Capítulo 1

1K 147 14
                                    


Primeiro Dia

- Chegamos. – Claire ouviu o anuncio.

Ela teve um pequeno vislumbre do imenso portão quando o mesmo se abriu para que pudessem passar, entrando em um pátio charmoso e ornamentado com urnas cheias de flores.

- Estou admirada de você não ter coberto meus olhos no trajeto. Por acaso não teme que eu fuja ou chame a polícia? – questionou ela, descendo do carro.

- Mas, onde estão suas algemas? – retrucou ele. – Você está totalmente livre mia cara.

- São algemas invisíveis! – exclamou enraivecida. – Eu nem ao menos pude cuidar do meu pai, seu cretino. Você me obrigou a deixa-lo jogado naquele beco, como...

Henrico a interrompeu com os olhos brilhantes.

- Como o lixo que ele é.

Claire arrepiou-se e teve de se segurar no carro para não cair. Tudo estava acontecendo muito rápido e ela não estava encontrando equilíbrio para dosar a intensidade de seus pensamentos e ações. Ela estava à mercê de um homem de aparência assustadoramente charmosa, mas que exalava a maldade por seus poros. Olhou ao seu redor e se deparou com diversas pessoas de expressões fechadas e carregados de armas, aquilo elevou o seu pânico em um nível que achou que não seria possível.

- Você está segura aqui. – a voz dele chamou sua atenção.

Ele havia se aproximado e Claire se afastou de modo brusco. Sorriu ironicamente.

- Estou segura? Quanto tempo até eu ter o mesmo fim que meu pai?

- O seu pai está seguro também.

Pronta para retrucar, ela pausou a enxurrada de palavrões na garganta e o encarou em estado de choque.

- O que disse?

Indicando com a mão o caminho em direção a entrada da enorme mansão, Henrico esperou que ela caminhasse com ele.

- Ordenei que alguns dos meus homens o resgatassem. Ele estará protegido e será muito bem cuidado enquanto você estiver aqui. – pausou e a encarou. – Me servindo.

Um arrepio atravessou-lhe a espinha e se espalhou por seu corpo. Claire obrigou-se a engolir em seco e preferiu não processar o que aquela afirmação dele implicaria em sua vida. Servi-lo?

- Ema levará você ao quarto. – comunicou ele. – O jantar será servido às nove.

Uma mulher toda vestida de preto apareceu e lhe foi apresentada como a governanta da casa.

Uma magnifica escadaria de mármore conduzia ao segundo andar. Para onde quer que Claire olhasse, havia evidencias do requinte do lugar e em cada detalhe. Em silêncio, ela seguiu Ema até o quarto com mobiliário igualmente luxuoso. Um banheiro, comunicava-se com o quarto.

Tão logo ficou sozinha, Claire examinou tudo, constatando que Henrico não dividiria o quarto com ela.

Ficou aliviada.

Nas horas que se seguiram após o incidente com o seu pai, dissera a si mesmo que seria indiferente ao seu algoz. Mas a verdade era que sofria com seus questionamentos e reações indesejáveis. Sentia-se completamente sem defesas.

Um longo banho a relaxou levemente. Ela saiu do banheiro e ficou sem jeito ao se deparar com uma jovem empregada colocando roupas em cima da cama.

- Essas roupas não são minhas. – Claire declarou, tocando com os dedos trêmulos as peças caras de lingerie, incluindo uma camisola preta, de seda, cheia de rendas. – Onde estão minhas roupas? – quis saber, uma vez que tinha tido a oportunidade de passar em sua humilde casa para pegar umas peças de roupa.

Rendido pelo amor - Livro 1 (Duologia Rendidos) - DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora