14. Crime confession

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  —T-Thor! – gaguejei e virei em sua direção bruscamente

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  —T-Thor! – gaguejei e virei em sua direção bruscamente

  —Calma, eu tô brincando! – riu —Se assustou de novo?

  —N-Não! É que eu não estava esperando! Só isso! – ri tentando disfarçar o nervosismo

  Talvez se eu estivesse sóbria, Thor não percebesse. Entretanto o álcool tirava toda minha capacidade de interpretação. Era óbvia a minha feição de surpresa mista de desespero.

  Admito, até esse ponto, havia simplesmente esquecido que Thor estava em casa. Parece rude, mas não era proposital. O pior ainda está por vir. Só me dei conta do quão complicada estava minha situação quando vi Thor em minha frente. Tudo que aconteceu no último fim de semana não era nem um pouco "esquecível". Foi muito especial pra mim. Mais uma vez fazendo merda Carol, parabéns! Não sabia nem qual próxima atitude devia tomar. Mal conseguia raciocinar.

  —Pelo visto alguém passou do ponto! – veio até mim —Como foi lá?

  —Ah, foi legal. – evitei ao máximo prolongar o assunto. Estava com medo do que ele poderia perguntar pois não saberia responder.

  —Tendi. – ele esperava uma resposta mais detalhada, como sempre faço. Estranhou —E o que vocês fizeram? Aconteceu alguma coisa? – a maldita pergunta

  Essa era a pergunta que tanto me assustava. O que eu responderia? Mentiria, do jeito mais descarado e irresponsável possível? Não conseguiria dizer nada convincente. Bêbada como estava, acabaria me entregando. Mas e ai? Dizer a verdade assim, na lata? Não seria uma conversa leve e descontraída. Assim que me confessasse teria que lidar com a situação. Não tinha condições nem de andar normalmente. Além disso, seria horrível pra Thor, eu completamente bêbada dizer que beijei alguém. Não teria seriedade, seria muito pior. Queria não estar nessa situação. Mas a besteira foi feita e ele esperava uma resposta.

  Toda essa reflexão foi feita em segundos pelo meu cérebro que não aguentou. Senti tudo girar a minha volta. Uma dor de cabeça pontual e forte surgiu. Perdi a força no corpo. Provavelmente foi a mistura de bebida + muita informação ao mesmo tempo.

  —Ou ou ou! – Thor correu para me segurar antes que eu caísse —Nossa você não tá nada bem! Vamos, eu vou te ajudar a tomar um banho e dormir.

  Caminhei apoiada em seu braço até o banheiro. Entrei pro banho enquanto ele pegava minha roupa e minha toalha. A porta ficou aberta por segurança. Caso eu precisasse de ajuda, Thor veria. Deixei a água quente cair sobre minha cabeça. Olhei de relance e vi Thor separando cuidadosamente minhas peças de roupa. Nessa hora, senti vontade de chorar. Estava mais sensível por conta do álcool mas essa não era a questão. Analisei a situação de fora e me senti extremamente culpada. Havia beijado outra pessoa a vinte minutos atrás, cheguei em casa bêbada e agora estava passando mal. E lá estava Thor, sem ter a menor ideia da situação. Estava cuidando de mim da maneira mais carinhosa e genuína. Senti as poucas lágrimas de meus olhos se misturarem com a água. Tem uma lenda que diz que quando um sentimento não cabe dentro de nós, ele transborda em forma de lágrimas. Hoje percebi que não era uma lenda. O sentimento que naquele momento transbordava em mim era a culpa. Respirei fundo e tentei controlar minhas emoções. É ruim ter que esconder o que você sente, mas era minha única opção. Não sei se estava pronta para falar sobre.

  Terminei meu banho e vesti a roupa que Thor deixara no banheiro. Já me sentia mais sóbria e principalmente, mais calma. Thor não estava no quarto como imaginei. Fui até a cozinha e lá estava ele. Ele deu uma rápida olhada pra trás e me viu. Parecia coar algum tipo de bebida na pia. O abracei por trás entrelaçando meus braços em seu peito. Apoiei meu rosto em suas costas e senti seu inconfundível perfume. Aproveitava os prováveis últimos períodos de felicidade. Tinha plena consciência de que estava errada e isso me matava.

