Pela janela o vento entra gelado como o gelo do meu whisky, mas não como meu coração. Perto dele, tudo em Konoha está num calor infernal.
Por que eu digo isso? Porque é a verdade, não a toa eu sou conhecida pela minha frieza. Sou capaz até mesmo de matar, principalmente se a vítima for o cara loiro e de olho azul que ainda atormenta meus pensamentos. No dia que eu vir aquele cara de novo, eu o mato, eu juro por cada fio de cabelo negro-azulado que eu tenho na cabeça, juro pelos meus olhos quase perolados de tao azuis, que eu mato!
— Mama, mama... — se bem que ao menos ele me deixou um pedaço bom de tudo isso.
Peguei meu filho de 3 anos, o único homem cujo o amor vale a pena, entregando a ele todo o amor e carinho que me tornei incapaz de demonstrar pro mundo fora desse quarto, afinal ele é o meu bem mais precioso.
— O que você tem pra mim, Boruto? — perguntei e ele me deu um papel, todo contente.
— Pra você... — é um desenho meu, com ele no colo e os seguranças armados atrás de nós.
Me impressiona o talento desse pingo de gente... Ele desenha como o pai, aquele maldito!
Do que eu tô falando? Eu to falando de um idiota, o filho da puta que brincou comigo, me abandonou grávida depois de jurar amor, casamento, vida nova e os caralhos pra mim. Eu amei, me entreguei de corpo e alma, pensei que ia ser feliz, mas sabe como é, com 17 anos a gente não pensa e acha que qualquer um que jura amor ta falando sério.
Eu só não digo que me arrependo porque graças a ele eu tive esse loirinho lindo aqui, que brinca ignorando tudo ao redor dele numa inocência invejável. Ele não percebe o cheiro de sangue e pólvora que permeia meu cafuné, nem os idiotas nojentos que gemem do outro lado. Não escuta o rugido dos leões em suas jaulas lá fora, não escuta a música alta e muito menos vê aquelas piranhas dançando pra atrair cliente. Resumindo: ele não faz ideia de que mora num bordel, o meu bordel! O pai dele me tirou de puta, mas eu acabei foi virando cafetina, cafetina, traficante e agiota, ou, como me chamam, Poderosa!
O meu nome? Meu nome é Hinata, só Hinata. Meu pai me enxotou de casa quando descobriu minha gravidez e por isso eu reneguei aquele sobrenome de merda, imitando a minha irmã mais nova, expulsa anos antes por engravidar aos 14 anos de um endinheirado aí com quem ela fugiu para o exterior, aquela sortuda. Pra mim sobraram as ruas amargas nas quais eu me criei pra poder criar meu filho.
Se eu me prostitui? Nunca precisei descer tão baixo, preferi render pro crime, quem ia desconfiar de uma grávida, não é? Fiz uns assalto em loja, depois em shopping, joalheria e até banco, com isso criei meu filho, comprei esse casarão velho e botei um monte de puta pra trabalhar pra mim, eu dou o teto e a segurança e elas me pagam 40% dos ganhos. Se me deverem droga, trabalham igual escrava pra pagar, não tô nem ai, caiu pro vicio porque quis. Se não se cuidam e pegam doença, mando embora pra não perder a qualidade da casa. Se são agredidas ou abusadas, eu as defendo pra não perder o respeito e os poucos escrúpulos que me restam. Se me roubam, eu as mato com minhas próprias mãos sem me intimidar com testemunhas. Se eu precisar fazer mãe chorar pra não ser a mãe ouvindo o pranto do meu menino, assim eu farei.
Dedicação de mãe, sabe? Eu ralei muito, de casa em casa do crime pra chegar aqui e hoje eu sou a rainha dessa porra toda. Fiz muita coisa que nunca achei que faria na vida, sujei a mão de sangue, mas eu não me arrependo...
— Te amo, mama... — ouvir isso desse meu anjinho loiro faz tudo o que eu fiz valer a pena.
— Meu amor, já tá na hora de dormir... — apressei porque eu tenho que fazer um corre na casa e não quero ele curiando o que há além do nosso cantinho de afeto.
