Capítulo 2

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Ao entrar na casa me deparei com algo tão grande quanto era por fora e me perguntava, pra que isso tudo se ele morava sozinha?

Primeiramente havia um corredor quadrado que levava a mais quatro portas diferentes, duas delas estavam fechadas e pelo que eu via uma levava a cozinha e a outra a sala e mais uma porta bem no mundo do corredor perto da escada que o mesmo tinha.

Conseguia sentir tanta raiva dele naquele momento, nunca o odiara tanto em minha vida, minha mãe batalhando para sustentar a mim, Alice e a meus avós e ele usufruindo do luxo e da riqueza. Com aquela casa gigante dava para ele ter comprado todos os remédios pagado, todos os tratamento e ainda um funeral apropriado, se ele não fosse tão egoísta talvez ela ainda estivesse viva.

-Pode escolher o quarto que...-Marcos começou a falar mas já subia as escadas de dois em dois degraus. Caminhei pelo enorme corredor indo em direção a última porta branca que aquele corredor tinha e assim que abri a porta me deparei com um quarto absolutamente vazio constituído apenas por uma janela e uma escada caracol que levava para um segundo andar.

Idiota. O cara manda eu escolher um quarto, sabe que eu estou vindo e não coloca nem uma porta de uma cama. Mas foda-se, decidi subir as escadas e ver o que aquele quarto tinha que prestava para compensar a falta de cama.

Lá em cima era pequeno, mas sinceramente nunca gostei tanto de um quarto como gostava desse joguei minha mochila no chão e dei uma boa olhada no quarto:

Havia uma cama colada na parede, ela era no estilo beliche mas ao invés de ter outra cama em baixo, havia uma escrivaninha com um computador gigante da Apple, quantos tratamentos esse computador compraria?
Já a cama estava sem lençol ou travesseiro apenas o travesseiro, e é claro uma escada para subir nela. Havia também uma janela bem na frente da cama/escrivaninha, uma janela que abaixo dela tinha um daqueles pudesse surrados e desconfortáveis, havia também um guarda roupa e mais nada de interessante a não ser a vista da janela.

Caminhei em direção a janela e me deparei com a casa da ruiva da meia-roupa que estava "lavando o carro" e me deparei com a visão privilegiada de sua janela, a janela de seu quarto.

Peguei o binóculos de minha mochila e passei a observar o quarto com mais clareza e vi apenas um tipo quarto de menina rica e patricinha. A porta do quarto abriu e dela entraram as duas garotas que eu havia visto hoje cedo, a morena tirou a blusa no momento em que elas entraram no quarto fazendo meu queixo cair no momento que vi sua lapada de peitos, ela não estava nem de sutiã.

-Aí carai.

Era gostosa dos pés à cabeça, ruiva, coxas grossas, barriga seca e os seios fartos, ela começou a caminhar em direção a alguma outra parte do quarto que não me permitia mas a ver o showzinho.

A ruiva não fez nada além de sorrir e responder alguma coisa enquanto se virava e começava a mexer em alguma coisa de sua blusa, provavelmente tirá-la.

-Isso, tira...tira tudo.

Ela jogou a blusa no chão mostrando estar com um sutiã preto fez menção em virar.

-Vira...vira...vi

-Rô você...puta que me pariu!-Alice apareceu e eu fechei a cortina da janela no mesmo instante me virando e me deparando com um sorriso imenso e divertido nos lábios-Você estava assistindo a vizinha?

Alice se inclinou para abrir a cortina mas é segurei seu braço antes que fizesse.

-O que você quer aqui?-perguntei duro com ela, nunca era duro com ela mas não queria ela envolvida nas minhas coisas muito menos nesse striptease acontecendo bem na minha frente.

-Por 20 pratas eu finjo que não vi nada-falou com um sorriso de lado cruzando os braços.

-Que? Tá maluca?-pronto só o que me faltava agora Alice voltou com essa palhaçada de me cobrar dinheiro pra não contar as coisas pro vovô.

-Você me dá as 20 pratas e eu não conto a ela que você tava olhando ela sem roupa.

-Ela estava de langerie.

-Quem ela vai acreditar, eu ou você?-falou entortando a cabeça e erguendo a sobrancelhas de modo desafiador.

-Tá!-peguei a carteira de meu bolço e dei a ela as vinte pratas que consegui trabalhando na lanchonete perto de casa, falando nisso tinha que achar um emprego pra poder sair desse fim de mundo e pagar minha faculdade, se bem que minhas notas nos últimos anos estavam boas o bastante para conseguir uma bolsa, mas não fazia ideia de que faculdade fazer a menos que tinha que ser o mais longe possível dali.

-Foi bom fazer negócios com você-sorriu de modo irônico e doce-Ah e vovô está indo embora ele quer se despedir de você.

-Certo, vamos-apontei com a cabeça para a escada e Alice foi na frente.

Saímos do quarto e percorremos todo o caminho até nos depararmos com meu pai e vovô conversando. Vovô parecia irritado e meu pai, bem, Marcus parecia calmo como nunca foi quando ainda estava com minha mãe.

-Já vai vô?-falei descendo o último degrau, colocando as mãos no bolço.

Os dois pararam de falar e meu avô olhou para mim se afastando de meu pai e me deixando ver pela primeira vez uma feição triste e acabada desde a morte de minha mãe.

Vovô pôs a mão no meu ombro e ofereceu um sorriso triste, me encarou por um minuto e então me abraçou forte.

-Por favor não faça besteiras, cuide de Alice, e cuide de si mesmo também-falou baixo apenas para que eu ouvisse-Você é muito inteligente Rodrigo, merece um futuro brilhante-ele me soltou olhando para mim novamente-vá atrás dele.

Sorri fraco pra ele também, sentiria muita falta dele, foi o único pai que tive depois que meu doador de esperma foi embora. Assim que saísse de casa e ganhasse dinheiro iria ajudar meu velho.

-Eu vou vovô.

Ele sorriu fraco também é bateu mais uma vez no meu ombro, e então se despediu de Alice que chorou e teve muita dificuldade em deixar ele caminhar até a porta.

-Rodrigo, Alice, se comportem sua mãe está vigiando-disse apontando para cima-Marcos.

-Maurício-meu pai falou sério.

Observei a porta se fechar e vi uma das três pessoas que eu amava ir embora da minha vida. Por mais que não fosse pra sempre quando vi aquela porta fechada sem fragmentos do meu avô senti que ele havia morrido também, assim como minha mãe.

Aquilo poderia ser o inferno, mas Alice estava ali, ou estava até ela subir as escadas correndo e chorando. Estava sozinho naquele corredor quadrado é estranho meu pai havia acabado de fechar a porta do escritório quando atenderá o telefone.

A campainha tocou e um sorriso de lado surgiu em meu rosto pensando no que meu avô havia esquecido, abri a porta da cozinha sem nem pensar duas vezes.

-Não consegue passar nem dois minutos longe não é...

Mas aquele não era meu avô, aquela era a ruiva irresistível.

Uma ruiva irresistível Onde histórias criam vida. Descubra agora