Cap. 10 - Sombras do Passado

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– Eu amo você, professorinha (digo, sem querer).

     Ela me olha assustada, e entendo o que acabei de dizer.

– Você... O quê?

POV Anie

[•••]

     Ela realmente disse que me ama.

     Eu estou feliz com isso?

     Me sinto uma adolescente boba.

Ela é a porra de uma adolescente – meu subconsciente diz.

     Será que você pode me deixar em paz?

Você não quer se deixar em paz — ele responde.

     Observo ela, deitada no meu peito. Embora sempre pareça dominante, na verdade, Letícia é muito sensível.

°•°•°••

— Você... O quê?

— Desculpa! Eu não quis dizer isso... Só... Não faz de novo.

     A beijo. Um beijo suave e calmo.

— Não precisa se desculpar, tá? Acho que é melhor a gente tentar dormir. Amanhã cedo preparo um café antes de irmos.

— Não sei se é uma boa ideia (ela responde, acho que ficou chateada).

— Você... Não quer dormir comigo? (pergunto, e uma angústia incomoda meu estômago)

— Eu só... Não sei. Vou tomar um banho, tá?

— Claro, fica a vontade.

     Ela tomou o banho e eu fumei um cigarro enquanto ouvia o chuveiro. As palavras dela ecoavam na minha cabeça. A expressão dela quando não respondi... Não sei o que sentir. Algo me parece errado.

°•°•°••

     Droga, eu não sou assim. Não consegui dormir, ficava com a expressão dela na minha cabeça. Me fez refletir sobre como ela realmente é muito nova, e tão ingênua. Ela me faz tremer como se a adolescente fosse eu, mas eu não sou. Sou a adulta. Sou eu quem devo impor limites, e se eu ficar só deixando as coisas acontecerem, vou magoar ela de qualquer maneira. Eu não quero isso.

Ela nem deve te amar de verdade, pode ser apenas a paixonite pela professora. Todo adolescente acaba passando por isso, cedo ou tarde. – meu subconsciente tenta me acalmar com paranóias.

     Ah, que ótimo então, né? Eu super quero ser a paixonite de uma garota de 17 anos que além de ter 17 anos, é também a minha aluna. Que coisa incrível.

     Acho que vou levantar pra comer. Olho no relógio em cima da lareira. 05:40.

Vai fazer comida em plenas 05:40 da manhã? Que fim de carreira. – meu subconsciente debocha.

     Você pode calar a boca agora.

     Saio com todo o cuidado dos braços quentes da senhora Gomes. A varanda ainda estava com as portas abertas. O vento frio bateu na minha pele, me dando um leve choque térmico. Por um momento repenso se devo mesmo ir cozinhar algo. Observo o rosto da senhora Gomes novamente enquanto ela dorme. Ela é linda. Acho que nunca vi ela com uma expressão tão calma e em paz assim. O cabelo curto dela, com algumas mechas da franja fazendo sombra para o rosto dela. Aquele brilho frio e azulado da manhã no rosto dela, me acalma tanto. Os cílios dela são enormes. A boca dela é linda também, bem desenhada e grossa. Todo o rosto dela com traços suaves que aquecem o coração e fazem cócegas na alma. Ela dá um suspiro profundo, sussurrando algo que não consigo entender direito. Molhando os lábios com a língua e depois voltando a dormir normalmente.

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⏰ Última atualização: Oct 02, 2024 ⏰

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