Capítulo 26

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Quando acordou no dia seguinte, Camila estava toda dolorida, mas nem reclamou. Sorriu ao lembrar-se da noite anterior e sentiu um calafrio gostoso. Levantou e deixou Lauren dormindo tranquila. Tomou um banho rápido e foi em direção à cozinha preparar alguma coisa. Dessa vez a despensa estava mais variada e pode preparar algo melhor. Como já passava das onze da manhã, resolveu ir direto pro almoço. Fez um arroz branco, cozinhou feijão e grelhou um peito de frango, fritou batatas e fez uma salada de alface com tomate, cenoura e palmito. Estava arrumando a mesa quando ouviu uma voz rouca e grave.
- Bom dia.
- Oi amor, bom dia. – respondeu sorrindo.
- Sabe, eu acordei com o corpo ardendo – Lauren foi andando em direção a Camila – Daí fui tomar um banho e quando tirei a blusa me deparei com essas coisas. – virou as costas e mostrou os arranhões.
- Ah! Meu Deus! – estava perplexa. – Eu... eu fiz isso? Mas... quando...? Minha nossa!
- Quando? – Lauren virou de frente pra ela. – Não se lembra de ontem? – riu.
- Nossa, estou totalmente sem graça. – falou colocando a mão no rosto, já estava corada de vergonha.
- Oh gatinha, por que isso? – a abraçou
- Está ardendo muito? – perguntou desolada.
- Um pouco, mas é bom. – Lauren deu um beijo na testa dela e a tranquilizou. – Não se preocupe, quero mais é que me arranhe mesmo, isso significa que não perdi o jeito. – falou com uma cara de sem-vergonha.
- Você não perde é a cara de pau! – Camila deu um beliscão na barriga dela. – Nem a vergonha, não é mesmo?
- Não! – sorriu e a beijou na boca. – Vergonha pra que? Já te disse, não é feio ser feliz, nem amar. E eu te amo! Gatinha gostosa! – encheu ela de beijos.
- Tá me chamando de gatinha, vou me acostumar mal.
- Mas você é gatinha, não me arranhou? Só as gatas arranham. – riu e se esquivou antes que levasse um tapa.
Camila correu atrás dela pra tentar alcançá-la, mas a chance era mínima. Correram em volta do sofá da sala rindo como criança. Até que Lauren pulou em cima da namorada e a derrubou no chão.
- Desista, eu sou mais forte. – falava enquanto Camila tentava se soltar.
- Mas eu tenho meus truques. – forçava o braço.
- E o que a gatinha sabe fazer?
Camila olhou pra um lado, pra outro, como que procurando uma solução. Olhou pra Lauren que já levantava uma sobrancelha aguardando a resposta. A menor riu franzindo o nariz, toda meiga.
- Sei fazer isso... – levantou a cabeça e lhe deu um beijo, que acabou amolecendo a morena e ela a soltou. – Viu... – falou toda carinhosa girando o corpo pra ficar em cima de Lauren. Voltou a beijá-la com mais ímpeto e quando ela já avançava o sinal, Camila levantou e correu. – Nem sempre se enfrenta a fera, você pode vencer conquistando-a – riu da cozinha.

Lauren se levantou, ajeitou os cabelos e caminhou lentamente.
- Isso nós veremos... – chegou à cozinha séria e olhou estreitando os olhos para a chef.
- Que cara é essa? Nem vem, vamos almoçar.
- Eu vou almoçar.
- Sim e é comida.
- Ahan – foi se aproximando mais.
Camila não fugiu, se deixou encurralar na bancada central da cozinha.
- O que vai fazer comigo? – perguntou com voz dengosa.
Lauren a pegou pela cintura e a fez sentar, cobiçava o corpo dela com os olhos.
- Vamos comer, estou com fome. – Camila pedia. – Por favor, por favor, por favor! – tentava de todo jeito convencê-la, mas só o olhar da namorada já estava deixando seus instintos aflorados.
Lauren olhou pra ela, mexeu no cós da calça que usava.
- Então diz que me ama. – fez uma cara feia.
- Amo você.
- Me chama de amor.
Camila riu, mas não se opôs.
- Meu amor.
