Bonequinha de cera

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Por muito, temi os seus olhos sem rumo
Que viajavam, por desconhecidas terras.
Depois
Invejei a tua beleza eterna
Que não partiria, nem mesmo depois de mim
Gostava de como encaravas a vida
Com chuva ou sol, sorria sem fim
Sorria medonho
Com seus olhos tristonhos
No meio da noite temia
Que em seus olhos, a vida relusisse
Eu as vezes no crepúsculo despertava
E lá tu estavas, triste a me observar
Sentada sobre as saias de cetim
Reclinada ao canto da parede
As faces roseas na pele de marfim
Vi que seus olhos algo diziam
Seus olhos tristonhos, que inda traziam
A poesia dos sonhos
De quando ao meu lado vivias
Lembrei-me de teu cheiro de flor
E de tua morte sem dor
Agora, que ao meu lado és eterna
Sonho em tocar-te, a pele de flor
Que descansa sob a cera
Mas só vejo teus olhos tristonhos
As vezes sinto culpa
As vezes sinto amor
Mas tu estás ao meu lado
E já não sentes mais dor

InefávelOnde histórias criam vida. Descubra agora