Cap.01: A Nova Professora De Português

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[POV: Letícia]

– Letícia! Levanta! Você vai se atrasar! (Consegui ouvir ela gritar, à distância) E nem vai dar tempo de tomar café...

     Meus olhos ainda estavam fechados, a cama estava super confortável e eu não estava nem um pouco afim de me levantar. Mas finalmente, abro os olhos.

– Já vou! (Respondi em um único suspiro)

     É um processo. Me sento na cama, analiso meu quarto - que aliás precisa de uma bela limpeza - e vejo meu uniforme, já separado em cima da minha cadeira. A bolsa, pendurada na parte de trás da porta, junto com casacos e camisas xadrez. Depois, olho no espelho.

    Cabelos curtos, que também preciso aparar, olhos castanhos e com olheiras, boca rosada. Analisei meu rosto ao acordar e confesso que eu mesma não gostaria de acordar do meu lado. Credo.

    Depois de minutos refletindo sobre absolutamente nada, me levanto. Abro as cortinas da varanda do meu quarto, e de relance, consigo ver uma morena saindo da dela, depois de estender uma toalha. Pensei que esse apartamento, em frente à minha varanda, estivesse vazio, talvez estivesse há alguns meses. Acontece, né. Recolho a minha toalha, que havia estendido ontem à noite e me direciono ao banho.

[•••]

– É bom você não estar gazeando aulas, dona Letícia! Já basta os problemas que você me dá, se houver reclamações escolares, o conselho tutelar vai vir de novo e aí já sabe né? Seu pai vai vir com paus e pedras pra cima de mim e...

– Sim, mãe. Já sei. Não estou gazeando aula nenhuma, podemos tomar um café da manhã normal? (Pergunto, enquanto preparo meu Nescau)

– É só porque me preocupo. Sua escolha sexual já pode te dar problemas o suficientes e...

– Já vi que não vai dar (digo, levantando da mesa, e tomando em um gole o copo de Nescau que havia preparado). Vou ir com a Heloísa e já deu meu horário, até mais tarde.

    Ela provavelmente falou mais algumas coisas, mas ignorei. Saindo de casa, depois de fechar a porta, respirei fundo. Agora as coisas vão melhorar, pelo menos por hoje.

    Bati na porta vizinha, onde minha melhor amiga morava. Heloísa era uma garota inteligente, a mais inteligente do nosso grupo de amigos. Consegui ouvir os passos e depois a tranca sendo desfeita.

– Bom dia? (Ela pergunta, rindo) Que cara é essa? Parece que todo mundo resolveu vir aqui hoje (ela diz sorrindo e logo depois, entra pelo corredor). Fica à vontade, Leh. Fecha a porta quando entrar.

    Entro e consigo ouvir a voz do resto do grupo de amigos. Me sinto traída, não fui avisada de nenhum encontro antes do inferno da sala de aula.

– Leh! Que bom que chegou! Pensei que só íamos te ver quando estivéssemos indo! (Nick, meu amigo, magro e alto de óculos e estilo do clássico nerdola diz)

– Podiam, por exemplo, mandar uma mensagem dizendo "a gente tá aqui na Helo, vem aquii", mas tudo bem. Que bom que tá feliz de me ver.

– Dramática (Isabelle, uma garota linda, de cabelos longos lisos e pretos - mesma cor dos seus olhos - e uma pele branquíssima que ficaria linda marcada, finge um espirro, tentando parecer irônica).

    Dou uma risada cínica.

– Enfim, vamos? Minha mãe tava me enchendo o saco sobre as minhas presenças escolares.

– Você sabe que a Helo carrega a gente nas costas com as notas dos trabalhos em grupo, né? (Emilly brinca)

– Eu ouvi isso! (Helo responde da cozinha) E não é nada justo!

A Professora [REEDITADA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora