Tell me your secrets and ask me your questions
(Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas)
Oh, let's go back to the start
(Oh, vamos voltar para o começo)
Running in circles, coming up tails
(Correndo em círculos, perseguindo a cauda)
Heads on a science apart
(Cabeças numa ciência à parte)
...
- Srta. Momsen...- disse alguma voz estridente.
Tirei os fones de ouvido, para checar se aquela voz se direcionou para mim ou foi puro efeito da música, pois tudo acontece quando se está com fones de ouvido.
- SRTA. MOMSEN - olhei para a direção da voz e fiquei encarando a professora de história.
- Sim?
- Pode resumir o que acabamos de mostrar em sala? - disse ela me olhando com cara de nojo, sendo que eu deveria estar fazendo essa cara.
- ...
- Bem, você deve saber toda a matéria, já que estava ouvindo música, ao invés de estar prestando atenção na aula. - ouvi pequenas risadas que ecoavam pela sala.
Um fato interessante, a minha sala não é considerada a mais bagunceira à toa, sendo que professora de história tem uma certa marcação comigo, enquanto há pessoas tagarelando, também usando celulares, comendo e se pegando, ela só se preocupa em ferrar com a minha vida.
- Srta. Momsen, sente-se aqui! - diz ela com uma voz autoritária, apontando para a primeira cadeira vizinha a sua mesa.
- Não! - respondi no mesmo tom, simplesmente pensei alto demais.
- Como disse? - disse indignada com minha resposta.
- Se você tem algum problema de surdez, tá na hora de comprar um aparelho auditivo. - ela me olhou com uma cara de "faça logo o que eu digo, ou a porrada come solta".
- Detenção, mocinha! - disse com um sorriso maligno em seu rosto.
Não tive outra escolha, a não ser ir para aquela merda de cadeira. Quando me sentei, tentei me concentrar na interessante explicação da professora, mas só conseguia ouvir cochichos, tais como "Que menina idiota" "se acha a tal" "não passa de uma cretina, tentando ser alguém". Talvez eu devesse ignorar, mas o problema que eu queria responder aquilo, eu já estava bufando com tudo isso. Os comentários continuavam, então fechei os olhos...
- CALEM A BOCA, SEUS ARROMBADOS.
----- X -----
- Desrespeito ao professor e linguagem inapropriada em sala de aula... - disse a voz estridente conversando com o diretor.
- Srta. Momsen? - disse o diretor esperando minha opinião sobre o que a professora havia falado.
Não respondi nada, falem o que quiserem, só não quero entrar nas discussões sem fim com meu pai, não hoje.
- Bem, Srta. Momsen... - o interrompi, pois me chamar de Srta. Momsen o tempo todo está me irritando.
- Me chama só de Alice - disse sorrindo falsamente.
- Então, Alice, você acha que seu comportamento é adequado à esta escola? - disse ele com um olhar sério.
- Muitos daqui não tem... - ele interrompeu meu discurso, velho pulguento.
- Só que não estou me referindo aos outros alunos, estou me referindo somente a você, e não tente direcionar seus problemas para os outros. Já pode se retirar. E lembre-se mais um problema vindo de você, não irei hesitar em suspender você. - disse ele, me levando até a porta.
----- X -----
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer?
Será recomeçar?
Será ser livre sem querer?Fiquei refletindo essa frase em minha mente, e ao mesmo tempo fiquei olhando para o teto branco. Eu poderia tentar recomeçar tudo, mas não queria que fosse aqui, queria esquecer todos os momentos ruins.
Depois de um tempo pensando assim, tive uma pequena sensação de estar sendo observada, olhei para a porta e ela estava entreaberta com um ser muito feio olhando para mim.
- AAAAH - gritei, jogando a primeira coisa que vi pela frente encima daquele troço.
- QUAL O SEU PROBLEMA? - disse o ser feio.
- Só me assustei um pouco, Jasmine, normal - eu disse, ainda com o coração acelerado.
Jasmine é minha madrasta, um ser horrível para se chamar de madrasta, para ela, eu sou como uma marionete, ela faz o que bem entender comigo, sem que ninguém a julgue.
- Algum motivo especial para ter levado um susto desses? - disse ela, esperando que eu diga o que eu estava pensando.
- Sim, sua cara! Como alguém não pode se assustar quando vê sua cara? - digo e ela já aquece a língua para falar merda.
- Olha aqui, mocinha... - fomos interrompidas, quando meu pai entra em cena, como o Batman.
- Moças, parem de fofocas. O jantar já está pronto! - disse ele, logo se retirando.
Meu pai! O que posso dizer dele?
Ele é o tipo de pessoa sonsa, quando acontece algo nessa casa entre mim e a galinaja, ele se faz de desentendido, e foge, dizendo que vai "trabalhar", e sempre defende a linha inimiga.
- Nos entendemos depois, fofinha - sussurrou a galinaja perto do meu ouvido, soou mais como um cacarejo.
----- X -----
Após o jantar, fui lavar a louça, e fiquei pensando novamente sobre recomeçar minha vida longe daqui, pensei em pegar dinheiro suficiente e ir para outra cidade, ou até mesmo outro país, mas fiquei imaginando o que minha mãe iria pensar se eu fizesse isso.
- AAAAH - gritos ecoavam pela cozinha. E sangue tentava se expandir pelo chão...
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Nothing fairer (Hiatus)
RandomAlice Momsen, vive uma trágica vida, pelo menos é o que ela acha, e depois de um incidente, passa a viver em um mundo apocalíptico, na qual sua missão de sobreviver é interrompida por Joseph Stevens, o ser que tomou posse de seu coração. O que o fut...