A angústia momentânea passou assim que Treton acertou com força o taco de beisebol, arremessando a pequena bola tão longe que nem sequer deu tempo de raciocinar como iriam pegá-la.
Pude ver minha Magrela torcer feito louca, vibrando, tentando animar Treton, que corria com facilidade pelo campo, vencendo o jogo mais uma vez.
O garoto é talentoso. Como todo Blake, nasceu pra ser campeão da porra toda. Não nego meu orgulho quando o assunto é ele. Pode ser um merda às vezes, mas quando quer... sabe ser o melhor.
— Garotão, acho que me deve vinte dólares. — A voz da Magrela invade meus pensamentos. Meus olhos descem para os cachos que caem pelas costas da garota mais linda do mundo.
— É mesmo? — arqueio a sobrancelha. — Não lembro de ter apostado nada.
Ruby vem até mim, pousa a mão no meu rosto e acaricia meu queixo. Meus olhos param em seus lábios volumosos, que se movem provocando minha mente e meu corpo.
— Ah, pois eu me lembro maravilhosamente bem, Trevoso. — Encosta a boca na minha, mordendo meu lábio com força. — É bom ser homem e me pagar a porra da aposta.
— Hmm... — cerco sua cintura com meus braços, colando seu corpo no meu. — Bravinha... — Aproximo a boca do seu rosto. — E se eu não quiser pagar?
— Então você quer do jeito difícil? — Ruby passa a língua pelos lábios. — Como quiser, garotão. Você sabe como eu sou malvada quando quero.
— Uh... e é essa malvada que eu adoro, gostosa do caralho.
Ela me surpreende, colando seus lábios nos meus. Um beijo intenso se inicia. Minhas mãos passeiam pelo corpo dela, e minha boca se entrega à dela.
Posso sentir cada parte de mim implorar para ter Ruby por cima, em perfeita sintonia. Um breve gemido escapa dos meus lábios só de imaginar as possíveis coisas que já fiz — e as milhares que ainda quero fazer com ela.
— Vocês vão ser presos por atos libidinosos em plena rua, caralho! — Yan derrama uma garrafinha d'água em nós dois.
— Porra, Yan! — resmunga a Magrela, com a cara toda vermelha.
— Fodido, quase molhou meu celular, bicho chato da porra! — tiro o aparelho do bolso e seco em um pedaço da camiseta.
— Vocês dois são nojentos. Casal "ânsia de vômito". — Yan dá de ombros.
— Por que você não vai transar também? — encaro o desgraçado e sorrio, maldoso. — Ah, lembrei... May não quer.
— Só porque não tô transando não significa que devo aturar a porra de vocês dois! — A Magrela ri e amarra os cachos ainda úmidos.
— Yan vai voltar pra fase de punheteiro. — caio na risada, e ele me acerta um murro no ombro.
— Qual é, mano? Não me faz quebrar tua mãozinha, que você vai precisar usar mais tarde.
O ódio transparece nos olhos de Yan. Antes que ele comece a despejar todos os xingamentos do mundo, Treton aparece, encharcado de cerveja.
— Não perturbem o pobre do Yan. — ri, olhando pra cara de puto dele. — Ele é só mais um soldado que utiliza meios naturais pra sua satisfação.
— Ah, vão se foder, seus merdinhas! — Yan se afasta, bravo. E claro, nós três morremos de rir. Se tem coisa melhor do que brincar, é zoar alguém que esquenta rápido.
— Trevoso, cê sabe que amanhã ele vai querer estourar nossas bolas, né? — Treton segura a risada.
— É por isso que temos duas bolas. — dou de ombros. — Bom jogo, garoto. Você foi bem.
— Eu sei, eu sei. — Ele ergue a camiseta, exibindo-se.
《☆》☆《☆》☆《☆》☆《☆》
A vida é surpreendente. Algumas coisas acontecem do nada, sem motivo algum... mas podem ferrar ou salvar sua vida.
No meu caso, não há mais nada a ser salvo.
Já vivi demais. Cometi milhares de erros. Nascer foi o menor deles. Continuar vivo é, até hoje, o maior erro de todos.
Tenho noção de que o ser humano é falho, e que erros podem ser redimidos.
