deitada na cama não conseguia parar de pensar em como seria aquele evento que todos falavam.
chegou o dia!
pulei da cama com um salto e fui tomar banho e me arrumar para irmos.
naquele momento, confesso, não pensei que estivesse fazendo algo errado indo para parada gay escondida da minha namorada. afinal, estaria com a minha mãe.
quando chegamos no evento, ficamos um pouco assustadas. "quanta gente, meu deus". não conseguiria definir em palavras o meu sentimento naquele momento.
mas de uma coisa eu tinha certeza, pela primeira vez eu estava me sentindo livre.
longe dos olhares acusadores daquelas pessoas, longe dos julgamentos de todos. é, EU ESTAVA LIVRE!.
olhando aquelas pessoas passando por mim, senti que realmente não era louca.
aquilo dentro de mim que me torturou durante tantos anos, não era anormal, eu não estava doente.
e o mais importante, Eu não estava sozinha.
comecei a andar por aquelas pessoas com o coração aos pulos e quando percebi minha mãe já não estava mais do meu lado.
um grupo de pessoas acabaram nos afastando e acabei me perdendo dela no meio daquelas pessoas.
era pra me deixar um pouco "desesperada", afinal, eu não estava acostumada a me ver sozinha em um evento assim.
mas algo dentro de mim me tranquilizou e comecei a andar com calma, observando cada pessoa e cada atitude.
estava distraída olhando um carro de som que estava passando por mim com uma mulher linda dançando e pulando, quando fui abordada por uma menina que se divertia com grupo de amigos.
ela me puxou pra perto com um dos braços e tentou me beijar.
eu, claro, não deixei. afinal, eu estava namorando. mas algo dentro de mim mudou naquele momento.
eu estava sendo desejada por uma garota e aquilo me fazia bem, me senti feliz.
acho que posso dizer que naquele exato momento eu realmente me assumi homossexual.
porém, ainda existia o medo da reação da minha mãe.
no final da parada encontrei minha mãe perto de uma estação de metrô, onde marcamos de nos encontrar caso isso acontece.
fomos para casa, mesmo animada decidi falar pouco sobre o que tinha acontecido naquele dia, para não correr o risco de me assumir sem perceber.
quando cheguamos em casa fui direto para o meu primo, na época com 12 anos, Junior era uma criança meiga e que mais tarde também se assumiria homossexual. alias, acho que foi por isso que sempre tivemos mais intimidade do que eu tinha com meus outros primos.
antes mesmo que ele começasse a falar, eu disse:
- Junior, eu sou lésbica!
ele mesmo desconfiando, não esperava aquela revelação tão repentina, mas com um olhar compreensivo, respondeu:
- já contou pra sua mãe, aline?
meu coração acelerou naquele momento e respondi um pouco receosa:
- ainda não! mas vou contar hoje.
essa pergunta me deixou nervosa, não, eu não estava arrependida da revelação, mas estava com medo! não sabia qual seria a reação da minha mãe quando soubesse.
ele olhou para dentro da minha casa e disse com uma certa calma.
- espero aqui fora então, qualquer coisa te ajudo!.
mesmo me sentindo em panico entrei em casa decidida a contar tudo a ela.
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O sonho de ser livre
Non-Fiction"O sonho de ser livre" conta a história real de uma garotinha chamada Aline, de 7 anos idade que se depara em um mundo totalmente diferente do que estava acostumada e começa uma batalha interna para se aceitar homossexual. 📖
