Capítulo 1

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Falls é bem quieta,pensei enquanto comia pipoca sentada na arquibancada,quieta até demais.

Deveria ser alguma coisa da minha cabeça,mas eu achava que quando uma cidade era quieta demais havia algum problema.Em Smallwood,Texas,foi assim.Porque não seria em Falls,Virginia.

Quando meu padrasto falou que a turnê iria passar por aqui,pensei logo em Mystic Falls,da série The Vampire Diaries.
-Não.-ele dissera.-Você não vai encontrar vampiros lá.E muito menos se apaixonar por um!

E eu nem gosto de vampiros,ou Nortunos.Acho eles muito...sangrentos.

-Katherine!-gritou alguém e pude ver Rupert no palco.Um holofote o iluminava,fazendo seu cabelo preto brilhar em algumas partes,e seus olhos verdes e raivosos,parecerem mais vivos.Ele era bonito,mas já tinha namorado com a minha mãe e era chato.Chato era pouco,ele era um filho da puta,mesmo.-Vem aqui!

-Eu estou comendo,não está vendo? Ou é cego?-disse mostrando a pipoca a ele.

-Venha logo!-ele gritou.

-Estou indo,estou indo...-revirei os olhos e me levantei,passando por entre as cadeiras vazias e indo até ele no palco.-O que foi?

-Me siga...-ele disse em um tom ameaçador,saindo do palco e entrou para seu camarim.

Segui ele hesitantemente.

-O que é isso?-ele apontou para seu espelho com algumas partes sujas de lama.

-Um...espelho?

-Não!-ele gritou.-Na verdade sim,mas não foi isso que eu quis dizer! Aquele seu coelho estúpido sujou tudo de lama! Está uma bagunça isso aqui!

Olhei ao redor do camarim.Se tinha roupas,chapéus,alguns acessórios masculinos e até cuecas jogados pelo chão,sujos de lamas ou rasgados.É,ele tinha mesmo feito uma bagunça.

-Brigue com ele,não comigo.-eu disse.

-Eu vou matar aquela bola de pelos...-ele disse saindo,indo em direção ao meu camarim.

-Não vai,não...-ergui uma mão e ele se ajoelhou,com dor.Era uma magia,ou telecinesia,que eu poderia fazer: causar uma dor mental nas pessoas.

-Usando seus poderes de bruxa,não é?-ele disse entredentes.

-Sou uma Maga,na verdade.-corrigi ele.

-Igualzinha a sua mãe...-seu nariz sangrava,mas ele olhava com seus olhos verdes fixos em mim.-Ainda bem que ela morreu,agora pode queimar no inferno como todas as bruxas...

Apertei minha mão lentamente,causado uma dor maior nele.

-Se quiser,fale mal de mim,mas não dela.-eu disse e abri minha mão e abaxei-a.Ele arfou e limpou o sangue com as costas da mão.Era sempre assim: eu e ele brigávamos e ás vezes eu usava feitiços contra ele.Mas só usava quando ele falava mal da minha mãe ou queria fazer algo com o meu animal.

Não queria nem ouvir o que ele iria falar agora.Provalvemente ficaria sem comida por três dias ou algo assim,como sempre,e ainda me pergunto porque não me livro dele.Ah,é por causa que você não é maior de idade e passaria fome nas ruas,sua idiota,lembrei-me.

Caminhei até o meu camarim,do lado de fora,pensando logo em como iria lavar Mallyank para ficar limpo para hoje a noite.Mallyank é o meu coelho branco como a neve,mas devastador como uma tempestade.Outra coisa que me pergunto todo dia era o motivo de ter dado esse nome a ele.

Continuei caminhando pelo asfalto com rachaduras e acizentado até o camarim e então olhei para o céu.O tempo estava nublado então fechei minha (única) jaqueta vermelha favorita e suspirei,olhando para o chão.

Um rosnado.

Virei para trás e vi um lobo negro como a noite,sua pelagem escura brilhava e ele tinha o tamanho de um carro.Ele mostrava seus dentes afiados e saliva pingava no asfalto.Era bonito,um dos mais lindos lobos que eu já tinha visto,mas era perigoso.

Andei um passo para trás e ele para frente.Estava paralisada,ele iria me atacar e eu não poderia fazer nada.Nem os feitiços poderiam ajudar,pois eu precisava de concentração e isso era o que eu menos tinha no momento.

Os olhos do lobo eram dourados e eu o encarei.Esses olhos,mesmo sendo de um animal e anormal,eram familiares.Tão familiares...

E foi nesse momento que o lobo pulou em cima de mim.

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