Miguel
Não sei o que meu querido primo tem na cabeça. Acordo com ele gargalhando em pé ao lado da minha confortável cama segurando um balde. Quando finalmente percebi o que ia acontecer, ele virou o balde em cima de mim me molhando todo. Sério, quem colocou ele como pastor? Esse cara não é certo da cabeça.
-Ah eu te pego seu filho de Nabucodonosor.-Digo me levantando em um pulo correndo atrás dele que já estava saindo pela porta correndo feito um maluco.
-Tem que me alcançar priminho.-Diz ele debochando e desaparecendo escada abaixo.
Reviro os olhos e volto para o quarto bufando. Me ajoelho e agradeço a Deus por mais um dia, é após fazer minhas higienes, desço para almoçar. Dan está na mesa com meus pais e todos estão rindo e já até imagino o porquê.
-Vocês tinham que ver a cara dele quando finalmente percebeu o que eu ia fazer.-Diz ele segurando a barriga.
-Sabia que existe meios mais humanos de se acordar alguém Dan?-Pergunto revirando os olhos.
-Desculpe, mas sua mãe pediu que eu chamasse a Bela adormecida para almoçar e foi o único jeito de fazer você finalmente acordar, já que nada fazia isso.-Responde dando de ombros.
-Bom dia família.-Digo aos meus pais.
-Vamos orar para almoçar.-Diz meu pai e me sento à mesa.
Após a oração que dessa vez quem fez foi a mamãe, nos servimos e almoçamos contando histórias do passado, coisa que nunca gostei muito porquê eu sempre saía o mais prejudicado deles.
Entrei para o meu quarto e estava tocando violão, o que quase ninguém sabia que eu fazia porque eu gostava de ter uma coisa só pra mim dar pra Deus. Após cantar alguns hinos, meu celular vibrou e ao olhar, vi que era uma mensagem de Emily me chamando para ir ao shopping. Desci e encontrei minha mãe lendo um dos meus livros na sala.
-Mãe, Emily quer que eu vá ao shopping com ela. A senhora deixa eu ir?-Perguntei. Tá bom, eu sou bem grandinho, mas se tem uma coisa que eu aprendi, é que enquanto eu viver debaixo do mesmo teto que meus pais, tenho que obedecer a eles, pois se não estaria pecando contra meu Deus.
-Tudo bem filho.-Ela sorri.-Vai com Deus e se cuida viu.
-Amém mãe. Fica com ele.-Digo sorrindo e vou até a garagem.
-Daniel, vou pegar seu carro.-Gritei só pra irritar meu primo e rindo, peguei as chaves que ficava em um local escondido e entrei no carro, saindo rapidamente antes que ele pudesse fazer algo pra me impedir.
Dan ganhou uma Range Rover do meu tio quando fez dezoito pois ele sempre viajava pra festas em igrejas. Meu pai me prometeu me dar qualquer coisa que eu quisesse quando completar dezoito, mas nunca lhe dei uma resposta. Por mais que eu quisesse um carro só pra mim, não queria que meu pai gastasse desnecessariamente comigo.
Ao chegar na casa de Emily, Lucy saí toda sorridente e eu desço pra ajudá-la a subir. Ela vestia um vestido todo estiloso o que fez eu me sentir um mendigo, já que eu estava apenas com calça jeans, camiseta camuflada e all star.
-Oi princesinha.-Sorrio e ela pula em mim abraçando meu pescoço.
-Oi tio Miguel.-Ela me aperta e ao soltar a coloco no banco.-A titia já está vindo.
-Tudo bem. Já me acostumei a esperar as mulheres se arrumar.-Falo e ela solta uma gargalhada.
-Eu ouvi isso.-Emily sai do portão. Me arrependi de não estar dentro do carro. Simplismente travei ao vê-la. Ela está realmente maravilhosa. Meu coração acelera, mas antes que ela perceba, a cumprimento com um beijo em sua mão como naqueles filmes.-Oi Mih. Obrigada por me tirar do tédio eterno.
-Ao seu dispor.-Falo fazendo uma reverência e ela ri.-Vamos?
