Capítulo 4 - UM MALDITO PESADELO

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Kobalde estava deitado, revirando o corpo de um lado ao outro da cama. Estava mergulhado num pesadelo horrível, no qual alguém o caçava como um bicho prestes a ser abatido.

Ele corria desesperadamente no meio de uma floresta, a escuridão da noite e a neblina branca se descortinando como um lençol imenso à frente de seus olhos.

Mas o pesadelo de Kobalde não havia começado assim. Havia se iniciado como um belo e bom sonho.

Ele estava de pé, parado ao lado de um cavalo marrom-escuro.

O vento frio que corria por ali envolvia o seu corpo e roçava delicadamente o seu cabelo e a folhagem seca e quebradiça que havia no local era deslocada por brisas que as carregava para longe.

Enquanto o vento arrastava as folhas secas no chão lamacento que parecia decorrente de uma chuva, Kobalde permanecia parado ao lado daquele cavalo, até o momento em que um desconhecido senhor surgia do nada e...

Ele havia se tornado um rapaz crescido, um jovem-adulto de dezenove anos.

Tornara-se um homem alto, com músculos definidos devido aos exercícios físicos que fazia, pele esbranquiçada e lábios avermelhados. O cabelo preto era curto, com fios que pendiam sobre os olhos castanho-claros e orelhas que pareciam visivelmente pontudas.

Todas as vezes que Kobalde acordava após os pesadelos, ficava cismado com o que via enquanto dormia.

Sentia-se encurralado, como se um turbilhão de emoções e descobertas quisessem pegá-lo de surpresa.

Tentava suportar os pesadelos, sozinho, sem sequer tentar dividi-los com outras pessoas, nem mesmo com a própria mãe.

Mas tudo era seriamente insuportável, e Kobalde talvez não resistisse por muito tempo. Logo chegaria o momento em que descarregaria tudo para alguém, e essa pessoa com certeza seria Iduna.

Todos os seus pesadelos pareciam exatamente iguais, assustadores até mesmo para um adulto.

Havia inicialmente em todos eles um senhor necessariamente bonzinho.

Mas à medida que o pesadelo decorria, o homem se tornava frio, mostrava-se um senhor violento.

Os pesadelos começavam com Kobalde andando no meio de várias árvores, e a única coisa que ele conseguia enxergar além de uma fina neblina, era um penhasco que se colocava a poucos metros de distância.

Estava sempre de pé, ao lado de um cavalo.

Decorriam-se alguns instantes e via um senhor surgir do nada, envolto em tecido branco que brilhava, sem nem ao menos haver luz que o fizesse alumiar.

Ficava com os olhos petrificados na imagem estupefaciente daquele senhor, porém o brilho chamativo tornava-se ainda mais rapidamente em escuridão, trevas, e a única coisa que Kobalde conseguia focar depois disso eram olhos vermelho-faiscantes.

Mesmo compreendendo que pudesse, talvez, estar no meio de uma brincadeira com o seu subconsciente, ele não conseguia acordar, ainda que fizesse um esforço gigantesco para isso.

Fechava os olhos com força, apertando-os intensamente na face.

Fazia isso várias vezes, e quando se cansava, abria os olhos e observava o senhor parado bem próximo de si.

Assustava-se subitamente, o que o fazia dar um ou dois passos para trás, e em seguida observava o velho com cuidado.

"O que é você? Quem é você?", perguntava ele atrapalhado.

Fronteiras do Mundo Antigo: CaçadoOnde histórias criam vida. Descubra agora