Não tinhamos noção de que horas eram, mas sabiamos que estava amanhecendo, o banheiro feminino parecia mais claro apesar do silencio, Paulo analisava o material que estava na mala de Luís Washington (o cientista que se passou por um cidadão chamado Rodolfo), Laura (a criança que estava com a senhora) estava dormido no colo de Maria. Depois de ter lido todo aquele caderno de registros do farmaceutico, voltei ao meu estado de deprimido ao lado de Jéssica.
_Linda era tão inocente, eu nem pude fazer nada! Se eu não tivesse ido naquele bar!
_Por favor se acalme - Jéssica tentou me acalmar - mesmo que estivesse em casa, ela já havia tomado o remédio - não conseguiu.
Eu não disse nada, estava sendo consumido pelos meus pensamentos.
_Agora temos que acabar com aquela que está solta pela rodoviária, ela pode ser a chave para resolver esse problema!
Maria finalmente falou algo.
_Se esse registro estiver certo, vocês podem facilmente matá-la com um tiro, e se ela estiver com fome, vai comer o primeiro que aparecer, incluindo mulheres. Então se elas comem um homem inteiro, não devem ter uma fome fácil de saciar apenas com pedaços do corpo, isso pode se tornar um problema para todos nós.
Ficamos impressionados que a primeira coisa que ela falou foi algo bem conclusivo.
_Nossa! isso faz sentido, de acordo com o que vimos até agora. Mas como vamos fazer? Não é mais seguro sair e tentar falar com ela depois do que aconteceu.
_Nunca foi seguro! - retruquei de raiva.
Jéssica não disse nada.
Paulo correu rapidamente à privada, do nada começou a vomitar. Fui ver o que estava acontecendo com ele.
_Ei cara, você está bem?
Ele continuava a vomitar sem parar, mas agora, vomitava sangue!
_O que tá acontecendo?! - Jéssica veio checar.
Ele se virou e me jogou no chão, estava extremamente pálido, não falava nada, mas soltava alguns grunidos entranhos. Ele tentou me morder, segurei sua cabeça o afastando. Laura e Maria gritavam e choravam. Jéssica veio e o chutou para o lado.
_Que merda é essa Paulo?
Ele novamente não respondeu, mas se levantou e começou a vir em nossa direção.
Jéssica começou atirou em Paulo, mas ele não pareceu sentir nada. Ele estava muito perto, certamente iria me matar.
_Mire na cabeça! - Maria gritou.
Quando Paulo iria me morder, Jéssica o atingiu na testa e ele finalmente caiu. Seu sangue escorria por todo o chão do banheiro, o silêncio predominou aquele lugar novamente, Laura e Maria estavam se contendo de fazer barulho, já que isso poderia atrair a outra. Eu olhava ao redor, minha respiração estava ofegante, não conseguia pensar direito, dei um soco na parede.
_Droga! Isso nunca acaba! Quando nós vamos poder parar de matar as pessoas que nós gostamos!
_Rick por favor se acalma.
_Não peça para que eu me acalme, minha mulher, meu filho e meus dois amigos morreram, só falta eu agora!
Sai correndo do banheiro, indo em direção à entrada da rodoviária, gritando o mais alto que podia.
_Sua aberração do inferno! Você me quer! Então vem aqui me pegar!
Jéssica me seguia.
_Pare Rick!
Ignorei como se não fosse nada.
_Vem aqui me pegar! Sua vadia! Apareça!
Ela finalmente apareceu, estava vindo dos fundos da rodoviária, estava coberta de sangue, se aproximava devagar. Com minhas próprias mãos, comecei a puxar as tabúas que travavam a porta.
_Vamos resolver isso de uma vez por todas
Quando chegou mais perto, notei que ela estava segurando algo. Era a cabeça decapitada do cientistas Luís Washington.
_Parece que você comeu seu aperitivo, agora deixa eu te servir o prato principal!
Arranquei o último pedaço de tábua da porta, dava para ver que tinha alguns pregos nela. Jéssica mirou sua arma na mulher. Click! Estava sem munição.
_Era só o que faltava me faltava!
Comecei a ir em direção dela do monstro.
_Jéssica, não interfira! Eu vou acabar com isso tudo agora!
Ia correndo em direção a ela com o pedaço de tábua e pregos. A mulher de repente desmaiou.
...
_Mas o que aconteceu? - Questionei.
No chão a mulher falava algo bem baixo, pelo o que eu conseguia ouvir, parecia estar reclamando de dor de cabeça.
_Ai, minha cabeça dói muito - ela olhou para nós - quem são vocês? onde estou? E... por que estou suja desse jeito!?
Estava confuso, isso era um blefe? Não podia confiar nela, iria me aproximar e acabar com ela, só precisava de um golpe forte na cabeça.
_Rick, olha isso aqui!
Jéssica abriu a porta, deixando os raios de sol entrarem no lugar, lá fora haviam variás pessoas, na maioria mulheres, algumas se perguntavam ou perguntavam a outra pessoa, o que está acontecendo ou porque não se lembravam de nada.
Laura e Maria apareceram do nosso lado, elas foram em direção a uma moça que estava por ali no meio, Laura correu até ela chorando e dizendo.
_Mamãe!
Ela foi recebida por um abraço.
Olhavamos em volta, haviam vários corpos de homens e mulheres espalhados pelas ruas ensanguentadas, provavelmente tentaram se canibalizar. As pessoas pareciam estar curadas, para mim seria um acontecimento guardado em minha mente, até o dia que eu morresse. Contamos tudo para os sobreviventes, inclusive sobre o Luís e o Woman Cicle, lógico que a maioria não acreditou, mas era só olhar todos aqueles corpos na rua, e o fato de grande parte dos sobreviventes serem mulheres. A notícia se espalhou, a história foi confirmada por cidades vizinhas que relataram terem sido invadidas por aquelas coisas. O governo militar de outras cidades se uniram para conter o ataque das mulheres que haviam tomado o remédio, alguns e relataram ter visto homens entre elas. No laboratório de Luís Washington só foram encontrados metade dos medicamentos, porém essa parcela foi analisada. Foi divulgado no jornal no dia seguinte dizendo que aquele medicamento era um vírus que alterava os padrões hormonais do ser humano podendo modificar membros, orgãos e até mesmo o sangue. Baseado no HIV, o woman cicle estava em constante mutação, no estágio inicial o efeito durava algumas horas como presenciamos, mas conforme o tempo, ele evoluia, ficava cada vez mais forte, e se tornava cada vez mais contagioso, se não fosse coletado a tempo, poderia contaminar aquela população inteira. Tudo parecia ter acabado bem por alí, mas... para onde teria ido à outra metade do medicamento?
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Possuídas: O Início
HorrorNuma noite, Rick volta para casa e encontra seu filho morto por sua mulher que estava agindo de forma estranha, ele descobre que não era só ela que agia assim, cabe a ele agora sobreviver das mulheres que perseguirão todos os homens que ainda vivem.