Espero, um dia, conseguir o perdão de quem já feri.
Mas quanto aos que me feriram... o único perdão que ofereço vem com sentença: a morte.
— Você sabe como vai ser, não sabe? — Treton se senta ao meu lado na arquibancada já vazia. Ruby foi pra casa da May, e combinamos de nos encontrar todos no Annie's depois.
— Sei. — respondo, olhando em volta, vendo o campo esvaziar. — Sinceramente, não quero ir outra vez.
— Ela sente sua falta, irmão. — Ele toca meu ombro. — Você sabe disso. Precisa parar de correr do passado.
— Não estou correndo do passado. — abaixo a cabeça, observando meus sapatos. — Tenho meus motivos.
— Todos temos. Mas isso não significa fraqueza. — Treton dá de ombros. — Foi você quem me ensinou a não fugir de quem eu sou. Então não fuja de você mesmo.
Me mantenho em silêncio. Ele levanta e vai embora.
E eu fico com meus fantasmas, sabendo que eles vão me perseguir até o fim da vida.
Queira eu ou não, está na hora de levantar e agir.
Minutos se passam. Agora estou tragando um cigarro, encostado no carro, antes de entrar no Annie's. Pela janela, vejo todos lá dentro, rindo e comemorando.
Mas eu não. Hoje não é dia de comemorar. Hoje é dia de desaparecer outra vez.
Deixo o cigarro cair dos dedos e o piso, apagando a chama. Respiro fundo. Com passos lentos, ajeito o isqueiro no bolso da jaqueta velha e empurro a porta do Annie's.
— Atrasado como sempre, garotão. — Magrela ri. — Pedi uma cerveja pra você.
— Quero um whisky, sem gelo. — Ela me encara, dá de ombros e chama o garçom.
— Chegou, putinho. — Yan ri. Levanto o dedo do meio.
— Trevoso, tá trevosinho, ui ui. — Treton solta a piada de sempre.
Fecho os olhos, tentando me convencer de que o único errado aqui sou eu.
— Só não enche, porra. — resmungo. Ruby senta ao meu lado, beija meu rosto, e eu rio da atitude dela. May diz algo que arranca gargalhadas gerais, mas ignoro. Só quero minha menina.
— Aqui está seu whisky, rapaz. — A garçonete, bonita, sorri ao me servir. Ruby arqueia a sobrancelha. A liberdade da garota é evidente, mas eu não dou importância.
Até perceber tarde demais: o copo de whisky voa, respingando no rosto da garçonete. Ruby, inclinada sobre a mesa, encara a garota com ódio.
— Está servido pra você também, sua piranha. — A voz da Magrela ecoa, e o silêncio domina o lugar.
— Você é louca! Eu só estou trabalhando! — a garçonete rebate.
— Ah, então prostituição agora é trabalho secundário seu? — Ruby põe a mão na cintura. — Só não te arrebento inteira porque, além de puta, você é burra. E não ouse mais colocar seu número de contato pra caras comprometidos. Se ousar, mando teu nome direto pro necrotério.
— Me desculpa, eu não sabia... — a garçonete tenta se defender, sonsa.
Observo minha pequena leoa em ação. E, de fato, o guardanapo com o contato da garota está na mesa.
— Pode deixar seu número comigo, bebê. — Treton provoca, rindo.
Ruby lança um olhar que poderia matar um exército inteiro.
— Juro por Deus, Treton, que você vai junto se não calar a boca. — Ela se senta ao meu lado novamente. — E você, garota... volta a trabalhar, senão vou conversar com seu gerente.
— Nem culpo ela tanto assim. — provoco, sorrindo. — Sou gostoso demais.
— É, eu sei. Do mesmo jeito que sou gostosa, e sempre tem macho em cima. — rebate. — E olha, Trevoso... pensa num deserto do Saara que sou pro teu caminhãozinho aguentar.
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Black Rose
Chick-LitTravis Blake é misterioso e surpreendente perfeito, garoto de atitude que por trás de sua jaqueta de couro guarda um passado triste e pesado que deixou tatuado como uma rosa negra em seu corpo Deixando se libertar através da luta, Travis manteve du...