Nunca vou expôr meu menino à esse tipo de coisa, diferente do pai dele eu não roubo a inocência de ninguém. Todo mundo que chega na minha mão já vem corrompido, eu só tiro vantagem de um fim inevitável.
Um colo, um chamego e umas notas desafinadas de canção de ninar bastaram para eu colocar na caminha um bebê grande, aconchegado em lençóis macios e bichos de pelúcia.
— A mamãe te ama! — beijei a bochecha dele, peguei a glock e sai.
A ternura eu tranquei junto dele e num suspiro retornei ao mundo real onde todos se curvam diante de mim, bem como eu gosto. Passei intimidando quem teve coragem de apreciar minha beleza jamais ofuscada pela minha crueldade. Nada contra os amassos necessários pra desestressar nessa correria, porém não adianta cobiçar minha alma, morta depois do único cara que conseguiu tocá-la sumir no mundo sem se importar com a destruição que causou na minha vida. Me odeio por não conseguir esquecer. Podia ter sido tudo diferente, mas não, ele tinha que ser um cafa e eu uma retardada que caiu fácil na lábia do malandro que me comeu e vazou quando eu embuchei, mas deixa, agora o papo é outro.
Sentei no meu trono alocado entre as jaulas dos meus dois leões. Não é força de expressão, eu ganho bastante pra manter dois leões em casa, servindo pra amedrontar quem me deve e devorar quem não paga!
— Ta com o dinheiro pra me pagar, arrombado? — sobrei e o filho da puta da vez, o Kisame, engoliu em seco, tá me devendo uma bolada boa. — Vai logo, abre o bico, projeto de peixe!
— P-poderosa, eu tenho isso! — ele me mostrou um cordão de rubi, uma jóia bonita, mas...
— Esse rubi aqui só paga metade da dívida, tu tem mais 5 dias pra me pagar. Isso se você não quiser pagar de outra forma! — passei a ponta da minha unha amendoada pelo pescoço antes de bebericar do meu whisky e ele engoliu em seco de novo e sumiu das minhas vistas.
Um aceno meu bastou para que as curiosas putas parassem de observar a confusão e voltassem a rebolar, seduzir, seja lá o que elas fazem pra conseguir o dinheiro com o qual me pagam ao fim do dia e pra gerenciar os meus muitos ganhos a cada lua alta no céu lá vem a Sakura prendendo nas mãos seus cabelos tingidos de rosa enquanto faz uma bolha de chiclete, como seu vulgo chama.
Ela trabalha pra mim desde antes do bordel abrir, fazendo o corre de contadora e babá pra mim em troca de casa, comida e um salário de deixar executivo formado no chinelo. Apesar de eu desconfiar da minha sobra, eu a tolero por estar do meu lado na vida desde que eu engravidei, saber de tudo da minha vida e nunca ter sequer ameaçado abrir o bico – a maior prova do quanto ela se autopreserva.
— O que que tu quer, Chiclete? – questionei ao notar que em vez da planilha de contas havia um portal de notícias no mini-tablet inseparável que ela tirou da cintura.
— Poderosa, olha isso! — ela mostrou uma noticia muito aguardada por mim nesses quase 4 anos.
— O retorno dos poderosos Namikaze... — li com as vistas focadas nos mesmo olhos nos quais eu me afoguei um dia.
Sorri maldosa, contemplando não o retorno de um grande amor mas a certeza de estar finalmente perto da minha vingança.
— Quer dizer que ele ainda teve a coragem de voltar pra Konoha depois de tudo? — depois de destruir a minha vida, ele volta pro país com essa cara de bom moço. Filho da puta!
De quem eu tô falando? De Namikaze Naruto, o homem que me roubou a paz, a pureza e a inocência, jogou meu amor e minha vida no lixo, mas, também, o homem que me deu um filho maravilhoso e me transformou na Poderosa!
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Poderosa
FanfictionEu já amei muito, amei um homem que sumiu quando eu mais precisei dele. O Naruto me abandonou quando eu achei que tudo ia ficar bem, quando eu descobri que ia ter nosso filho, sumiu sem deixar rastro e transferimos minha vida num inferno. Eu virei u...
