Nunca fui um cara com paciência. Esse é, sem dúvidas, um dos meus piores defeitos.
E sabe de uma coisa? Não estou nem aí para mudar.
Defeitos são humanos. Talvez eu tenha vindo com alguns a mais do que deveria.
Nesse exato momento, estou me controlando para não gritar com a Magrela.
Ruby é ciumenta sem nenhum motivo real. E, às vezes, provar para ela que é tudo pra mim se torna uma tarefa impossível.
— Só quero saber quem é a porra dessa mulher que você carrega na carteira, Travis. — Ela bate a mão na mesa da sala.
— Não é ninguém importante. — minto, desviando o olhar da fotografia já desbotada. A imagem quase se apaga, embranquecendo. Está na hora de trocar por outra.
— Já que não é importante, por que ela está na sua carteira? — A morena arqueia a sobrancelha. Observo como fica gostosa apenas com uma das minhas cuecas e um sutiã vermelho.
Adoro quando os cachos bagunçados dela parecem um ninho perfeito.
— É do Treton. — Dou de ombros.
A Magrela respira fundo, encara mais uma vez a foto e depois a joga no sofá.
— É bom mesmo, Travis. Não sei o que meu namorado quer com foto de mulher na carteira.
— E eu não sei o que a minha Magrela quer discutindo comigo enquanto poderíamos estar transando. — Provoco.
Ela morde os lábios. Existem apenas duas formas de acalmar Ruby: transando loucamente com ela ou enchendo a boca dela de comida.
Prefiro sempre a primeira opção.
Ela vem devagar, manhosa, e eu a envolvo até que nossas cinturas encontrem o encaixe perfeito.
Mordo seus lábios carnudos e estremeço quando suas unhas descem pelas minhas costas, arranhando tudo no caminho. Ergo seu corpo, e ela automaticamente prende as pernas em mim.
Levo Ruby grudada em mim até o quarto. Seus gemidos se tornam música nos meus ouvidos, embalando nossos sentidos.
— Amo você, The Monio. — sussurra antes de cair sobre meu peito, exausta.
— Também te amo, Ruby. — beijo sua testa, passando os dedos pelos cachos até que ela adormeça tranquila.
《☆》☆《☆》☆《☆》
Meus dedos latejam. O suor escorre, encharcando a camiseta, mas não consigo parar.
A cada soco no saco de pancadas, descarrego a porra de toda a minha vida.
O ódio pulsa evidente em cada golpe.
As faixas que cobriam minhas mãos já estão no chão. Quando percebo o sol nascendo pela janela, travo os movimentos e apenas observo os raios atravessando o vidro.
Mais um dia colorido para um corpo cinza como o meu.
— Veio cedo hoje, Travis. — Jones, meu treinador, analisa minha postura. — Qual foi o problema?
— Não consigo dormir. — engulo seco. — E estou com raiva.
— Já teve algum dia na vida que você não sentiu raiva? — Sua risada ecoa pelo ginásio.
Balanço a cabeça em negação, voltando a socar o saco.
— Tem que se tratar, garoto das trevas.
— Não existe tratamento pra mim, Jones. Só se eu morrer e nascer de novo. — Minha mente lateja, pesada.
— Você não tem...
Viro bruscamente na direção dele, e ele cala a boca. Odeio esse discurso clichê de quem acha que pode me consertar.
Eu sei dos meus erros. Eu sei que sou culpado. Não preciso que ninguém me lembre.
— É melhor eu ir. — Pego as faixas do chão. Jones permanece em silêncio, me observando. Então saio dali.
No carro, músicas aleatórias tocam no som. Não presto atenção na letra, apenas na batida.
Uma das mãos cuida do volante; a outra segura o cigarro que trago fundo.
Ruby sempre briga com meu vício, mas o cigarro é meu antidepressivo. Talvez seja impossível parar.
De longe, vejo os cachos acastanhados dela descendo pelos ombros enquanto manobra um carro na entrada da loja.
Quando Ruby sai, está com salto alto e uma roupa fodidamente sensual.
E tudo que consigo imaginar é quantas formas eu poderia foder com ela bem ali, no capô.
Paro o carro em frente. Ela se assusta, mas logo revira os olhos.
— Atrasado, garotão. — se apoia na janela. Suas unhas deslizam pelo meu braço até o queixo. — Já falei que não quero você fumando, The Monio.
— Já falei que odeio obedecer regras, Magrela. — Pisco. Ela sorri baixinho. — Sabia que você tá gostosa pra caralho?
Com um movimento rápido, Ruby invade o carro, pega o cigarro da minha mão e o joga pela outra janela.
— Não esquece, Trevoso. Nesse tabuleiro, quem vence é a rainha. — sussurra no meu ouvido, passando a língua.
Puta que pariu.
Ela sorri maliciosa, os olhos descendo para minhas pernas. É engraçado como só de olhar ela já me deixa duro.
— É aquilo, Magrela... conseguiu levantar, vai ter que sentar. — Seguro firme nos cachos dela, aproximando nossos lábios. — Vontade de te comer aqui e agora.
— Ah, é? — toca minha boca rapidamente. — Não vejo nada que nos impeça.
Sorrimos. Essa sim é minha rainha de cachos.
— Entra. Agora. — ordeno.
Ela olha para trás e cai na risada.
— Querendo transar em horário de serviço, Trevoso?
Vejo Yan encostado, braços cruzados, nos encarando.
— A propósito, Ruby... que rabão esplêndido. — Treton solta, e lanço um olhar mortal. Ele não está nem aí.
— Seus empata-foda do caralho! — bato no volante. Os três riem da minha cara.
Ruby prende os cabelos em um coque bagunçado e entra rebolando na loja.
— Ei, Trevoso, temos assuntos importantes pra tratar. — Yan fala quando ela some.
— Odeio suspense. — saio do carro, batendo a porta com força. A frustração sexual me consome.
— E eu odeio enrolação. Mas, dessa vez, é você quem vai ter que resolver. — Yan afirma, e entendo de imediato.
— Por que o Treton não vai? Vocês sabem que...
— Não aguento mais ir lá, Travis. Dessa vez é você. — Treton me corta, firme.
A angústia me invade. O passado está batendo na porta. Eu sabia que uma hora a vida ia me cobrar.
— Está na hora de parar de correr dos seus medos. Você é um Blake, garoto. — Yan bate em meu ombro.
Congelo por um instante.
Ainda não estou pronto.
Mas, no fundo, sei que nunca vou estar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Black Rose
ChickLitTravis Blake é misterioso e surpreendente perfeito, garoto de atitude que por trás de sua jaqueta de couro guarda um passado triste e pesado que deixou tatuado como uma rosa negra em seu corpo Deixando se libertar através da luta, Travis manteve du...
