O padrasto o expulsou de casa
A mãe nem o defendeu
Talvez tivesse vergonha de ter um filho de pulsos cortados
Ou talvez tudo tivesse começado muito antes
quando ele disse que gostava de meninos
A mãe chorava
mas não significava nada
Ele saiu com a mochila nas costas
Sabia que os vizinhos estavam cochichando
espiando pelas frestas das janelas
Talvez depois eles até fossem reconfortar sua mãe
Dizendo coisas como:
"Sinto muito por seu filho ter nascido com problemas"
A medicina nesse período histórico consistia em terapia de choque
Ele já havia passado por isso
Odiou seu padrasto por tê-lo colocado lá
A mercê de doutores loucos e enfermeiras caladas
Fugiu no instante em que pôde
Mas aquela não foi a única vez que tentaram consertá-lo
Não se importar não diminuía a dor
Ou talvez sentisse dor porque no fundo se importava
No fundo ele queria poder sorrir
Dormir e acordar ao lado de alguém que amava
Mas ele aprendeu a gostar da tristeza,
até que era reconfortante
Mas prometeu a si mesmo que nunca mas ia chorar
Ele foi embora
Atravessou o país de carona em carona
Arranjou emprego em uma loja de discos qualquer
Encontrou um cara com quem quisesse ficar
Eles trocaram histórias
E então ele foi se esquecendo da tristeza
Mas ele não conseguia mais sonhar,
porque não conseguia mais dormir
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Letras e Estrelas
PoesíaEla não sabia como reagir a elogios E levava as críticas muito a sério Não chorava quando estava triste Mas chorava sempre que ficava com raiva Era um poço de emoções Já disseram a ela que era algo ruim ser assim Guardar tantas coisas esperando o...
