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Jimin

Eu adorava jogar Mário Kart com meu pai Chung e meu irmão Hoseok, acabávamos nos entupindo de pizza e conversando sobre tudo. E um dia eles me surpreenderam.

- O que está rolando entre você e.. Kim Taehyung? - Hobi me perguntou deixando o controle de lado.

- Como assim? Nada - Juro que sorri de nervoso.

- Tudo bem então - Falou voltando a atenção para o jogo.

- Porque você achou isso?

- Por nada, é que você fala nele o tempo inteiro.

- Eu falo? - Perguntei fazendo Hobi balançar a cabeça positivamente - Eu não sei, acho que é o sorriso dele, os olhos, ou as orelhinhas de abano - Sorri ao pensar nele.

- E ele em relação a você? - Indagou me fazendo voltar para realidade.

- O que? - Questionei franzindo o cenho.

- Você tem que olhar como um todo.

- Como assim?

- Seu irmão quer dizer pra você não se prender apenas a detalhes, tem que olhar toda a paisagem - Appa explicou.

Eu não entendi muito bem o que eles estavam querendo dizer, até uma tarde, quando eu subi na cerejeira.

Estava recolhendo uma pipa, que prendera entre os galhos no alto, mais alto do que já estive. E quanto mais eu subia, mais incrível ficava a vista.

Eu comecei a notar como a brisa cheirava bem, comecei a notar a luz do sol e a grama. Não parava de respirar, enchendo os pulmões com o cheiro mais doce que já senti.

Isso me remetia ao tempo em que vinha aqui com meu avô Yon, antes dele ser hospitalizado em uma clínica psiquiátrica por ter pequenos surtos após a morte da vovó.

- Você achou a pipa do meu primo - Ao olhar pra baixo avistei Taehyung.

- Tae, você precisa subir aqui, a vista é tão linda - Sorri embevecido.

- Eu não posso, e-eu torci.. eu tô com urticaria - Desconversou me fazendo revirar os olhos com a sua desculpa.

De ali em diante aquele virou o meu lugar. Eu sentava ali por horas, só olhando para o mundo.

Em alguns dias o pôr do sol era roxo e rosa, em outros dias era uma chama laranja, incendiando as nuvens no horizonte.

Foi durante um pôr do sol desses, que a idéia do meu pai e do meu irmão de olhar as coisas como um todo passou da mente para o meu coração.

Em alguns dias eu acordava mais cedo para ver o nascer do sol, uma vez eu estava observando como as faixas de coloração rosa e laranja atravessavam as nuvens, quando eu ouvi um barulho lá em baixo.

- Licença, mas vocês não podem estacionar, aqui é um ponto de ônibus - Falei para os homens que pararam os carros ao lado da árvore.

- O que pensa que está fazendo aí em cima? Não pode ficar aí, nós vamos derrubar essa coisa - Um deles se pronunciou.

- A árvore? - Perguntei me agarrando ao tronco.

- É, desce daí - Ordenou

- Mas quem mandou vocês derrubarem?

- O dono.

- Por que?

- Porque ele vai construir uma casa e a árvore está no caminho. Vamos, temos que trabalhar - Apressou impaciente.

- Vocês não podem derrubar - Agarrei o tronco com mais firmeza.

- Olha garoto, eu estou quase chamando a polícia. Você está invadindo e obstruindo o processo de um trabalho contratado. Ou desce, ou nós derrubamos você - Ameaçou ligando a cerra elétrica.

- Então me derruba, porque eu não vou descer - Senti as lágrimas se formarem no canto dos meus olhos.

Vi que os estudantes chegavam e entre eles Kim Taehyung.

- Taehyung, suba aqui, todos vocês, eles não vão derrubar com a gente aqui - Pedi mas fui ignorado pelas pessoas que já subiam no ônibus - TaeTae por favor - Implorei e chorei ao vê-lo entrar no ônibus e seguir rumo ao colégio.

Depois daquilo, tudo ficou confuso. Parecia que a cidade toda estava lá, mas eu não ia descer, estava determinado, até que meu pai apareceu me tirando da árvore, não fiquei com raiva dele, sei que fez isso para minha própria segurança.

Mas isso não me impediu de chorar, é claro que eu fui a escola e tentei fazer o meu melhor que eu pude, mas de certa forma logaritmos e funções não eram tão importantes.

Eu andava de bicicleta para não ter que passar pelo toco que antes era a cerejeira mais magnífica da terra, e uma das únicas lembranças que tive com meu avô.

Não importava o que eu fizesse, eu não parava de pensar nela.

Eu acordei uma manhã, pensando no dia em que meu olhar sobre as coisas começou a mudar, então pensei:
Será que eu ainda sentia as mesmas coisas por Tae?

Flipped | vminOnde histórias criam vida. Descubra agora