  —Ei, você devia ter ficado na cama. É melhor descansar. Tô fazendo um chá pra você, vai melhorar rapidinho! – sorriu —Vai pra cama, eu levo pra você!

  Não respondi. Permaneci colada nele apenas sentindo o conforto de seu corpo. Não queria soltá-lo nunca mais.

  —Tá tudo bem? – se desprendeu de mim virando em minha direção.

  Passou a mão cuidadosamente nas curtas mechas do meu cabelo ainda molhado. Olhou meu rosto e meus olhos visivelmente cansados.

  —Vem cá! – sorriu de lado e me puxou para mais um abraço

  Lembram do que havia dito sobre os abraços de Thor? O modo como ele me desarma ainda me assusta. Sinto-me em casa. Nesse momento, era tudo que eu precisava.

  Tomei o chá que Thor preparara e fomos dormir. Não me lembro de muita coisa, apaguei rápido. Acordei um pouco desnorteada. Ainda bem que não precisava trabalhar naquele dia. Aparentemente, Thor demorou mais tempo para dormir, ainda não acordara. A dúvida ainda me atormentava. Uma hora ele acordaria e certamente perguntaria sobre a noite passada. Dessa vez não haveria mal estar que me livrasse.

Carol: Oi Val. Tá aí? Pd conversar?

  Valquíria era a pessoa mais próxima de Thor que eu conhecia. Se tem alguém que poderia me ajudar, era ela. Eu e Thor nunca nos desentendemos, mas isso estava prestes a mudar. Não sabia como ele reagiria. Queria estar pronta para o que quer que acontecesse. Não demorou muito pra ela me responder.

Val: Oi. Posso ss. Aconteceu alguma coisa?

Carol: Ent, queria pedir sua ajuda pq sei que vc conhece o Thor como ninguém. Fiz uma besteira e não sei o que fazer. Fica entre nós ok?!

Val: Td bem, entre nós. O que aconteceu?

  Passei um bom tempo explicando toda a história. Desde o dia da balada que nós três fomos até ontem. Quando contei fui "obrigada" a pensar sobre tudo que fiz. Acho que foi nessa hora que a ficha realmente caiu. Confesso que me senti um pouco envergonhada. As vezes é bom cair na real, perceber que todo mundo erra e que as coisas podem mudar tão rapidamente. Percebi que minha impulsividade estragara em poucos segundos o que a confiança levou tanto tempo pra construir.

  Valquíria foi extremamente sincera comigo. Me disse que não seria nada fácil mas que a verdade é sempre o melhor caminho. Ela estava certa. Não conseguiria deitar ao seu lado sabendo que não estou sendo verdadeira. Estava disposta a seguir o conselho de Valquíria, custe o que custar. Preciso lidar de frente com as consequências dos meus atos.

  Thor acordou, me cumprimentou e sentou no sofá para assistir o programa que tanto gostava. Agi o mais natural possível e aproveite os segundos de calmaria antes do furacão. Fui até a cozinha e bebi um copo d'água. Naquele momento, senti a coragem adentrar meu organismo com a água. Não estava pronta, nós nunca estamos. Mas não tinha para onde fugir.

* * *

  —Thor, a gente precisa conversar. – Carol sentou ao seu lado no sofá o olhando

  —Tudo bem. Pode esperar só o intervalo? Não vai demorar. Você não vai acreditar, hoje vai passar... – Thor a olhou e logo percebeu que o assunto era sério

  Ela pegou o controle e desligou a TV. Carol sentiu seu corpo esfriar da cabeça aos pés. Thor a olhava curioso e atento.

  —Queria dizer que apesar de tudo, nada entre nós mudou. E antes que as coisas piorem; sinto muito. – ela segurou a mão de Thor e deu um sorriso fraco. Sabia o que estava por vir. 

(Re) started [EM REVISÃO]Onde histórias criam vida. Descubra agora