Capítulo 7: Digging Our Graves

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Katherine Point Of View

   Sigo Justin para um enorme galpão. Os guardas postos parecem esperar sua chegada, já que entramos calmamente no edifício sem qualquer revista ou algo do tipo. 

   Justin parece calmo, e embora eu tente acompanhá-lo posso sentir arrepios por toda espinha ao observar o interior do galpão. As paredes são cinzas, assim como o chão, e as luminárias são fracas demais para um lugar como esse: o que deixa o ambiente escuro. 

   A mobília é simples e bem sucinta: uma mesa com duas cadeiras. Posso observar um homem jovem fumando calmamente um cigarro. Ele parece sentir-se extremamente confortável na velha cadeira de madeira, e eu suponho que esse seja Zayn Malik. 

-E dizem que quem é vivo sempre aparece! -O moreno exclama ao passo em que Justin e eu nos aproximamos- O que você conta de novo, Bieber? -Ele fala em um tom que desafia a linha entre a ironia e a sinceridade 

-Oi, Zayn -Justin fala calmo-Precisamos conversar.

   Zayn solta uma risada seca enquanto termina o seu cigarro. 

-E agora você quer conversar? -Responde ríspido- Não tenho nada para falar com você, Bieber.

   Justin respira fundo ao meu lado, e se o conheço bem ele está tentando ao menos manter-se calmo.

-Você está matando o meu pessoal, está roubando as minhas cargas, eu realmente acho que precisamos conversar. -O loiro responde com uma voz profunda 

-É o seguinte: eu te criei. Se não fosse por mim, você seria só mais um fodido tentando ganhar a vida. Eu te mostrei como subir, só pra você me chutar do topo. Então, Justin, nós não vamos conversar: nem agora, nem nunca. -Ele fala se aproximando de Justin, que de alguma forma consegue permanecer calmo em meio à toda essa situação. 

-Então essa é sua palavra final? -Justin responde com uma pitada de deboche- Sem conversas?

-Você tem duas opções: Se render ou morrer -Zayn fala e Justin ri. Porra, ele ta rindo?

-Então, deixa eu estipular uma terceira opção aqui: lutar -Justin responde enquanto se vira para ir embora e eu prontamente o sigo

-E você jura que pode nos vencer, Bieber? -Ouço Zayn falar

-Como você mesmo disse: Eu te chutei do topo. Acho que dou conta. -Ele fala enquanto cruzamos a porta de saída.

-Você está cavando sua própria cova! -Zayn grita e Justin ri novamente 

-E eu vou te jogar dentro dela! -O loiro fala uma última vez antes de passarmos os grandes portões e seguirmos em direção ao carro. 

   Não sei se eu deveria falar alguma coisa, mas no momento não sou capaz de proferir uma só palavra. 

   Entramos no carro e Justin permanece em silêncio. Os seus ombros, antes relaxados, agora estão tensos, o que deixa os músculos do seu braço em evidência. Seus olhos estão mais escuros que o habitual e se focam apenas na longa rodovia a nossa frente. Observo os seus lábios vermelhos pressionados em um pequeno bico, e seguro o riso ao observar o quão criança ele fica quando está com raiva. 

   Parte de mim tem consciência da grandiosidade dessa situação toda. Uma guerra! Mas, outra parte, parece extremamente interessada em analisar cada pequeno detalhe de Justin Bieber: e de alguma forma, essa parte está me dominando. 

   Abano a cabeça tentando me distrair desses pensamentos sem noção. Ele não só é meu chefe, como também é o tipo de cara que eu nunca namoraria. Por mais bonito que ele seja.

   Me foco no longo caminho que o carro blindado de Justin faz, e logo junto minhas sobrancelhas em confusão ao observar que ele passou a saída da pista que o leva para casa:

-Onde estamos indo? -Pergunto analisando pelo retrovisor a saída que fica para trás a medida que avançamos

-Vou te deixar em casa -Justin fala ainda olhando pra pista 

-Ah, ta bom. -É tudo que respondo

   O resto do caminho passa rápido em meio ao silêncio confortável que se instala entre nós, e antes que eu possa perceber Justin estaciona em frente à minha casa. 

-Eu até perguntaria como você sabe o meu endereço, mas em vista que foi você quem comprou a casa posso deduzir -Falo dando de ombros- Aliás, obrigada. Nunca tive a chance de agradecer -Falo baixo e ele me dá um pequeno sorriso

-É parte do nosso trato -Fala- Não precisa agradecer. 

   Assinto com a cabeça, quando ele fala baixo:

-Obrigada por hoje. -Arregalo meus olhos diante de suas palavras- Me senti mais seguro tendo você por perto.

-Você parecia estar bem calmo -Falo levantando meus olhos para encontrar o seus.

-É fácil manter a calma quando se têm uma atiradora com um rifle bem atrás de você -Ele fala com um sorriso brincalhão  e eu solto um riso baixo

-Agora é pra valer, não é? -Pergunto e ele assente tirando aos poucos o sorriso do rosto

-Infelizmente sim

   Respiro fundo e encaro a rua residencial à nossa frente. 

-Você é uma boa pessoa, Justin -Falo um pouco sem pensar- Pode pensar que não, mas no fundo você é. -O encaro e ele me olha atentamente com seus belos olhos cor de avelã- Obrigada pela carona, te vejo amanhã. 

   Falo antes de sair do carro e observá-lo seguir em alta velocidade pela rua, e, involuntariamente, solto um sorriso. 

   Entro em casa, passando por uma sala tomada de almofadas e pipocas enquanto observo meus irmãos brigarem pela escolha de um filme. Rio com a cena, antes de deixar um beijo na testa da minha mãe e seguir para o meu quarto.

   Me jogo na minha cama e tento esquecer o dia louco que tive. Tiro minhas botas pretas e me pergunto se Justin já chegou em casa. Deixo um pequeno sorriso escapar ao repassar mentalmente nossos pequenos diálogos durante o dia. Eu realmente gosto de conversar com ele.

-Quem era? -Ouço Carly perguntar da porta do quarto

-O que? -Falo levantando minha cabeça para encará-la

-O bonitão que veio te trazer -Ela fala se jogando também na minha cama 

   Deixo uma risada escapar diante da sua escolha de palavras.

-Era o meu chefe.

-Huuuum... -Fala me fazendo revirar os olhos com a sua provocação- Como ele chama?

-Justin -Responto e ela me lança um sorriso malicioso 

-Do que vocês estavam falando? Parecia importante, você chegou com a maior cara de boba, você gosta dele, uh?

   Empurro ela de brincadeira que cai no chão rindo.

-Eu só estava agradecendo pela carona, vê se não me enche -Falo e ela ri ainda mais alto

-Katie e Justin, sentados em uma árvore... -Ela começa a cantar e eu logo me jogo em cima dela fazendo cócegas 

   Carly se revira de rir no chão e eu a acompanho, pensando que por esse breve momento eu me sinto apenas mais uma garota comum. Sem armas, sem mortes: apenas uma garota. E que, se eu não estivesse tão ocupada cavando minha própria cova, talvez pudesse me sentir assim mais vezes.



Até o próximo capítulo.

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Shot Of A Lifetime [J.B]Onde histórias criam vida. Descubra agora