Capítulo -4 Chara

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 Sai sentindo meu corpo formigar de ódio e raiva. Fui em disparada correndo com toda a minhas forças até a nossa tenda, gritando a plenos pulmões até sentir minha garganta arder e me ajoelhei no chão o esmurrado sentindo meus dedos começarem a sangrar.  Meus olhos queimavam. 

 -DESGRAÇADO!  O ÚNICO MONSTRO AQUI É VOCÊ!  OQUE VOCÊ FEZ COM MINHA MÃE?! VOCÊ NUNCA MAIS VAI TOCAR EM MIM!  FILHO DE UMA VAGABUNDA!! DEMÔNIO! -colocava tudo que tinha pra falar para fora socando o chão. 

 Tudo, tudo oque aquele desgraçado já fez passa a se repitir na minha cabeça, meu ódio só crescia me queimando por dentro. 

 Escutei um soluço e suspirar, levantei meus olhos pronta para descontar o meu ódio em quem fosse, mas vi Frisk na entrada da tenda ela parecia assustada e perdida com o rosto molhado de lágrimas. 

 -Chara? - ela me chamou com a voz trêmula. 

Não consegui desfazer minha cara de ódio, e nem me fazer acalmar. Tudo que minha alma pedia era o sangue do rei derramado. 

 Ela veio até mim devagar como se eu fosse um bicho selvagem, e isso me irritou ainda mais. Ela deu um passo para trás e olhou ao redor da tenda procurando algo. Me levantei esperando que ela fosse bater algo em mim, se ela fizesse, eu iria revidar. 

 Mas Frisk pegou um espelho e apontou para mim. 

-Chara, oque esta acontecendo com seus olhos?  -ela disse determinada chegando mais perto agora de mim. 

Sem entender oque ela ela dizia, olhei meus olhos no espelho,  me assustei e fiquei paralisada por um momento. Meus olhos que sempre foram de um castanho avermelhado, agora estavam tão vermelhos que parecia duas manchas de sangue vivo. 

 A surpresa de ver aquela imagem no espelho, me destraiu e pisquei algumas vezes vendo aos poucos o castanho voltar ao seu lugar. 

Olhei para Frisk e desabei em choro me sentando no chão olhando minhas mãos banhadas de sangue e machucados. 

-O que...  Oque foi ... -murmirei sentindo todo o ódio deixar meu corpo e ficando tremores no lugar. 

Frisk vem e me abraça se sentando do meu lado. 

Ficamos um bom tempo ali, até as duas não estarem chorando mais. 

-Entendo agora o porque de você odiar tanto o pap-...Quero dezer, o rei Gregory. -ela se corrigiu parecendo estar ofendida com ela mesma. 

 Ri sem humor olhando minhas mãos. 

-Esse é só um dos malditos motivos. 

Frisk me olhou preucupada, ela fica calada por um bom tempo, então ela desvia o olhar. 

 -Quer me contar?  -ela disse se levantando e pegando algumas faichas para colocar na minhas mãos, logo sentando na minha frente e pegando minhas mãos com cuidado. 

Suspirei pesado olhando ela cuidar das minhas mãos com carinho. 

-Bem você sabe que nunca fui uma mocinha  ou uma bonequinha fofa. -comecei, ela concordou com a cabeça sem tirar os olhos da minha mão que infaxava- Então a dois anos atrás, o rei em uma noite me chamou depois do jantar para conversar. Ele exigiu que eu foce mais delicada, e me proibiu de usar as minhas causas ou ir aos treinos da Guarda. Eu me recusei. Mas então ele... -suspirei sentindo nojo daquela história- Então ele disse que ia me mostrar como uma menina deve se comportar. Ele.. Ele me forçou a deitar com ele naquela noite. 

Olhei para o teto da tenta mordendo a boca para não me encher do ódio e nojo de mim mesma como tantas vezes já fiz. 

Frisk me olhou perplexa. 

-Chara...  Meu Deus! -os olhos dela lagrimejaram- Eu.. Eu.  Você devia ter me contado oque aquele monstro tinha feito! Desculpa por tentar fazer você se aproximar dele. -Frisk disse choramingando ja terminando de colocar as faixas em mim e logo se jogou em mim me abraçando. 

Apenas suspirei como resposta movimentando os dedos com cuidado,  por conta dos machucados,  ao devolver o abraço. 

Logo nos separamos com Frisk fungando, e eu com a boca com gosto amargo de ódio, nojo, e um pouco de sangue de tanto morder os lábios. 

Vi o espelho ali do meu lado e o olhei levando a mão até meus olhos. 

-Mas e aquilo?  Meus olhos tinham cor de sangue. -disse em voz baixa para mudar de assunto e mudar o clima pesado, qualquer assunto é melhor que o anterior. 

Frisk deu de ombros secando os olhos. 

-Talvez você seja uma bruxa. -ela disse sem animo, mas pensativa. 

-Não, já vi como os bruxos fazer, e não é assim. E se eu foce você também não deveria ser? 

-Não, não é ereditario, é tudo treino intenso com um bruxo superior.-ela parou um pouco pensando- É, não é bruxaria, se não você estaria cansada e iria parecer mais velha. A alma gasta muita energia para fazer algo quê não foi criada pra fazer,  como usar magia. Sabia que muitos bruxos não passam dos 19 anos?  Ele com essa idade já estão incrivelmente velhos na aparência. 

Dei uma risadinha. 

-É, não sou uma bruxa. Onde você descobriu isso tudo?  -perguntei curiosa. 

 -Eu lia alguns livros do rei sobre os humanos e bruxos. -ela deu de ombros- Mas oque você fez nunca vi em nem um deles. 

-Ótimo, sou uma aberração. -disse olhando para o teto. 

 Ficamos um tempo calada pensando. 

-Espera, e si... -Frisk falou em voz alta -Talvez você seja mesmo uma aberração! -ela falou animada.

-Uau ajudou muito. -disse fazendo careta. 

-Não, desculpa. E porque você me fez pensar em algo. Esse você tiver algo em comum com os monstro?  

Olhei para o nada pensando, e por fim dei de ombros. 

-Hum, sei lá. Mas você também não teria que ter algo também, afinal você é minha irmã gêmea. 

Frisk me olhou com cara de quem desistiu e se jogou para trás suspirando. 

Passo a mão pelos cabelos, uma mania que peguei quando estou nervosa. 

-Acho que vou dormir um pouco mesmo sendo dia, aliás paredes de caverna não são muito confortável, e talvez quando acordar não esteja doendo tanto.  - disse mostrando minhas mãos e depois me levantando com os músculos reclamando um pouco e me joguei em minha cama. 

-Concordo. Fassa isso. Enquanto isso vou pesquisar mais para ver oque foi com seus olhos. -Frisk se levantou, limpou a sai preta que usava deis da noite passada e colocou o rosto de "princesa perfeita". 

Sorri de lado a olhando. 

-Determinada como sempre quando o assunto é algo que quer. -comentei em voz alta. 

Ela sorri de orelha a orelha para mim. 

-Sempre minha irmã. 

Então ela se virou e saiu da tenda com a cabeça erguida. 

Sem muita demora dormi como uma pedra  por conta do cansaço dos músculos, parecia que tinha treinado o dia todo

L.O.V.EOnde histórias criam vida. Descubra agora