"O real?"

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C A P Í T U L O   4

- Me diga exatamente o que está sentindo? Feche os olhos como naquela última vez que você veio até aqui, seus pais queriam viajar para Londres. E você não queria ficar longe da sua avó... e começou a ter os surtos... 

- Eu estou vendo vários olhares diferentes e muitos deles se assemelham com uma mulher que vi nos meus sonhos... -respondi. 

- Não é a primeira vez que você sonha com ela, mesmo acreditando que seja. Respire lentamente, Anastácia! 

Respirei fundo. 

E ela continuou: 

- Pare de pensar nos olhares que estão vindo em imagens aleatórias, se concentre apenas na imagem da mulher que você viu. 

- Ela está saindo das sombras, está se aproximando de mim... -confessei. 

- Imagine agora, Anastácia, que você vai expulsá-la de perto de você, mande-a ir embora. Agora! 

- Eu não posso, não consigo... -recaí. 

- Consegue sim, sinta sua força. Grite, mande a ir. Você consegue. -insistiu. 

- Vá embora! - gritei. 

- Anastácia? Anastácia? -chamou-me.

- Estou aqui. -respondi. 

- O que está sentindo agora? -perguntou. 

- Calmaria. 

- Continue nessa calma, renda-se ao som da praia. Você está nadando e não há ondas fortes. Permaneça no silêncio... 

Continuei no silêncio que minha hipnóloga de infância, Elisa, havia pedido. No entanto, naquela calmaria comecei a escutar uma voz: 

- Anastácia, desperte, desperte! DESPERTAAAA! 

Abri os olhos e na sala estava uma mulher que não conhecia:

- Quem é você? Onde está Elisa?

- Sou a irmã dela,  Melissa. Você precisa sair daqui...

- Por que? O que houve? -perguntei

- Ela trouxe seus pais, assim que soube que você teve o primeiro surto. E se você não sair agora, eles irão te internar assim como fizeram com a sua avó. 

- Com a minha a avó? Como assim? Me explica... -supliquei. 

- Anastácia, saia daqui, eu te encontro, não se preocupe. Fuja! 

Saí correndo da sala, mas uma tontura não me deixou correr mais. Quando olhei meu braço esquerdo, Elisa tinha injetado alguma coisa em mim. Fui tentando andar, no entanto acabei caindo no chão. E apaguei. 

Acordei amarrada na cama em um quarto que aparentava ser de hospital. E comecei a gritar desesperadamente, até que minha mãe entrou no quarto com minha tia Rosalinda:

- O que vocês estão fazendo comigo... -perguntei gritando e chorando.

- Anastácia, sobrinha nos perdoe. Você precisava disto...

- EU NÃO SOU LOUCA! - gritei.

- Filha, você já teve esses surtos antes. Não podemos te deixar livre, você pode causar mal aos que estão ao seu redor. -disse minha mãe.

- É mentira sua. Eu nunca fiz mal a ninguém. -respondi.

Dois homens entraram no quarto e me toparam, consegui me contorcer por alguns segundos, mas eles eram mais fortes do que eu. Era uma fração de acordar e dormir. Tentei por diversas vezes fugir, mas era impossível. Estava em um manicômio, graças a minha família, graças a aqueles que eu deveria amar incondicionalmente.

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⏰ Última atualização: Dec 25, 2017 ⏰

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