28 | Prunus

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[!AVISOS! O capítulo a seguir contém: sofrimento psicológico intenso, miséria (no itálico), menção à tentativa de suicídio, pensamentos suicidas, surto psicótico. Por favor, evite ler o capítulo ou pule as cenas específicas caso tenha sensibilidade diante das categorias supracitadas.]

Existem muitas coisas na vida que não podemos escolher. Outras poucas, entretanto, ainda podem ser controladas.

É por saber disso que eu faço de tudo para me agarrar, com todas as forças, nessas pequenas coisas que ainda podem depender de mim. Então, quando chegamos em Seul e voltamos juntos para casa, porque, de acordo com Lee Yangmi, o pai de Jimin ainda não chegou do trabalho e não há perigo de nos ver todos juntos, evito ao máximo olhar para o meu celular.

Não quero ter que lidar com isso. Não quero ter que enfrentar a minha realidade agora, depois de ter passado os últimos dias na minha própria ilusão perfeita de um mundo sem dores e perdas. Não quero ter que pensar em uma possível nova perda, porque quero acreditar, acima de tudo, que isso não será possível.

Porque eu jamais vou perder o Jimin. Jamais.

Deus não permitiria isso, muito menos depois de eu começar a rezar.

Então, por não ter a coragem necessária para encarar o medo, por mais redundante que isso possa parecer, eu apenas ignoro o máximo que consigo.

Mas ainda sinto em meu coração, de vez em quando. Uma pequena rajada de vento imaginária passando por um espaço vazio dentro do peito, como se houvesse algo ali para ser temido. Mas não tem. Não preciso ter medo. Nada vai acontecer. É o que eu repito em minha mente incessantemente quando nos unimos ao redor da mesa envidraçada, para jantarmos.

Eu, Jimin, Namjoon, Yoongi, Taehyung, Hoseok, Seokjin e Yangmi.

Ela deixou tudo preparado para quando chegássemos, então sorrio. Faço isso, porque eu e meus amigos nunca tivemos esse tipo de recepção antes. Faço isso, porque estou feliz com a forma que as coisas estão se encaminhando. Porque eu e Jimin descobrimos uma intimidade acima de qualquer outra que poderíamos ter nessa viagem; porque descobri em seus amigos, novos abraços e corações sinceros; porque sua mãe nos olha com esses olhos de quem está, de alguma forma, satisfeita com nosso grupo.

Faço isso, porque não estou com medo. Não estou. Porque nada vai dar errado.

Faço isso, porque amo Jimin.

Aperto o celular sobre o meu colo quando o sinto vibrar novamente. Meus amigos estão aqui, então sei que é Wonho, provavelmente me enviando o endereço de onde pretende me encontrar amanhã. Ignoro a dor no meu coração e sorrio mais, fingindo a mim mesmo que o objeto não está machucando meus dedos pelo aperto involuntário.

— O idiota que ficou insistindo pra gente passar protetor solar foi o que mais se queimou — eu acuso, apontando para Taehyung do outro lado da mesa.

— Ei, o Hoseok também se queimou! — diz ele em contragolpe, indicando o hyung. — Por que eu sou o único culpado?

— Você é o único culpado, porque eu me queimei só no primeiro dia — defende-se Hoseok, balançando a cabeça. — Eu me cuidei direitinho nos outros dias, enquanto você está pior do que nunca.

— Francamente, Taehyung — é a vez de Yangmi dizer, com um suspiro frustrado. — Por que eu sabia que isso ia acontecer? Eu avisei tantas vezes!

— Tia, eu passei protetor, ok?

— Uma única vez antes de ficar quatro horas seguidas no mar — completa Yoongi, com um sorrisinho curvando o canto de seus lábios.

ASTER • jjk + pjmHistórias para pegar e não largar. Descubra agora