capítulo 2

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Após voltar da detenção diretamente do ônibus, Clarke fez todos os seus deveres, ainda que exausta, e desceu rapidamente as escadas do corredor ao ouvir sua mãe a chamando. Abby carregava sacolas aparentemente pesadas em direção ao balcão da cozinha e suspirou em alívio assim que a filha ofereceu-se para ajudar.

"Parece que essas sacolas ficam mais pesadas com o passar dos anos..." Abby riu baixinho ao desempacotar algumas verduras. "Ou talvez eu só esteja ficando velha mesmo, não é?"

"Mãe, você está ótima." Clarke a observou com a cabeça levemente inclinada e um sorriso meigo no rosto. Considerava sua mãe uma das mulheres mais lindas que já havia conhecido e não permitiria que ela se colocasse para baixo daquela forma. "Como foi no hospital hoje?"

"Surpreendentemente tranquilo. E você? Como foi hoje na aula, querida? Conseguiu uma vaga em algum clube? Você falou disso a semana toda..."

"Na verdade sim." A loira brincou com os próprios dedos. Temia que ela não aprovasse sua adesão ao clube de artes. "Os papéis da inscrição estão em cima da mesa."

"Clube do livro então?" Abby sorriu sem descolar os lábios.

"Está fechado porque não tem inscrições suficientes... Então o coordenador me indicou o clube de artes, que é a mesma coisa, só que ao invés de discutir sobre literatura vou ter um espaço exclusivo só para desenhar e pintar." Clarke forçou um sorriso apreensiva com a resposta.

"Filha... Isso não é uma tentativa de fazer com que eu apoie você naquela ideia maluca de ser artista, certo?" Abby olhou a filha com cautela. Reconhecia o talento impressionante de Clarke, mas sabia que um curso como Medicina a proporcionaria um futuro melhor.

"Podemos não discutir sobre isso agora? Eu vou fazer exatamente o que faço a tarde toda em casa, mas será na escola e ajudará no meu currículo."

"Ok... Vou dar uma olhada depois."

Um silêncio se instalou na cozinha e num ato carregado de pura impulsividade, Clarke contou que havia visitado a detenção pela primeira vez na vida. Ela mordeu o lábio inferior tensa com o que sua mãe diria, no entanto a resposta foi simplesmente uma risada.

"É piada, filha?"

"Juro que não..."

"Mas o que houve?" Abby sorria estranhando a notícia. "Já sei. Finalmente matou um dos seus colegas."

"Quem me dera..." A loira riu sentindo seus ombros relaxarem. "Ah, um garoto puxou assunto comigo e a professora não gostou do barulho da conversa."

"Hum... Um garoto..." Ela sorriu de forma sugestiva.

"Mãe! Não tem nada disso."

•••

Tentou a todo custo concentrar-se em seu novo desenho, mas a música extremamente alta que vinha do quarto de Raven estava dificultando. Clarke levantou murmurando baixinho alguns palavrões e foi para o corredor. Em seguida, ficou em frente ao quarto e só parou de bater quando não ouviu mais os acordes da guitarra.

"O que você quer?" Raven escorou-se no batente da porta.

"Pode abaixar o som?"

"Não." Ela pretendeu fechar a porta com força, mas não conseguiu já que Clarke posicionou o pé para segurá-la.

"Eu não estou nem pedindo para desligar! Custa muito você abaixar um pouco a porra do volume?" Sabia que se gritasse sua mãe apareceria ali em um segundo, mas estava tão irritada que não conseguiu evitar.

Incomodar Clarke podia ser desgastante, mas valia a pena em alguns momentos. "Está mais do que bom assim."

Estava pronta para invadir o quarto de Raven e destruir o aparelho ali mesmo quando Abigail Griffin subiu as escadas e surgiu furiosa no corredor. "O que está acontecendo aqui? Vocês não conseguem ficar sem brigar por um dia sequer! Parecem duas crianças!" A mulher posicionou as mãos na cintura. "Qual o problema dessa vez?"

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