia?" ela tirou as mãos do meus ombros e me olhou assustada

"É, mãe, temos que ir embora, agora" eu falava em meio as soluços

"O que esta acontecendo aqui?" meu pai apareceu na sala, minha mãe o olhou como se estivesse pedindo ajuda

"Mia esta falando que temos que ir embora"

"Porque, Mia?" ele andou ate a mim

"Porque tem um fantasma aqui" eu gritei, já não chorava mais

Eles olharam pra mim assustados e depois começaram a rir

"Mia, que tipo de brincadeira é essa?" meu pai falou saindo da sala

"Mas é verdade, eu não estou brincando" esperneei

"Que tal ajudar a arrumar as coisas em vez de brincar?" minha mãe me deu um sorriso e virou para sair da sala mas puxei seu braço

"Mãe, a gente tem que cair fora"

"Olha, Mia, eu sei que você não gosta daqui mas fazer essas brincadeiras bobas não vai fazer a gente simplesmente desistir de tudo" sua voz era rígida

"Olha meu pescoço, aposto que tem uma marca aqui" apontei pro tal, ela checou e depois me olhou confusa

"Não tem nada ai" e saiu da sala

"O que?" falei assustada, é claro que tinha alguma marca, eu não poderia estar ficando louca. Fui ate o banheiro correndo e quando cheguei olhei pro espelho, passei a mão pelo pescoço procurando algo mas não tinha nada. Balancei a cabeça e lavei o rosto. Quando levantei pude ver através do espelho o tal garoto parado atras de mim. Seus olhos vermelhos me encaravam e seus lábios formavam um sorriso malicioso. Me virei rápido e ele não estava mais ali. Suspirei e me sentei no chão, passei a mão pelo cabelo e fechei os olhos outra vez os apertando.

Meus pais não acreditavam em mim e se eu continuasse falando sobre isso eles me iam me internar em um sanatório, afinal, fantasmas não existem, né? Aquilo não era real, era somente minha imaginação, só podia ser. Eu quero tanto ir embora que minha cabeça projetou isso. Mas parecia tão real, era tão real. Eu senti sua mão, seu toque gelado no meu pescoço. Não, Mia, não era real. Fantasmas não existem.

Uma batida forte na porta do banheiro me assusta me fazendo pular rapidamente e ficar em pé.

"Mia, voce esta bem?" a voz da minha mãe surge atras da porta

"Sim, ja estou saindo"

"Ok, o jantar esta quase pronto"

Sai do banheiro e fui em direção a sala de jantar, a mesa ja esta praticamente toda posta. Me sentei e logo meus pais se sentaram também. O frango estava cheirado muito bem.

Comemos em silêncio, só dava pra ouvir o som dos talheres batendo no prato. Era irritante.

"Mia" minha mãe quebrou o silêncio angustiantes

"Sim"

"Olha, minha filha, eu sei que é complicado mas você tem que parar com isso" ela suspirou

"Eu sei, tudo bem, foi so minha imaginação...é que a casa me assusta um pouco" dei de ombros

Ela sorriu e assentiu com a cabeça

"Tem que aprender a observar a beleza dela" meu pai falou com brilho nos olhos, ele amava a porra daquela casa

"É claro, pai" revirei os olhos

Depois que comemos me ofereci para lavar a louça mas minha mãe disse que não precisava. Subi as escadas e fui ate meu quarto. Entrei meio apreensiva, mas como esperado, ele estava vazio. Fui ate o banheiro para tomar um banho antes de dormir, foi uma dia cansativo.

Tomei e vesti uma camisa larga, gostava de dormir de calcinha. Deitei na minha cama e me cobri ate o pescoço. Demorei um pouco para dormir, a escuridão me dava medo e parecia que alguém me observava. Depois de alguns minutos acabei adormecendo.

Acordei com o barulho de algo abaixando a cama atras de mim. Respirei fundo e me virei devagar.

Era ele. Eu sabia que era. Ele estava sentado na minha cama e me olhava fixamente com aqueles olhos terríveis, eu podia enxergar tanto ódio ali.

"Não é real" sussurrei apertando os olhos

"Eu sou real, baby" sua voz era rouca, e era um sussurro, conseguia sentir seu hálito quente perto do meu rosto.

"Não é real" eu disse mais uma vez

Senti algo gelado na minha mão. Abri os olhos e percebi que ele estava passando minha mão em seu rosto, em cima do lado que era totalmente coberto por suas cicatrizes da queimadura. Era real e ele era gelado. Eu me tremi todinha, e pude sentir uma lágrima quente descendo meu rosto.

"Viu? Eu sou muito real, querida" ele disse no meu ouvido passando a mão gelada em meus braços descobertos.

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