Abro a porta de passageiro e ajudo ela a entrar indo para meu banco logo em seguida. Não sei o que foi que me deu, mas Lucy percebeu e foi o caminho todo fazendo piadinhas. Não sei porque ela me lembra meu próprio primo. Logo dou um jeito de acabar com o assunto ligando o som onde tocava lindo és. Cantamos junto até chegar no shopping que estava lotado. Claro, é feriado.
-Acho que estou muito simples para entrar aí.-Brinco e Emily gargalha.
-Claro que não tio. O senhor está lindo. Não é verdade tia Emily?-Pergunta Lucy para Emmy que cora bruscamente. Seguro uma risada ao ver ela daquele jeito.
-É-é claro.-Ela responde simplesmente e desce do carro.
-Eu sei que sou maravilhoso.-Me gabo antes que ela feche a porta. Claro que ela revira os olhos ao escutar.
-Eu vou conseguir juntar vocês, o senhor vai ver.-Lucy diz decidida.
-Quem está te ensinando essas coisas baixinha?-Pergunto quando desço e tiro-a de dentro do carro.
-Bom, a tia Cait me ensinou ver quando duas pessoas se amam.-Ela diz e eu solto uma risada.
-As coisas não são bem assim pequena. A gente tem que esperar em Deus, só Ele sabe o que é melhor para nós, é se for da vontade D'Ele que eu e Emily fiquemos juntos, então será.-Explico.
-Mas o senhor gosta dela não é?-Pergunta ela certa de que venceria essa.
-Olha, eu não sei. Faz apenas um dia que nos conhecemos.-Digo e ela abre um sorrisão.
-Eu sei que sim.-Responde e reviro os olhos rindo. Crianças.
-Dá pra irmos logo? Já estou virando árvore aqui.-Dramatiza Emily.-Afinal, o que tanto conversam?
-Estou só combinando com ela um dia para irmos à algum parque.-Digo disfarçando.
-Você acha que é tão simples assim?-Ela cruza os braços enquanto andamos lado a lado.-Primeiro tem que pedir permissão.
-E quem disse que eu não ia pedir?-Revido e ela revira os olhos.
Lucy pega nas nossas mãos ficando no meio, como se fôssemos uma família. Até que não seria tão má idéia. Miguel, pode ir parando por aí. Não deixe uma criança te influenciar.
Foi uma tarde ótima. Fomos nas lojas, sala de jogos, até cinema. Quando finalmente paramos para lanchar, eram quatro e meia. Pedimos hambúrgueres e milk shake. Nos sentamos em uma mesa perto e observei em volta enquanto Emily falava alguma coisa para Lucy. Avistei uma loja de jóias e na vitrine, tinha uma pulseira simples, na verdade, duas, uma pequena e outra grande iguaizinhas.
-Lucy, querida, não podemos comprar hoje. Ainda não comecei trabalhar. Mês que vem eu compro.-Diz Emily e Lucy abaixa a cabeça triste.
-Tá bom.-Diz cabisbaixa.
-Ei, o que a princesinha quer?-Pergunto tentando reanima-la. Como não funciona, Emily responde por ela.
-Aquele urso gigante da loja de brinquedos. Mas já expliquei a ela. Está tudo bem.-Diz ela e concordo com a cabeça.
-Olha, eu tenho que ir naquela loja.-Avisei me levantando.-Conheço uma pessoa que trabalha lá. Já volto.
-Tudo bem.-Ela diz distraidamente.
Vou até a joalharia e compro as duas pulseiras. Não iria dar elas hoje às duas, mas ainda podia dar um presente. Guardo bem as pulseira no bolso e vou até até loja de brinquedos sem que Emily percebesse e compro o enorme urso. Foi difícil andar de volta para a mesa já que o urso era maior que eu, mas ao chegar, fui recompensado com o lindo sorriso de Lucy.
-Obrigada tio.-Ela diz após vários gritinhos de empolgação que me fez rir.
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Uma Vida Consagrada
SpiritualEmily Bittencourt , cristã, focada em fazer a obra de Deus, sofre uma perda. Ela continuará nos caminhos de Deus depois de tudo? Miguel Castro, cristão desde sempre, tem também um amor por Missões, volta para sua cidade natal. Seu sonho é construir...