We're walking in this high

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A ressaca nunca fora tão pesada.

Clarke não dormira a noite, há noites estava tendo pesadelos, pesadelos que conhecia bem. Ela olhava para o teto, compenetrada na sujeira que ali se instalava. Tudo passava em sua mente como um filme, um filme de muito mal gosto.

Ela não conseguira parar de pensar no que acontecerá na manhã anterior. Beijara não só sua professora, mas a diretora de sua faculdade. Sentia raiva por se ver tão frágil e vulnerável, estava exposta, sozinha. E aquele momento, naquele banheiro gelado, como? Como fora tão intenso, ficaram ali por minutos que pareciam uma verdadeira eternidade. Clarke decorara cada parte do rosto de Lexa, cada sarda, cada tom do verde de seus olhos, ela estava impregnada por sua presença, extasiada e não entendia. Como podia? Acabara de conhecer Lexa, faziam alguns poucos meses e fora provada que a convivência entre as duas não conseguia ser nada amigável, Lexa era prepotente, arrogante, grossa, sentia prazer em humilhar as pessoas diante das outras e isso embrulhava o estômago de Clarke e por alguma maldita razão, ela não conseguia parar de pensar nisso.

Ela olhou para o lado e viu Lindsey dormindo, a amiga não falara com ela o dia inteiro, não respondera suas mensagens e chegara tarde no dormitório. Pensar nisso deixou Clarke magoada, seus pesadelos ecoavam na sua cabeça e não sentia nem mesmo que tinha sua amiga por perto pra passar por esse momento.

Ficar naquele quarto pareceu sufocante para Clarke, ela se levantou e colocou um sobretudo e tênis, pegou sua bolsa de mão e decidiu dar uma volta. A noite estava bonita, a primavera ainda estava sendo generosa com os cidadãos Californianos, Clarke podia ver claramente as estrelas pregadas no céu, uma briza gelada bateu em seu rosto aquecido e a fez se arrepiar. Ela abriu sua bolsa de mão e pegou um cigarro de maconha bem bolado e pela metade. Se sentou em uma guia próxima ao seu dormitório e o acendeu.

Os pesadelos...Devia ligar pra sua mãe? Essa era uma questão bem delicada em sua família e ela fazia de tudo pra não se pegar pensando nisso, mas diante de todos os acontecimentos, a forma como Lexa a fazia sentir, o estresse que andava sentido, não conseguia controlar. A vida de Clarke embora desregrada sempre fora muito bem controlada pela loira, era bem simples, tinha tudo e a todos ao seu lado, conforme sua necessidade e de repente estava sendo traída por si mesma, pelo seu corpo e suas vontades, pelo seu coração e não sabia reagir, não sabia lutar contra isso. Sentiu uma presença se aproximando, virou pra trás de pressa com medo:

- Noite agradável, não? Perguntou seu professor, Bellamy.

Seu coração ainda acelerado a fez gaguejar em nervosismo:

- Si...Sim.

- Desculpe, eu não quis assustar você. Desculpou-se com sinceridade. Bellamy usava pijamas e uma pantufa adorável do Pernalonga. Tinha um sorriso doce no rosto, tentando acalmar a jovem.

- Eu não sabia que professores dormiam aqui. Disse Clarke, tentando esconder seu cigarro.

- Todos nós temos dormitórios, dormem os que querem. Disse ele percebendo o que Clarke tentava fazer, se aproximou enquanto falava e pegou cigarro de sua mão escondida dando um profundo trago.

Clarke tentou disfarçar o choque que teve ao ver essa cena.

- Quem prefere dormir no trabalho do que na própria casa? Perguntou indignada.

Os dois estavam sentados um do lado do outro agora, tragando e dividindo a metade do cigarro que Clarke acendera.

- Quem sente que é precido. Disse Bellamy olhando para o céu, distraído.

- Quem prefere ficar aqui no frio do que estar dormindo em sua cama quentinha? Perguntou Bellamy, passando o cigarro para Clarke.

- Quem tem mais medo de dormir do que de ficar acordada. Disse Clarke ao terminar de puxar outro trago.

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