Eu me perdi cinco vezes em São Paulo.
Se a capital paulista fosse o labirinto de Maze Runner eu já estaria morta por uma aranha gigante assustadora que não teria pudor em devorar uma pobre escritora iniciante. E pra quem leu o livro: Eu sei que o monstro não é uma aranha, isso aqui é licença poética.
Encontrei o hotel depois de perguntar no caminho pelo menos umas três vezes. Tomei um banho e me joguei na cama como se eu nunca tivesse visto um travesseiro. Depois disso só sonhei com uma vida alá Gisele Bundchen em que eu viveria livre, leve e solta desfilando pelo mundo com meu livro servindo de corpo.
Mas a merda é que eu tinha que pensar nele. No maldito P. Poderia ser P de Prússia, Paolo, Pirulito... Tantos nomes com a letra P que poderiam estar rondando a minha mente. Porém, não. Minha mente tem seletividade, ela fez um apartheid com os outros substantivos de letra P e apenas Pedro domina meus pensamentos.
Eu estava confusa. Magoada. Um pouco eufórica por ele ter vindo me ver em São Paulo, mas revoltada com a sua falta de respostas. Mas que porra de ex você arrumou, Liv! Um que em vez de estar longe da mente, gruda no cérebro!
Acordo mais tarde, arrastando-me pelo colchão a fim de pegar as balas Fini que eu havia comprado na saída do metrô. Cutuquei a cama para achar meu celular e deitei-me novamente quando coloquei na Netflix e cliquei no episódio de As Telefonistas, uma série latina super feminista que eu estava adorando.
Quando o episódio acaba, meu celular pisca com uma mensagem e penso imediatamente em Pedro. Você devia ao menos ter beijado ele, não era Lív? Devia ter deixado ele enebriado com seus beijos para depois deixá-lo, não? Ele voltaria rapidinho...
Quase rio da minha falta de modéstia. Eu estava bêbada de balas Fini, caramba! Olha que o açúcar faz com a pessoa!
Suas bochechas estão coradas?
Arregalo os olhos para o texto. Como é que é?
Está dando uma de stalker?
Você já ficou com medo de esquecer o meu tipo, Lív? Que gruda na sua cabeça como algo em seus dentes?
Meus pensamentos nublam confusos. O cérebro fazendo força pra não entrar na pegadinha.
Eu já te esqueci uma vez, Pedro. Posso fazer de novo.
Todos sabemos que isso nunca aconteceu. Note as referências, você não tem ideia de que é minha obsessão?
E então sorrio quanto noto. Arctic Monkeys. Se Oasis ganhava como banda tema de nossa relação do passado, Arctic Monkeys ganhava como tema da minha vida. Caramba, que banda boa!
Do I wanna know?*
(Eu quero saber?*)
Eu é que pergunto, o que você quer saber, Lív? Se sou louco por você? Você já sabe, eu que demorei para lhe dizer isso.
Que chantagista. Usando minha banda pra me fazer falar contigo? Além de que, você sempre falava, Pedro.
Eu sei. Sinto muito se fui hipócrita mais cedo. Dona Melina me mataria se soubesse, ela sempre te adorou.
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Amor em Trânsito | ✅
Cerita PendekLív gosta de planos. Ela realmente ama planos. Ela planejou meticulosamente sua viagem até São Paulo, com direito a horários certos e atuações prévias para que quando ela entregasse seu manuscrito para o editor, ele finalmente aprovasse a publicaç...