Capítulo 14

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S P A R K S


Ao acordar, senti como se estivesse tendo um daqueles sonhos onde estamos caindo, mas antes de atingirmos o chão, acordamos em um susto e demoramos alguns segundos para voltar a realidade. No meu caso, eu demorei alguns segundos a mais do que o necessário, olhando em volta para não confundir o que era real com o que foi um mero sonho. Estava encolhida de um lado certo da cama de casal enorme, enrolada em um edredom grosso e pesado que poderia justificar o fato da minha pessoa estar suada e com calor, além de estar com a respiração acelerada e ofegante, causadas pelo susto de acordar de repente.

Virei para o outro lado e encontrei o vazio ao meu lado, indicando que provavelmente eu fui a última a acordar. Me esforcei para não demorar a levantar da cama, e ao sentir o vento gelado que corria o quarto, pude entender os motivos de estar usando o edredom tão grosso. O inverno em Londres realmente nunca passa despercebido, e logo peguei um moletom dentro da cômoda antes de sair do quarto. O resto da casa parecia ainda mais fria do que o quarto, e ao andar pelo corredor fiz questão de aumentar a calefação, visto que eu estava tremendo de frio a cada passo que dava.

Desci as escadas sem pressa e fui em direção a cozinha, lembrando que aquela era uma manhã de sábado e que todos provavelmente ainda estariam reunidos enquanto tomam café da manhã. Porém, ao chegar ao cômodo, me deparei com menos pessoas do que imaginava, estando apenas duas sentadas a mesa que conversavam animadamente em seus moletons grossos enquanto terminavam de comer suas panquecas e beber o chocolate quente, que com o tempo frio como estava o dia parecia mais do que ideal.

"Espero que ainda tenha sobrado panquecas e chocolate quente para mim, acho que não dormi o suficiente e preciso de algo quente." Comentei ao entrar na cozinha, atraindo a atenção dos dois ali sentados, que pareciam animados ao me ver já acordada.

"Mamãe! " A voz fina e animada da garotinha de cabelos loiros escuros soou pelo ambiente, e com uma certa dificuldade ela saiu da cadeira baixa feita na bancada da cozinha para ela e correu na minha direção pulando no meu colo e envolvendo os bracinhos ao redor do meu pescoço. "Mamãe!, o Tloye não deixou eu brincar com o carrinho dele!" Falou em tom de chateação, cruzando os braços e evitando olhar para o garotinho que parecia mais interessado em lamber o fundo de sua caneta de chocolate quente do que em dar atenção para as reclamações da irmã.

"Troye, por que não deixa sua irmãzinha brincar com o seu carrinho? Ela é mais nova que você, tem que ser um bom exemplo para ela e emprestar suas coisas." Divaguei calmamente, me aproximando dele e agachando-me ao seu lado. Minha filha virou o rosto para não encarar o irmão, escondendo seu rosto no meu peito.

"Chelsea, querida, você acordou." A voz suave de Amma dominou o ambiente, e logo a mulher entrou também na cozinha. "Eu já ia te acordar, mas as crianças acordaram bem antes de você, junto com os rapazes, e para deixar você dormir mais um pouco preparei o café da manhã para elas. Pediram panquecas e chocolate quente, mas o Troye acabou virando o leite em mim enquanto tentava beber igual a um gato, e precisei trocar de roupa para não ficar com frio." Comentou rindo de leve, alisando a camisola longa que cobria seu corpo, debaixo de um cardigã com de creme.

"Obrigada Amma, eu não vi que as crianças acordaram, elas costumam pular na minha cama de manhã e só descem para tomar café da manhã comigo." Sorri para a mulher.

"Como você está? Parece cansada." Disse ela, com tom de preocupação.

"Bem, foi aquele sonho de novo, desta vez as coisas ficaram piores. Tenho medo desses sonhos, sei que é difícil que muitas das coisas realmente aconteçam, mas nunca se sabe o real significado de sonhos iguais, e tão constastes." Desabafei, sentindo minha pele se arrepiar ao lembrar de tudo o que aconteceu dentro da minha própria mente.

Innofensive [short sequel]Onde histórias criam vida. Descubra agora