Dois meses depois, eu já estava recuperada. Me movimentava bem e estava me sentindo emocionalmente melhor.
Eu nem preciso dizer que o Luc veio me ver todos os dias, né? Ele está sendo tão atencioso, tão agradável e tão maravilhoso comigo que nem sei como retribuir.
Eu realmente estou me apaixonando cada vez mais por ele. Mas, tenho muito medo de estragar a nossa amizade.
Caso eu me declarasse e ele não sentisse o mesmo por mim, eu iria sofrer, mas, eu melhoraria e voltaria a tratá-lo da mesma forma de antes. Porém, se ele não fosse maduro como eu nesse sentido, teríamos um problema. Eu, de verdade, não quero perder a amizade dele.
Eu toco a campanhia da casa da Stella e espero até que ela atenda. Sim, eu estava na casa da pessoa que, possivelmente, revelou o meu namoro secreto para minha mãe.
Eu não poderia deixar de agradecer por ela ter me traído. Até porque, isso fez com que eu me aproximasse mais do Luc e, convenhamos, estabelecer uma amizade com ele seria impossível se eu ainda namorasse o Aaron.
--Marjorie ?! - Stella estava com uma feição estranha, uma mistura de surpresa, confusão e irritação.
--Ah, oi Stella! Eu estava passando pelas redondezas e resolvi te fazer uma visitinha - Mentira. Vim exclusivamente para falar com ela -- Já que você não foi me ver, imaginei que teria acontecido alguma coisa.
--Oh, sobre isso.. An.. - Ela estava pensando em uma desculpa --Eu tinha um trabalho para fazer, sabe como é -Eu a conhecia tão bem.
--Tudo bem. É claro que eu entendo. Aliás, você poderia me passar os conteúdos desses dois meses? Eu sei que será muita coisa, mas estou decidida a colocar tudo em dia -Adentro a casa dela sem pedir e vou subindo as escadas para o quarto dela --Vamos? Eu pego os assuntos e já vou, tenho um compromisso mais tarde.
--Sabe Marjorie, é ruim fazer as coisas na pressa. Pode ir, você tem um compromisso e eu posso te mandar fotos do meu caderno por mensagem - Ela estava querendo que eu fosse embora? Stella estava escondendo algo, o jeito que ela me olhava, suplicando para que eu saisse da casa dela.
--Stella! Por foto é muito ruim, você sabe como eu sou no whatsapp... toda desligada.
Entro no quarto dela e entendo tudo.
Aaron.
Semi nu.
Na cama dela.--Eu posso te explicar Marjorie, por favor - Ela juntou as mãos na altura da boca e eu posso até estar enganada, mas acho que vi uma lágrima. Pura encenação.
--Ah, entendi. Não queria atrapalhar vocês - Ela podia ser uma ótima atriz. Mas, eu era muito melhor.
--Por favor, não é o que você está pensando.
--Tel, gatinha, é exatamente o que ela está pensado - Aaron abre a boca pela primeira vez desde que eu entrei no quarto, e eu preferia-o antes.
--Ai gente, vai ser rápido tá. Stella, onde está seu caderno? Eu posso levar ele? Vai ficar melhor para eu copiar - Eu comecei a andar pelo quarto passando a mão nos móveis sem ter a mínima noção de onde estava aquele bendito caderno.
--Está aqui - Ela pega o caderno que estava em cima da escrivaninha. Um ótimo lugar para deixar um caderno, como eu não pensei nisso antes?
--Obrigada viu, por tudo.
--Por nada, é só um caderno. Você pode me entregar na segunda.
--Certo, desculpe novamente por atrapalhar vocês.
Saio do quarto dela de cabeça erguida e caminho em direção à porta de entrada da mesma forma.
Virei a esquina.
Desabei. Lágrimas e mais lágrimas.
Eu ainda amava o Aaron. Muitos vão me achar uma idiota, babaca, mal amada e carente. E eu sou. Mas, ninguém manda no coração. Vê-lo, depois de tudo, me machucou por dentro e vê-lo assim com ela, me matou.
Eu não conseguia controlar as minhas lágrimas. Sentei no banco mais próximo e fiquei ali por cerca de 2 horas. Talvez, se eu estivesse em um filme, o amor da minha vida apareceria, me abraçaria, me ajudaria a superar a dor da rejeição enquanto falava frases inspiradoras e engraçadas para me tirar da fossa. Entretanto, a vida real está aqui para esfregar na nossa cara que isso nunca irá acontecer, muito menos comigo.
Agradeci a ela e, com tudo, eu me referia a tudo que ela me fez de ruim que, de alguma forma, me fez ser a mulher que eu sou hoje.
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--Obrigada! Você também está linda - Elogiei a Madá e ela pareceu feliz com a minha presença, apesar de ser corriqueira.
--Mãe, vamos logo estou com fome - Luc estava, como sempre, lindo e esfomeado.
--Até parece que eu não dou comida para esse menino. Vamos logo, chato.
Sentados na mesa, começamos a colocar nossos pratos e a conversar sobre como foi o nosso dia. Ótimo assunto para iniciar um jantar.
--Hoje eu fiz baliza! E fiz muito bem, diga-se de passagem. Aliás, eu faço tudo muito bem não seria diferente dessa vez - Luc fazia cara de deboche e eu ria com tudo que ele falava. Ele estava fazendo auto-escola e estava muito feliz. Vivia dizendo que iria me levar para dar um rolê.
--Que bom. Fico feliz por você, meu filho! E você Jo? - Poxa Madá, tinha que me perguntar isso mesmo?
--Eu não fiz baliza hoje - Eu desviada do assunto e falava as coisas mais sem-noção que eu pensava na hora.
--Não, querida - Ela ri, pelo menos achou graça - Como foi o seu dia? Não tenha vergonha - Ela disse inocentemente, dando a entender que sabia que o meu dia tinha sido normal e que eu estava apenas brincando.
--Eu vi meu ex-namorado transando com a minha ex-melhor amiga. Não no ato, mas com certeza ja tinha acontecido ou eles apenas estavam esperando eu sair. Mas, de resto, foi normal.
Bom, isso foi o que eu me imaginei dizendo. Na verdade, o que saiu da minha boca foi:
--Ah Tia, foi normal. Fiz algumas atividades da escola, dormi, comi... Nada fora do normal. Nadinha.
--O meu foi assim também. É tão bom ter a sexta de folga que eu sinto como se o fim de semana tivesse 3 dias.
--Que bom, Madá. Fico feliz por você.
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Frágil
Ficción GeneralMarjorie, uma garota que nos auge dos seus 16 anos descobre portar uma doença rara e grave. A Ataxia Hereditária é uma doença que afeta principalmente os ossos, fazendo com que a pessoa que contém essa doença perca os movimentos do corpo, perca gra...