|Como eu te conheci|

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Como te conheci

Não vou dizer como todo o clichê que foi amor á primeira vista. Também não vou dizer que imaginava que teríamos um futuro juntos, um casamento por exemplo. Também não vou dizer que já imaginava que fôssemos ao menos conversar um dia.

Foi por isso que entendi o ditado que dizia que o amor vinha para quem estava distraído.

[...]

Minha rotina era exaustiva e tediosa. Eu acordava de manhã, tomava café, minha mãe acorda me da um beijo no rosto e um bom dia, pego o mesmo busão faz três anos, sim, três anos. Sento-me no mesmo banco de sempre, o do meio que fica no canto da janela. Observo a mesma paisagem, sempre ouvindo música no fone de ouvido. Observo pessoas, pessoas que vem e vão naquele lugar, exceto Naomi. Uma garota da cabelos curto, bochechas vermelhas e olhos negros, aqueles olhos...

É claro que naquela época eu não a conhecia de jeito nenhum, mas ela sempre estava lá, lendo um livro sentada de lado, ouvindo música pelos fones, de vez em quando olhava ao redor, colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha e depois voltava a ler.
Ela nunca descia no mesmo ponto que eu, mas eu sempre tive curiosidade por onde ela ia ou o que se passava na mente dela.
Não que eu fosse um louco. Mas para mim ela era incrivelmente interessante.

O problema era, em um lugar com tantas pessoas á minha volta eu só tinha olhos para você.
Eu não sei o que você fez para eu estar tão louco assim por você desde que nos conhecemos, tem algo em você que me faz querer descobrir o porquê.

Eu me odiava por nunca ter a mínima coragem de te dar um 'oi', sinceramente. É que eu achei que você fosse demais pra mim.
Todos os dias eu imaginava uma cena diferente de como chegar em você, talvez perguntasse o que estava lendo, ou até mesmo um 'oi', e até se caso seus livros caíssem eu a ajudasse. Cada uma dessas maneiras não se encaixavam comigo, e eu sei que com você também não, amor.
Eu sabia o livro que lia, Crepúsculo, era o que estava na moda na época. Não queria te atrapalhar dizendo um 'oi', e depois disso o que eu diria?
Seus livros nunca caíram do nada e eu te ajudaria olhando no fundo dos seus olhos e nossas mãos se tocariam e assim nos apaixonamos e vivemos felizes para sempre.

Então eu deixava pra lá, continuava observando a paisagem pela janela, tinha aceitado há muito tempo que a sorte chamada amor não servia pra mim e sim para outras pessoas. Você.

Chegava na escola, colegas á minha espera, sim, colegas falsos podemos-se dizer.
Ficávamos em grupo e sempre que alguém chegava, mandava um "eae cara", pegava no saco um do outro e zoava. Meio infantil mas a realidade é essa.
As aulas... puta merda, as aulas. Os professores chatos que perdiam tempo brigando e os outros que nem ao menos falavam nada. As garotas lindas que ficam com caras babacas, os garotos legais que são apaixonados pelas garotas lindas, por final, sozinhos, iludidos e não correspondidos.

Acabavam as aulas, arrumava minhas coisas e ia até a cafeteria. Ficava sentado lá pensando no que faria daquia alguns anos ou até mesmo dias. Por final, ainda não fiz nada.
Pegava o busão novamente para ir ao trabalho, e lá estava Naomi de novo, ela sempre aparecia e parecia invisível diante a todos.
E mais uma vez ela nunca desce no mesmo ponto que eu.

Eu trabalho numa livraria, um pouco longe de casa. Lá é o único lugar em que me sinto realmente bem, tenho alguns amigos lá, meu melhor amigo era o Frederik, nossas conversas nunca podiam faltar alguma risada ou piada. Pra ele eu contava tudo, meus dias bons e ruins, minhas paixões que nunca deram certo e as vergonhas que eu passava,( a melhor parte).

Chego em casa á noite, as luzes estão todas apagadas, a única acesa é a da cozinha, minha mãe sempre soube que chego aquele horário e vou direto comer alguma coisa. Meu pai sempre está lá também tomando um café, todos os dias ele me da um conselho diferente sobre o amor, contava como conheceu minha mãe, e como ela era quando tinham 15 anos, o shampoo que ela usava e que tinha um cheiro maravilhoso. Sempre achei interessante o amor que ele sentia pela minha mãe, aquela chama nunca apagava e nada abalava.
Termino de comer, dou um boa noite ao meu pai, apago a luz, subo as escadas e vou direto para o quarto. Ligo a TV num canal que esteja passando casos de investigação discovery. Pego o celular, desbloqueio á tela, leio as mensagens, respondo algumas e depois caiu no sono.

Mas eu mau sabia que aquilo era apenas o começo de uma história que eu nem a menos pensei que fosse acontecer.

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Dozentos Dias Sem ElaOnde histórias criam vida. Descubra agora