Ano 2320
O brilho da lua compete com a luminescência do corpo da cidade, as luzes adentram sem um convite através das cortinas azuladas e desgastadas pelo tempo, o conjunto de tecidos balançam conforme o ritmo leve da brisa noturna, o pouco que sobrou da realidade humana. A luminosidade vai de encontro a grande peça mecânica cromada escurecida através de tinta, a flama dá contornos as primeiras engrenagens expostas ao relento, o protótipo de braço humano estende até o ombro, acoplando-se ao interior do corpo, pulmão e duas costelas superiores foram substituídos.
A carne do dorso é enrolada e direcionada ao novo membro metálico, em um apego denso do objeto. O eixo é ligado à extensão, sem qualquer aspecto humano aparente, é pálido e gelado. Quem quer que tenha desenhado a peça não desejava dar continuidade à aparência humana ao garoto, preocupado com a semelhança do homem com a máquina. Pelo contrário, o criador parecia ter uma espécie de amor pela imagem frígida e chumbada nas laterais.
Jungkook dorme tranquilamente na cama de aço fundido ao chão, contudo o silêncio é rompido abruptamente por passos estridentes no andar superior da casa. Jeon é acordado do seu precioso sono, uma voz agitada ecoa pelas paredes do quarto do rapaz. Yoongi.
Yoongi parece excitado com algo que Jungkook não entendeu de imediato. Pois, o garoto ciborgue tenta abafar os sons com o travesseiro, ele pressiona o rosto ao ponto de a respiração ficar rala. Nada adiantou e isso o irritou mais ainda.
Em momentos raros de pausas entre as incursões, Jungkook mantinha o hábito de tentar dormir um pouco mais do que quatro horas em dois dias de viagens que faziam.
— Filho da puta — O resmungo estala junto da língua no céu da boca com o idioma materno de Aeranas, uma pequena vila no Sudoeste da fronteira Belvão.
Ele aperta a manta grossa até os nós dos dedos ficarem brancos, em um pulo, Jungkook já estava sentado na cama.
Cogitando seriamente na ideia de matar o melhor amigo e vender os ossos aos sepultadores — senhores andarilhos canibais — ou talvez expor o corpo do mais velho ao sol da meia noite. Jungkook arremessou o cobertor para longe do corpo, em passos largos, andou em direção as escadas em espiral de metal completamente arranhado pelas botas grossas de viagem; ao lado comporta uma mesa de tampo largo na sala de estar, espaço de oito cadeiras em um aperto com a bagunça que Taehyung espalhava por todos os andares pelo seu hábito de constantemente fazia manutenção das pernas.
Jungkook passou pela porta, não tardando para encontrar o albino encarando fascinando os telões dispostos pela sala toda. Jeon segue o foco da atenção do melhor amigo, um mapa holográfico no centro do ambiente tem ponto de marcações feitos pelo albino. Tais anotações determinavam pontos locais longe de onde tinha conhecimento geográfico. Mais localizações aparecem e somem conforme o computador contabiliza os dados coletados. Contudo, apenas uma marcação em específico permaneceu e ampliou sobre a área.
— Yoongi, aconteceu alguma coisa? — Jeon finalmente quebra o silêncio ao se aproximar mais do mapa quase translúcido. Ele amplia a marcação com os dedos. O único pensamento que pairou a mente do garoto semelhante a um tiro era em torno da única nave que faltava na contagem. Taehyung caiu com a nave? O pensamento negativo escapou dos lábios de Jeon, em uma pergunta levemente alta e aguda de preocupação.
Em um grito nada contido, Yoongi quase deixou a tela escapar da mão e quebrar-se em centenas de pedaços coloridos. Yoongi não estava que o mais novo aparecesse subitamente durante a madrugada.
— Porra! Não apareça assim de repente como se fosse um natimorto. Merda, não — estalando a língua no céu da boca, Yoongi balança as mãos para o alto — Taehyung não caiu com a nave. E muito menos foi abatido, felizmente.
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Year 2326
Fanfiction"Muitos cresceram vendo a humanidade se fundir com a tecnologia, tornando uma coisa só. Pois ela é a base da vida, mantendo todos vivos em uma realidade de reconstrução e perigos, rastros da Grande Guerra que ceifou quase ⅔ das pessoas. . A nova soc...
