naquele momento senti medo.
medo dela não corresponder, medo das outras crianças da escola, do bullying que eu iria sofrer, dos meus pais, dos pais dela, das professoras. aliás, medo da sociedade não me aceitar. pois aquilo dentro de mim parecia um crime.
foi então que decidi fazer cartinhas anônimas para ela com apenas uma frase "eu te amo Glaucia" e a colocar em baixo da porta da sala dela.
nunca cheguei a saber se ela realmente recebeu essas cartinhas ou se iam parar no lixo.
os anos foram passando e aquele sentimento por ela não passava. já com 13 anos de idade minha paixão por ela continuava ainda mais forte. ao ponto de me sufocando de uma maneira que doía. eu fazia de tudo para chamar a atenção dela.
ela era praticamente minha vizinha e da minha casa eu conseguia ver a casa dela e passava horas observando, vendo ela brincar com o irmã dela no quintal. até que um dia rolou uma peça de teatro na escola. não, eu não participei e nem ela, era um grupo de teatro que foi fazer uma participação na escola. eu e ela estavamos na mesma sala de aula agora e conseguimos nos reaproximar e retomamos a nossa "amizade". coisa que foi um alívio para mim. afinal, se não podia te-lá como algo mais, pelo menos ela estaria perto.
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O sonho de ser livre
No Ficción"O sonho de ser livre" conta a história real de uma garotinha chamada Aline, de 7 anos idade que se depara em um mundo totalmente diferente do que estava acostumada e começa uma batalha interna para se aceitar homossexual. 📖
