Capítulo 3

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  III





Um furgão ultra desconfortável levou o interno ao famigerado presídio. Após uns 40 minutos dentro dum cubículo apertadíssimo e escuro, enfim chegou ao destino. Ao desembarcar na Casa de Custódia de Curitiba, teve que tirar a roupa outra vez. Guardas lhe entregaram uniforme laranjado, junto com uma sacola com um kit contendo sabonete, toalha, camiseta, fronha, escova de dentes, barbeador, pasta de dentes, cobertor, lençol, travesseiro e colchão.



Um agente penitenciário perguntou:



— Qual é o seu nome e a data de nascimento?



— Tá tudo aí no prontuário. — respondeu Ramiro secamente.



— Que desgraçado! Ainda por cima não tem nenhuma foto no prontuário desse ladrão.



Passaram uns cinco minutos e um agente veio com uma câmera digital para catalogar o interno.



— Vamos, interno! Encoste as costas na parede. — Gritou o agente.



Ramiro esboçou obediência, mas não resistiu à fúria: desferiu um pontapé certeiro na maldita câmera, quebrando-a em mil pedaços. Logo depois, adivinhe, levou outra surra.



Após a reprimenda física, foi levado para uma galeria com estilo futurístico, onde não havia grades, e sim acrílico transparente de alto impacto e portas de aço. Era por volta de 2006, e não fazia muitos anos que aquele presídio tinha sido inaugurado.



O réu, agora chamado de interno, ficou impressionado. Nem parecia terceiro mundo. Todos os presos estavam com uniforme laranja, e os próprios internos fechavam as portas das celas quando solicitados por alto-falante. A arquitetura do presídio era estilo norte-americano, só que na cela que originalmente era pra dois, a arquitetura tupiniquim "espremeu" fazendo caber cinco detentos. Na cela havia uma pia de aço inox emendada com um vaso sanitário também do mesmo material. O espaço era apertado: 2 metros e meio de comprimento por dois e meio de largura. No fundo os presos tinham a visão de duas janelas estreitas de acrílico de alto impacto e, acima, próxima ao teto, uma pequena abertura para ventilação. A porta da cela abria com comando eletrônico a partir da sala de controle de segurança. Esta sala era revestida de acrílico de alto impacto onde um agente abria as portas de todas as celas das três galerias do presídio, com 36 celas cada.



A porta era de aço com uma pequena janelinha de acrílico com uma abertura abaixo para que os alimentos e correspondências fossem entregues. A sala de controle só não conseguia fechar a porta. Os presos tinham o dever de fechar a porta quando solicitados. A cela, quando estava fechada, não poderia em hipótese alguma ser aberta sem que isso fosse percebido pelo painel eletrônico da sala de controle. Havia câmeras de vídeo de segurança por todo os lados. No passado só havia uma falha de segurança: a ausência de muro. Mas após uma fuga bem sucedida promovida em 2005, foi construído um muro muito alto com guardas "armados até os dentes". A fuga ocorreu por causa de um grupo de criminosos destemidos que cortaram os alambrados em volta. Os bandidos arrebatadores trocaram tiros com os guardas e quebraram algumas paredes de celas com marretadas... Mas isso é outro fato. O que importa é que depois do muro e da colocação de cabos de aço suspensos, para impedir aterrissagem de helicópteros, a Casa de Custódia tornou-se uma fortaleza anti-fuga. A CCC, como era conhecida, também era à prova de rebelião, por causa do sistema de abertura de portas.



Ramiro ficou sozinho numa cela com quatro camas de concreto. A porta ficou aberta depois que ele entrou. No alto falante o guarda falou:



O réu, agora chamado de interno, ficou impressionado. Nem parecia terceiro mundo. Todos os presos estavam com uniforme laranja, e os próprios internos fechavam as portas das celas quando solicitados por alto-falante. A arquitetura do presídio era estilo norte-americano, só que no lugar que originalmente era pra dois, a arquitetura tupiniquim "espremeu" fazendo caber cinco detentos. Na cela havia uma pia de aço inox emendada com um vaso sanitário também do mesmo material. O espaço era apertado: 2 metros e pouco de comprimento por dois de largura. No fundo os presos tinham a visão de duas janelas estreitas de acrílico de alto impacto e, acima, próxima ao teto, uma pequena abertura para ventilação. A porta da cela abria com comando eletrônico a partir da sala de controle de segurança. Esta sala era revestida de acrílico de alto impacto onde um agente abria as portas de todas as celas das três galerias do presídio, com 36 celas cada.



A porta era de aço com uma pequena janelinha de acrílico com uma abertura abaixo para que os alimentos e correspondências fossem entregues. A sala de controle só não conseguia fechar a porta. Os presos tinham o dever de fechar a porta quando solicitados. A cela, quando estava fechada, não poderia em hipótese alguma ser aberta sem que isso fosse percebido pelo painel eletrônico da sala de controle. Havia câmeras de vídeo de segurança por todo os lados. No passado só havia uma falha de segurança: a ausência de muro. Mas após uma fuga bem sucedida promovida em 2005, foi construído um muro muito alto com guardas "armados até os dentes". A fuga ocorreu por causa de um grupo de criminosos destemidos que cortaram os alambrados em volta. Os bandidos arrebatadores trocaram tiros com os guardas e quebraram algumas paredes de celas com marretadas... Mas isso é outro fato. O que importa é que depois do muro e da colocação de cabos de aço suspensos, para impedir aterrissagem de helicópteros, a Casa de Custódia tornou-se uma fortaleza anti-fuga. A CCC, como era conhecida, também era à prova de rebelião, por causa do sistema de abertura de portas.



Ramiro ficou sozinho numa cela com quatro camas de concreto. A porta ficou aberta depois que ele entrou. No alto falante o guarda falou:



— Atenção interno da cela 206, favor fechar a porta!



Depois ouvia-se uma campainha com som de aeroporto: "Ding-dong".



— Atenção interno da cela 206, feche a porta agora!



Um preso que trabalhava na faxina gritou:



— Ô mano! Aqui a gente é obrigado a fechar a porta, faz favor, coopere!



— Se eles quiserem me dar outra surra, é tudo com eles! — respondeu Ramiro.



– Mas irmão, o sistema na "CCC" é assim, todos os presos tem que fechar a porta, por que é que você tem que ser diferente? – retrucou o preso da faxina.



— Irmão, não leve a mal, mas eu não sou carcereiro, sou preso! Eles é que fechem, se eles quiserem me botar no castigo, "demorou"!



Todos os presos da faxina tiveram que se recolher para o agente penitenciário entrar e fechar a porta da cela do Ramiro.



O novo interno era um estranho no ninho, não cedia às pressões de maneira alguma. Permanecia calado, sozinho, só saía para tomar banho de chuveiro. Os chuveiros ficavam fora da cela. Não tinham torneira. A ducha era controlada pela torre de controle. O banho durava três minutos apenas. Era água fria.


Um Réu DiferenteOnde histórias criam vida. Descubra agora