Foi tudo muito estranho. Benjamin simplesmente me mandou uma mensagem pelo whatsapp dizendo:
─ Obrigado pelo tempo que passamos juntos. Obrigado por tudo.
E simplesmente sumiu, dizendo que eu deveria entendê-lo. Poxa! Como assim? Por que ele não pode me entender também? Estou confusa! Ele terminou comigo. Estou desesperada. Em tão pouco tempo de relação, como posso me sentir tão dependente de Benjamin? E se eu ficar sozinha? E se eu ficar sendo zoada na escola? Tanta gente irá me perguntar isso, aquilo.
Benjamin, por que você fez isso comigo, poxa!? Logo agora que estava começando a me sentir segura com você, feliz até, apesar de nossas discussões – prefiro chamar assim.
Lágrimas quentes saem do meu rosto. Queimam minha pele, rasgam minhas bochechas. Meu travesseiro está molhado. Estou completamente desesperada. Um chão abriu-se sobre mim. Por que isso aconteceu, meu Deus? Conto minha mãe? Ligo pra uma amiga? A quem recorrer nessas horas?
Espera! Vou mandar mensagem pra Ela.
Ela é uma mulher que conheci em um evento. Já é mais velha, tem trinta anos. Simpática. Começamos a conversar e, de certa forma, viramos amigas, apesar da diferença de idade – o dobro da minha. Apesar de conhecê-la há pouco tempo, temos uma conexão interessante. É uma amizade diferente com alguém com o dobro da sua vida. É agradável e sei que ela gosta de mim.
Ai, que alívio. Ela me respondeu. Disse a ela que o meu namorado terminou comigo e ela me deu atenção. Foi me pedindo explicações e me acalmando. Dando-me ouvidos, sem fazer julgamentos ou perguntas ofensivas. Ela foi amiga.
─ Estou sentindo medo. Eu tenho medo de eu não conseguir ficar bem sem ele e isso está acabando comigo. É tudo muito complicado pra gente. – disse a Ela.
─ Calma. Me conta tudo. – Ela respondeu.
Fomos conversando ao longo da tarde.
─ Pode chorar que alivia. Não fica com medo. Calma. Eu te dou força. Conte-me tudo que você está sentindo que vai aliviar. Pode confiar. – Ela me dizia.
Foi uma conversa leve e minha alma foi perdendo aquele peso inicial, aquela feição pesada. Ela foi me dando segurança com suas palavras e até me fez sorrir durante a conversa. Depois, Ela me falou como resolvia essa situação de insegurança na adolescência:
─ Posso te dar uma dica? Eu pegava dois potes e um papel. Em cada um, escrevia as coisas boas e ruins que passei com aquela pessoa e via qual potinho enchia mais. Assim, ia me conhecendo e sabendo o quanto de felicidade tinha com aquela pessoa. Parece bobo, mas esse trem liberta a gente e a gente vai se conhecendo sabe? – Ela escrevia. – Não tenta esquecer de vez, vai entendendo a fase, daí você supera com maturidade, não tenha ódio, o tal é superar com entendimento.
Nossa! Como o diálogo com Ela foi incrível. Ela me ensinava a lidar com meus medos e minha insegurança. Ela me ensinava a lidar comigo mesma. Fui ficando mais forte.
Mais tarde, meu celular apitou:
─ Lorena, como você está? – Ela se preocupa comigo.
─ Oi, amorzinho. Estou melhor. Eu e Benjamin estamos conversando. Não sei no que vai dar.
─ Segue seu coração sempre. Sempre faço isso. – Ela finalizou.
Como Ela me deixa bem. Nós duas somos amigas de verdade.
Mas, espera, meu namoro está terminado! Estou mais calma, mas continuo sozinha! E agora?
*****
─ Lorena! Lorena! Acorda, menina! Lendo até tarde, não é? Vai pra sua cama. Fica aí sonhando na mesa. – disse minha mãe.
─ Sonhando! O quê? – pego meu celular! – *aralho! 20 mensagens do Benjamin!
::: Dedico este capítulo para Princesa Morena.
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FRAGMENTOS DELA
Non-FictionLorena anda despedaçada. Sua vida são fragmentos. Conflitos, dúvidas. Seu céu desmorona a cada segundo. Como lidar com tudo isso? Lorena procura dentro de si mesma todas as respostas, mas acaba se trancando ainda mais dentro de seu mundo. Isso vai...
