Segredos e Surpresas

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Hinata

Negócios à parte, a Tsunade é uma mulher bem, digamos sábia, ela adora dar conselhos às putas quando vem, tipo uma sacudida pra vida? Então...

Esperava uma discussão ferrenha sobre preços, datas e detalhes de show porém era a hora de recolher a diária de quem virou a noite e o beija-mão logo deu lugar a uma espécie de palestra com direito à plateia emocionada.

— Vocês não tá aqui nesse bordel para serem tratadas como rainha, vocês são prostitutas, mas também não aceitem apanhar de cliente nenhum! — elas me olharam assustadas.

Sou ruim mas também não sou bicho!

— Se os cadelo tentar bater ou forçar sem pagar, só falar que ele vai bater papo com Kayuá e Katsu... — elas assentiram, mais calmas. — Essa é uma casa de respeito, só eu posso maltratar vocês! – pisquei numa risada sádica, contemplando risos nervosos.

Mestra se resumiu a sacudir a cabeça em reprovação, sabendo não ser ninguém pra reclamar de como eu trato minhas putas e voltando ao falatório.

— Outro conselho que eu dou: não se apaixonem por cliente, deixem de ser idiotas! — olha quem fala, a mulher que quase se casou... — Isso de que um dia vai aparecer um homem bom que vai tirar vocês dessa vida não passa de uma ilusão! — é nítido o quanto ela é meio frustrada, triste por não ter reencontrado o homem lá, pai da filha dela. — Isso é uma ilusão, só serve de conforto pra suportar essa vida. — e que vida!

Dizem que ser puta é garantir dinheiro fácil, mas, cara, só dessas mulheres me aguentarem e suportarem a pressão que eu ponho nelas, já vejo que a vida não é tão fácil assim.

Além das lições de moral, a Tsunade também tira dúvidas, ensina sobre cuidado íntimo, preservativos, anticoncepcionais e, claro, abortos. Eu não faria, tanto que não aceitei nenhuma oferta pra isso quando tive chance, contudo reconheço que nem toda mulher suporta a maternidade. Nessa vida de programas, filhos são um problema de acabar carreiras, trazer inimigos, abandono e, a depender, expulsão. A maior parte dos bordéis manda embora sem dó, outros até deixam porém o filho se torna outra dívida pendente. Conheço casos onde as crianças são vendidas até sem o consentimento da mãe, enganada com a ideia de apoio dos cafetãos sem esperar ser separada do bebê ao dar à luz.

Aqui eu não expulso mas também não trato como coitadas. Se deixarem de render por isso, aí sim é problema meu.

— Lembrem que no Japão temos acesso ao procedimento, mas o problema não é fazer em si e sim como a cabeça e o corpo lidam com o processo. A melhor saída continua sendo a prevenção, até porque numa relação desprotegida com o tanto de homens que se deitam sobre vocês, um filho é o menor dos nossos problemas.

— E eu repito: gravidez eu negócio, bicheira não. – repeti vendo uma ou outra já ficar desconfortável. – Aliás, Mestra, você ainda presta serviços medicinais?

— Se for pra fazer varredura nessas mocinhas, já digo que o serviço de última hora fica mais caro. – imaginei.

Mestra se formou com honras em medicina e apesar de continuar como puta. Por motivos pessoais escondidos da maioria, ela alega escolher a vida itinerante em vez da estabilidade de um trabalho fixo, independente de honradez.

— Eu pago sem problemas, inclusive, Chiclete, já chama o pessoal do laboratório pra coletar o que a Mestra pedir pra ontem. Não quero nem coceira se criando na casa! – prezei escutando reclamações.

— Isso é invasivo... – alguém teve a coragem de murmurar.

Estalaria meu chicote no chão pra cortar o ultraje, porém a Tsuna se antecipou indignada.

Poderosa Histórias para pegar e não largar. Descubra agora