41. A felicidade é efêmera

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Quando Paolo me procurou hoje pela manhã na empresa estranhei, porque ele sempre teve verdadeiro horror do lugar, dizia que aquilo tudo dava ânsia e que nasceu para ser livre

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Quando Paolo me procurou hoje pela manhã na empresa estranhei, porque ele sempre teve verdadeiro horror do lugar, dizia que aquilo tudo dava ânsia e que nasceu para ser livre.

- Você por aqui, irmão? O dia está tão lindo... - brinquei mas ele permaneceu sério
- Porque sua namorada não veio trabalhar hoje?
- Ela não está se sentindo bem e...
- Claro que não está! - Ele trincou os dentes
- Qual o seu problema com a Cassi, Paolo?? Não estou entendendo!
- Vai entender! Senta aí, irmão! -

Paolo se sentou a minha frente, os olhos marejados. E o que ouvi dali pra frente foi uma bomba maior do que as que detonaram Hiroshima e Nagasaki...

- Deve ter alguma coisa errada nisso, Paolo!!
- Gostaria que tivesse! Sei o quanto você sofreu, meu irmão! Não vou deixar que essa mulherzinha estrague com a vida de mais um
Blat!
- Cara...eu...

Passei a mão nas chaves do carro, peguei minha carteira e sumi dali. Precisava de ar! Precisava respirar!!! Saí da empresa rumo a praia, estacionei e caminhei até a noite cair e meu celular tocar.

- Oi, Kiara!
- Pai, onde você está? Vem correndo! Estou aqui na Cassi!!
- Não posso agora, Kiara!
- Como assim, pai? A Cassi precisa de você aqui agora!!! Tio Paolo já está indo embora e...
- Paolo está aí?? - "Então...era mesmo tudo verdade!". Uma raiva insana tomou conta de mim - Se Paolo está aí, Cassiope não precisa de mim!
- Pelamor! Pai, ela desmaiou do nada!
- Seu tio pode ajudá-la! Tchau, Kiara!     

"Desmaiou provavelmente porque foi descoberta, aquela feiticeira!" Pensei com ainda mais raiva e logo pude perceber que o urro magoado que ouvi saia de dentro de mim. Sentei e chorei. Como nunca havia chorado em minha vida.
O celular tocou mais algumas vezes, mas não atendi. Era Kiara, provavelmente ainda me esperando na casa daquela mulher..."Preciso tirar minha filha de lá!". Levantei de um pulo e refiz o longo caminho de volta até o carro.
Cheguei no portão da casa da mulher que pensei que me amava, e liguei para minha filha.

- Pôrra, pai! O que deu em você?
- Saia daí imediatamente, Kiara! Estou te esperando no portão. E olha essa boca!!
- O quê?? Você não vai entrar e...
- Agora, Kiara!!!
- Mas o quê?...
- Kiara, não me faça perder a calma com você pela primeira vez na minha vida!!!
- Tá bom. - Podia perceber que minha filha chorava. " Essa mulher vai pagar por isso! Também!!" - Pensei e soquei o volante.

Minutos depois Kiara saía acompanhada de Zayn, que deu um beijo em sua testa e me olhou entre magoado e com raiva. "Será que ele sabia de tudo? E D. Samia? Ela sabia! Com certeza ela sabia! Precisava conversar com tio Tito o quanto antes!" 

- Oi pra você também, Kiara!
- Nem vem! Vocês brigaram? E o que eu tenho haver com isso?? Você não pode fazer uma coisa dessas, seu Pierre! Está sendo mais infantil do que eu com meus 15, merda!
- Já falei, Kiara! Essa boca!! E não, não brigamos! Mas você vai saber de tudo assim que chegarmos em casa! - "Como, por Deus, eu contaria para minha filha toda aquela sujeira??" - Soquei mais uma vez o volante e Kiara se assustou, tanto que permaneceu calada até chegarmos em casa.

Improvável?!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora