– Deixa eles aí. – Melly interrompe. – Vamos lá pro bar.
Os dois saem me olhando com ódio. E ver quem eu mais amo, me
olhando daquela maneira, simplesmente me destrói. Capoto no sofá.
Jélly senta ao meu lado e questiona, tirando o cabelo dos meus olhos.
– Por que você faz isso Be? – Fico em silêncio, apenas olhando para o
teto. – Já está na hora de esquecê–la, não acha?
– Eu tento todos os dias.
– Olha em volta. Veja quanta garota está afim de você. Dê uma oportunidade
pra elas.
É quando me dá um estalo em minha cabeça, meu coração começa a
acelerar, a ponta dos meus dedos treme, primeiro penso que é pira das drogas,
mas nunca senti isso. Levanto imediatamente e corro pro bar do Olimpo.
– O que foi, Bernardo? – Jélly grita preocupada com minha atitude.
Melly e Jorge não estão lá, vou pra fora d Casa de shows e chego a
tempo de ver tudo.
– Você não passa de uma piranha!
– Para com isso, Jorge! – Melly tenta acalmá–lo, segurando em seu braço.
– Não encosta em mim! – Ele a empurra e acerta um tapa em sua face.
Não sei como chego até ele, mas o puxo pela jaqueta e ao se virar, ele
arregala os olhos, tomando um susto em me ver ali. Um soco, carregado
com toda minha raiva acerta a cara do maldito, nunca senti tanto prazer
em bater em alguém. O filho da puta desaba e logo todos seus amiguinhos
vêm pra cima de mim. Uma multidão surge lá fora, todos pra assistir
a briga que muitos previam.
– Tá maluco? – Grita um deles. – Cê tá morto agora!
– Ninguém vai encostar um dedo nele! – Marcão grita e tenta me segurar
ao mesmo tempo, que sem pensar queria ir pra cima e quebrar, ou
pelo menos tentar, a cara de todos eles.
Jorge se levanta, com a cara coberta de sangue, eu abri um corte na
sobrancelha dele. E isso me abre um sorriso de orelha a orelha. O covarde
então tira da cintura uma pistola e aponta em minha direção.
– Sai da frente, Marcos! – Ele grita, enquanto todo mundo em volta
começa a se afastar e berrar desesperado. – Essa bala é pra ele.
Marcos fica paralisado, e eu pulo pra frente dele.
– Vai, cara! – Grito chegando mais perto. – Senta o dedo nessa porra!
Covarde dos infernos.
Jorge me olha nos olhos, nunca tinha esperado tanto daquele merdinha,
não consigo acreditar no fato de que um cara desses ia me matar.
– Tá esperando o que? Atira!
– Para com isso! Não atira não! – A multidão grita desesperada. – Alguém
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A Epifania de Bernardo
ActionA Epifania de Bernardo é um livro para quem busca algo diferente nas narrativas e não foi feito pensado para um público específico, mas ousou na mistura de linguagens, estilos e gêneros. Tendo como referências Frank Miller, Admirável Mundo Novo e N...
