sempre que a via meu coração disparava.
foi então que decidi observa-lá e percebi que ela sempre saia pro intervalo depois de mim.
a sala dela era diferente da minha e cada sala de aula tinha seu horário pra cumprir. ela sempre parava perto de um banco do pátio e por alguns minutos se afastava das crianças e amarrava seu tênis para voltar a brincar.
eu queria que ela reparasse em mim. foi então que um dia sentei nesse banco e a esperei. "dito e feito". ela saiu para intervalo e em um dado momento se afastou das outras crianças e foi até o banco. quando deu de cara comigo ela abriu um sorriso que confesso nunca consegui esquecer - oi! qual o seu nome?
senti um cala frio naquele momento mas respondi meio gaguejando..
- aah.. meu nome é aline!
a partir desse momento começamos a conversar. a princípio eu realmente só queria ser amiga dela.
afinal, para uma criança de 9 anos no final dos anos 90 o que era aquilo que eu estava sentindo se não um desejo de ter uma amiguinha nova na escola? bom, foi isso que eu pensei. uma amiguinha nova! porém minha vontade de querer está com ela, de querer ve-lá todos os dias, falar com ela, esta perto dela. era sempre maior do que minha vontade de esta com outras crianças. "mas espera, ela era uma menina, assim como eu". era isso que sempre aparecia na minha mente. e me sentia culpada! aquilo parecia errado! não sei porque, mas parecia.
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O sonho de ser livre
Não Ficção"O sonho de ser livre" conta a história real de uma garotinha chamada Aline, de 7 anos idade que se depara em um mundo totalmente diferente do que estava acostumada e começa uma batalha interna para se aceitar homossexual. 📖
