BRUNA NARRANDO
8 horas depois...
Estou andando de um lado pro outro, a parteira nada de chegar, só mandou uma mensagem dizendo que estava no trânsito e que não demoraria muito, é uma inútil mesmo, pego meu saquinho de pó, faço uma fileira na mesa do centro da sala, enrolo uma nota de dois reais em forma de tubo, cheiro a fileira em menos de segundos, aperto o nariz, inspirando todo o pó pra dentro, largo o tubo feito de dinheiro na mesa ao lado do meu canivete, que por sinal estava machucando minha cintura, jogo minha cabeça pra trás, curto a sensação maravilhosa dominar o meu corpo.
Por alguns segundos, esqueço do mundo em minha volta, minha mente trás a tona tudo que já fiz na minha vida, e quer saber? Eu já fui abandonada, ferida, julgada, humilhada, apunhalada pelas costas, tratada feito lixo, traída por pessoas que eu mais confiava, meus sentimentos foram totalmente ignorados, fui feita de piada, despedaçaram minha auto estima e agora estou aqui.
Sigo cansada, mas sigo ciente que eu dei o meu melhor a todos que passaram pela minha vida. E sei que tudo vai passar e mesmo que demore eu vou me reerguer e recomeçar. Porque a vida é feita de recomeços, de reinício. Esse não é o meu melhor momento da vida, perdi pessoas que eu achava que nunca viveria sem, perdi pedaços de mim que foram levados a força e sem permissão.
Me perdi pelo caminho muitas e muitas vezes e chorei, chorei muito na verdade, mas agora eu não choro mais, decidi não gastar as minhas lágrimas com futilidades e nem com pessoas que não as merecem. Caí e o tombo foi bem feio, mas eu aprendi a levantar e a cuidar dos meus próprios machucados e cicatrizes. Superei muitas coisas e outras talvez eu nunca irei superar, mas eu estou seguindo, estou sobrevivendo e tentando ser forte depois do terremoto que me destruiu. Não sobrou nada em pé aqui dentro, tudo foi ao chão, mas eu estou de pé e mesmo com poucas forças vou lutar para me manter assim.
Eu sou uma lutadora, sou uma sobrevivente, sou uma mulher persistente, sou forte e mesmo que tudo e todos digam o contrário, é nessa certeza que vou me apegar. Amanhã é um novo dia, pode ser um dia bom, pode ser um dia ruim, mas sempre haverá uma nova chance para recomeçar. Então, assim como eu, recomece ou não.
Os gritos da culpada de eu estar nessa merda hoje, me tiram das minhas paranóias, o grito isurdecedor dela me faz cair na real de que não posso vacilar, é a mulher do patrão que está aqui.
__ Me solta, eu tô morrendo de dor - a vagabunda tinha que cortar o meu barato, puta que pariu
__ Calma caralho, deixa eu clarear a minha mente - digo amarrando o meu cabelo
__ Eu não tô aguentando, pelo amor de Deus Bruna, pensa no meu filho, ele não tem culpa... - interrompi ela, chata pra caralho
__ Foda-se, você vai ficar aí quieta, que eu vou lá no quarto pegar mais do meu pó, sem nenhuma gracinha - caminho até ela, dou alguns tapinhas no seu rosto, e vou pro quarto, essa criança tem que nascer hoje.
FIM DA NARRAÇÃO
BRUNO NARRANDO
Se essa porra de trânsito não tivesse imensa, eu já teria pegado minha mulher tiw, tomar no cu, a Glock tá destravada, os parceiro atrás da minha bmw, a senhora do meu lado, o bagulho vai ficar louco pra essa mina aé, aguenta loira, tô indo te buscar.
Alguns minutos depois, estaciono em frente do prédio, aonde essa vadia da Bruna tá fazendo de refém minha mulher e meu fiote, saio do carro, espero os parceiro estacionar as motos
__ Salve rapaziada, o bagulho é o seguinte, Ph e o Alemão sobe comigo, Bx e Xd fica na entrada, e vocês três - a ponto pro demais - Quero vocês fazendo a contenção, não sei se essa mina tá sozinha, não sei se tem mais neguinho ae fazendo campanha tá ligado, então qualquer movimento, mete bala - todos balançam a cabeça positivamente, dou uma benzida, seja o que Deus quiser, entro no prédio, tô indo te busca meu amor
FIM DA NARRAÇÃO
MANUELA NARRANDO
A dor aumenta a cada segundo que eu passo nesse maldito lugar, eu não vou deixar você nascer aqui filho, eu te prometo - acaricio minha barriga - minha lombar está queimando, as contrações estão insuportáveis, eu preciso sair daqui agora, olho pra frente, em cima da mesinha do centro, há vestígio de um pó branco, um dinheiro e pra minha surpresa um canivete, meu Deus, é agora
Engatinhando, com dor e sangrando, com muita dificuldade, chego na mesinha do centro, agarro com minhas mãos o canivete Deus me dê força - com muita dificuldade, eu consigo cortar a corda, respiro fundo, outra contração vem, dessa vez mais forte, reprimi meus lábios para segurar meus gemidos de dor, coloco o canivete na minha cintura, me levanto com muita dificuldade, caminho até a porta do apartamento, quando minha mão finalmente alcança a maçaneta da porta, a voz do demônio surge atrás de mim
__ Aonde você pensa que vai piranha? - diz puxando meu cabelo e me jogando no chão, ela caminha até mim, desfere um chute na minha barriga, se aproxima do meu rosto, na mesma hora, tiro o canivete da minha cintura e passo no seu rosto
__ Sua vagabunda - ela destrava sua arma - agora você e esse maldito vai morrer - um tiro é disparado ao mesmo tempo que a porta do apartamento é aberta
__ Bruno, voc... - falta força pra sair às palavras, mais eu sei que ele venho me buscar, foi ele que venho me tirar daqui, meu Bruno, sinto minha cabeça encontrar o chão frio do apartamento, meus olhos se fecham, mesmo eu tentando manter eles aberto
__ MINHA MULHER CARALHO - foi as últimas palavras que escutei antes de eu cair em um sono profundo.
FIM DA NARRAÇÃO
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A Escolha Errada 2 [ MORRO ]
Fanfic+18| "A caminhada pode ser difícil, mais o que te espera no fim, valerá toda a caminhada, tenha fé." 👊 Será que eu nunca vou ser feliz? Será que eu fiz tanto mal pra Deus e ele está me castigando? Quem mais vou ter que enfrentar pra conseguir ser f...
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