Capítulo 2

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Sempre fui um cara caseiro, nerd de carteirinha, aquele que toda sogra queria para genro

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Sempre fui um cara caseiro, nerd de carteirinha, aquele que toda sogra queria para genro. E foi assim que me enfiei em um casamento aos 20 anos! Eu estava apaixonado, muito apaixonado e todas as noites em que colocava minha cabeça no travesseiro agradecia a Deus pela minha vida e por ter uma linda mulher ao meu lado. No dia em que fiz 22 anos, Kiara veio ao mundo com seus pulmões potentes e bochechas rosadas...eu achava que sabia o que era o amor, mas estava redondamente enganado, porque foi ali, com aquele bebê gorducho em meus braços que descobri o verdadeiro sentido do amor e de amar. Resolvi trabalhar mais, me empenhar mais, ser o mais para minha filha. Terminei minha faculdade de Administração de Empresas um ano após o nascimento de Kiara e aos 25 assumi o cargo de Diretor Financeiro  na empresa da família, já que Paolo, meu irmão, só queria saber de mochilar por aí. Ele ainda é assim!. Nunca tive uma vida ruim financeiramente, mas conforme o dinheiro entrava cada vez mais, e claro, eu trabalhava e viajava cada vez mais, minha vida pessoal se tornava uma verdadeira merda. Verena, até então minha mulher, começou a exigir mais de tudo: atenção, dinheiro, coisas caras, dinheiro... já falei dinheiro, né? E aquele casamento feliz começou a escorrer pelo ralo e se tornou um divórcio quando nossa filha completou 10 anos. Sem saber o que fazer com a minha vida fora da empresa, já que nunca fui um galinha como meu irmão, comecei a dividir meu tempo entre o trabalho, os livros e os finais de semana com minha filha. Três anos depois Verena decidiu que não queria ser mais mãe e precisava conhecer o mundo (e gastar mais da polpuda pensão que recebe!), deixando então a guarda de Kiara comigo. Minha filha é minha grande amiga e confidente, ela vive dizendo que eu preciso sair mais, conhecer gente, conquistar uma mulher que valha a pena porque sou lindo, mereço o melhor, que ela vai conhecer o amor um dia e  não quer cuidar de um velho rabugento. Agora vê se pode um negócio desses?? Eu me tornar velho e rabugento até pode ser, mas ela conhecer o amor??? Isso só quando eu morrer!!!! E vai demorar, porque se depender dos cuidados que tenho com a saúde ( e dos meus punhos bem trabalhados na academia) ela não sai de casa tão cedo e muito menos conhece alguém! Garota abusada!! Mas esquecendo um pouco que sou um pai ciumento, porém cauteloso, nesse momento estou preocupado com toda a mudança em nossas vidas! Sempre vivemos na mesma cidade que seus avós maternos e paternos, mas a empresa cresceu e com meu tio Tito  se aposentando coube a mim substituí-lo na filial da "Blat Engenharia". Kiara pulou de felicidade ao saber que nos mudaríamos, está empolgadíssima! Já eu, não consigo conter os cabelos brancos que nascem a cada dia que antecedem nossa mudança. Será que terei tempo para minha filha? Ela não diz, na verdade nem toca no assunto, mas sente falta da mãe. Que adolescente não sentiria?. Juro que nunca maldisse minha ex mulher, mas nesse momento passam várias palavras nada elegantes na minha cabeça em referência a ela. Puta que pariu!!!

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