Desde o dia no qual eu terminei de escrever, tenho recebido muitas notificações de vocês (inclusive, muito obrigado a todas as mensagens de apoio que eu recebi!), então resolvi reativar esse diário, mas com uma nova abordagem. Quem leu os dias anteriores pôde perceber que eu sofro com a depressão e TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizado), o que impacta muito a minha vida e a forma como eu me relaciono com as pessoas. Escrevo sob um pseudônimo pois não quero que meus amigos leiam isso, pois sinto que já dou muito trabalho para eles.
Na tentativa de aliviar um pouco minha cabeça, me inscrevi em um programa de intercâmbio da minha universidade. Passei por muitos problemas aqui, que inclusive puseram a prova minha capacidade de morar sozinho (e eu falhei em parte, mas deu certo). Para não dizer que meu intercâmbio está sendo uma tragédia completa, eu estou desconstruindo diversos tabus que eu tinha, todos eles relacionados ao meu corpo e a minha sexualidade. Neste quesito, está sendo uma experiência libertadora e espero voltar para o Brasil com essa auto estima que eu desenvolvi aqui.
Conheci muitos rapazes aqui, mas preciso fazer uma menção honrosa a um em particular. Ele mora em outra cidade (que inclusive é bem perto) e estamos marcando de nos encontrarmos. Imaginem uma pessoa super fofa? É ele. O único problema é que a auto estima dele é MUITO baixa! Assim como eu, a vida já foi bem dura com ele, principalmente no tocante da gordofobia (estou escrevendo um texto para meu Tumblr, inclusive), minando toda a capacidade dele de se amar e de sentir-se bem com seu corpo. Reparei também que ele é bastante ansioso, e eu busco sempre tranquilizá-lo.
Eu tenho percebido que eu possuo uma necessidade intrínseca de proteger as pessoas. Isso manifesta-se das formas mais sutis, como minha posição nos jogos, como na minha relação com as pessoas, sempre buscando fazer elas sentirem-se bem e muitas vezes ignorando meus próprios problemas.
Voltando ao rapaz que eu conheci: de acordo com ele, eu sou "husband material". Olha, modéstia a parte, eu concordo com ele, eu realmente acho que eu daria um bom namorado/marido, mas a sociedade não está pronta para aceitar um "ursão da porra" como eu. Se eu fosse ficar mais tempo aqui, eu iria investir em algo sério com ele, porém não tenho certeza alguma seu voltarei a esse país no futuro e não quero me comprometer com uma relação a distância, pois tenho certeza que ambos sairemos machucados nessa história. Preferi ser sincero com ele desde o início e avisar para que ele não se apegasse, pois assim poderíamos apenas curtir o momento sem cobranças ou pessoas feridas no final. É triste que infelizmente não poderemos desenvolver nada concreto, mas c'est la vie.
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Desilusão
Não FicçãoEssa história não possui um final feliz. O que se passa na vida de um jovem-adulto que se apaixonou pelo melhor amigo? O desenrolar dessa história será feita com base nos fatos reais da vida desse que vos escreve.
