Lembranças

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                                                                                     ANTES
(ouçam com a música)

Eu estava sentada, fitando a parede branca enquanto o médico lia minha ficha de novo, eu rolo os olhos cansada enquanto passo a mão em meu rosto devagar. De novo eu estou aqui, eu podia ouvir a voz dos meus pais conversando com aquele homem de cabeça branca irritante. 

-Como podemos salvar nossa filha? - dizia minha mãe, eu ri fraco e limpo algumas lagrimas me levantando com força 

-Eu não preciso dessa merda toda, passar bem -disse pegando meu casaco com força enquanto saia dali ignorando os gritos deles e de alguns seguranças atrás de mim.Eu não estava louca, muito menos com o demônio em meu corpo, era apenas eu. Amélia Stuart uma garota de Utah, de cabelos castanhos, e um vício em cigarros. O segurança colocou sua mão em meu ombro e eu respirei 

-Você precisa voltar, criança. -eu respirei mais uma vez, eu não era mais criança.

-Você que precisa me soltar, agora! -disse, e me virei pra ele. Ele apertou mais forte, eu me lembro de gritar bem alto enquanto a terra tremia e meus olhos ardiam em lágrimas. Lembro de sua mão começar a apodrecer e ao me encarar ele começar a se debater e cair aos meus pés. Depois, uma forte dor aguda em meu pescoço e eu me senti apagar batendo contra o corpo decomposto do guarda. Eu acordei algumas horas depois amarrada, dessa vez eu não estava no Hospital Psiquiatra, era uma igreja. Eu me debato com força gritando tentando sair, meus pais e um padre apareceram - ME SOLTEM!

-É pro seu bem, querida -disse minha mãe com lagrimas e eu a fito 

-VOCÊ NÃO PASSA DE UMA PUTA DE UMA VADIA -grito enquanto ofegava sentindo a igreja começar a tremer, o padre se afastou e eu me fitei no espelho. Meus olhos estavam negros, o cheiro de podridão começou a encher os pães, os vinhos, e as frutas que estavam no altar. O calor de minhas mãos começou a se alastrar até as cordas enquanto elas eram queimadas e eu fico de de fitando eles ofegante

- ELA É O MAL -gritava meu pai, eu sinto meus olhos começarem mais uma a escorrerem lágrimas. Eu sempre odiei chorar, aquilo me machucava por fora, o rastro que ele deixava em minha pele fez um corte em meu rosto e eu grito e meu corpo é tomado pelas chamas e eu levo a mão em minha cabeça.

                                                                        TRÊS HORAS DEPOIS

O cheiro era horrivel, abri devagar os olhos enquanto via o céu limpido. Eu me sento tirando aquelas cinzas de cima de mim, eu olhei pro lado e gritei vendo o corpo deles. Queimados, eu me levanto e sai correndo pra qualquer lugar. Foi nesse dia, que eu jamais consegui me perdoar, é. Talvez eu estivesse amaldiçoada mesmo.

                                                                                 TEMPO PRESENTE 

Eu olhava a enorme porta a minha frente, eu respiro fundo e entro junto a um agente realmente desagradavel, abaixei meu cigarro devagar observando as pessoas, mutantes, monstros. Mais a frente havia um homem de cabelos levemente enrolados brancos, usava uma roupa adequada e tinha uma bengala.Ele me esperava

-Você deve ser Amélia, sou Trevor Bruttenholm -ele estendeu a mão, eu a segurei com o cigarro na boca sorrindo fraco 

-Vocês não tinham ninguem mais legal do que esse velho bebado ? -arqueio a sobrancelha 

-Meu nome é tom pirralha.

-Eu não perguntei -disse, e segui o trevor. Acho que ele era professor, ele abriu uma porta estilo biblioteca. Lá havia um enorme aquário. Eu me aproximo devagar e solto a fumaça no vidro e me assusto quando um homem/peixe apareceu -Okay..

-Sou o Abe, Abe sapien e você deve ser a Amélia -ele colocou a mão no vidro a minha frente - Você gosta de gatos, fuma dois maços por dia, tem uma boa saúde o que é impressionante.

-Mas como.. -eu abaixo o cigarro o fitando e o professor fica ao meu lado 

-Abe, tem a habilidade de ver o outro. Com um simples toque ele sabe tudo sobre você, e se quiser ele consegue lhe passar o que está vendo. Quer ver seu quarto? -ele sorriu docil. Eu gostei dele, fomos andando até uma porta de ferro. Ele a abriu devagar, e antes de entrarmos aquele tom estava do nosso lado 

-Ele não gosta de companheiros -eu apenas revirei os olhos e entramos, lá saiu um homem do banheiro vermelho com chifres e eu solto a fumaça devagar

-Quem é essa? -disse ele

-Essa é sua nova parceira, Amélia Stuart.

-Eu já disse que eu trabalho sozinho - ele disse se sentando ligando a TV, eu apago o cigarro na parede e pego um de seus chocolates comendo -Não mexe no que não é seu ! -ele disse indo tirar o chocolate de mim e eu o fito 

-Aqui não ta o seu nome, tá? -disse terminando de comer e limpo a boca devagar 

-Eles vão se dar bem, são identicos -disse tom rindo ironico, eu o fito 

-Ah claro, eu sou vermelha e ele uma garota - ri baixo acendendo mais um cigarro. com o isqueiro, não iria demonstrar meus poderes em um lugar fechado. -Afinal -solto a fumaça - qual é o seu nome ?

-Hellboy -ele disse colocando um sobretudo, com cara de poucos amigos 

-Vermelho é melhor - disse rindo a tragada do cigarro e solo ela - okay então eu vou ser sua colega de quarto/ ajudante. Vamos ter que nós dar bem -digo e me sento em uma cama jogando as pernas em cima de suas revistas e sorri com um gato em cima da minha barriga e eu brinco com ele 

-Não me chama de vermelho, tira os pés da minha revista, e devolva o meu gato -ele empurra meus pés e pega o gatinho e eu reviro os olhos fumando 

-Idiota vermelho - digo o fitando e ri baixo, quando o mesmo se virou pra mim e uma sirene soou, o abe entrou e disse

-Se arrumem.

Falling Down - Hellboy Onde histórias criam vida. Descubra agora