- Agora diz que sou a mulher da sua vida. – continuava fazendo cara feia.
- Você é a mulher da minha vida, meu amor que amo muito. – completou os três pedidos numa frase só.
- Pronto, me dou por satisfeita. – ia se virando quando a chef a segurou.
- Calma, não terminei minha declaração. – a fez voltar e a beijou nos lábios, segurando seu rosto com as mãos. – Agora podemos almoçar.
Desceu da bancada e foi agarrada à morena até a sala onde estava o almoço.
- Ainda bem que deixei tudo tampado, pelo tempo a comida teria esfriado já.
- O cheiro tava bom quando vim do quarto.
- Não fiz nada de muito rebuscado, é comida caseira. – tirou as tampas das panelas e mostrou.
- Nossa! – os olhos da morena brilharam. – Adoro batata frita! – sorriu como uma criança. – Achei que não soubesse cozinhar essas coisas.
- Como assim, Lauren? – olhou com cara feia.
- Ah não sei amor, você gosta de elaborar pratos mais sofisticados, achei que não ligasse pra comida mais simples.
- Não como caviar todo dia, aliás nem gosto. – fez uma careta. - Ao contrário do que muitos pensam, eu gosto de comida simples, porque sou simples.
- Desculpe querida, não quis ofender, é que chef de cozinha geralmente gosta de inventar e essas comidas são mais comuns, já foram inventadas. – brincou.
- Se você gosta tanto, sempre que puder vou passar a fazer os pratos assim. Porque até hoje acho que fiz foi de opinião minha.
- Vou adorar ser paparicada, mas tudo que faz eu já gosto, não se preocupe. – beijou-a. – Então vamos comer! - falou animada.
Camila a serviu primeiro e depois sentou ao lado dela. Comeram batendo um papo que rendeu até de tarde. Os dias que se seguiram foram para se reconciliarem de vez. Não se desgrudavam um minuto. Lauren quis improvisar na cozinha e sob supervisão da namorada, fez almoço, jantar e tudo que tinha direito. Saíram pra jantar fora um dia, fizeram caminhadas pela região e faziam amor sempre, não importava a hora do dia.
Deitadas no tapete da sala, Camila com as costas apoiadas no sofá e Lauren deitada em seu colo. Tinham feito brigadeiro meio amargo incrementado com biscoitos de caramelo e avelãs.
- Nossa, nunca comi um brigadeiro tão gostoso – Lauren falou enquanto Camila levava a colher em sua boca.
- Nunca gostei de brigadeiro comum, sempre fiz com chocolate meio amargo e adicionei algumas coisas.
- Uma delícia!
- Do jeito que estamos indo. – colocou a colher na boca. – A gente sai daqui obesa.
- Que nada! – continuou comendo.
- Como que nada amor? A gente só come, acorda, come. Logo que levantamos da cama, já inventamos almoço, depois sobremesa, daqui a pouco jantamos.
Lauren se levantou e virou pra ela.
- Esqueceu que entre os intervalos gastronômicos fazemos muito exercício? – riu de lado levantando a sobrancelha.
- Não é o suficiente.
- Claro que é! Nós caminhamos, ainda demos uma faxina na casa pra entregá-la limpinha e sexo queima caloria viu!
- Sexo?! Agora mudou pra sexo, Lauren? – a mineira fingiu estar brava.
- Não lindinha. – fez um bico para beijá-la. – Amor, nós fazemos amor. – riu. – Horas a fio, na cama, no banheiro, na sala, na cozinha e... – chegou ao ouvido dela. – Na varanda.
- Ai que vergonha! Ainda não acredito que me convenceu a fazer ali.
- Hum e foi uma delícia. – a morena riu. – Você tava tão...
- Para com isso! – deu um tapinha no ombro dela.
- Tão linda amor! Ai! – esfregou o lugar onde levou o tapa e ficou olhando pra ela com um ar desapontado.
Camila ficou com remorso e a puxou para lhe dar um beijo.
- Desculpa! Mas pare de abuso.
- Tá bom, posso fazer outra coisa então?
- O que? – olhou desconfiada.
- Aquilo que fizemos lá fora. – ficou de frente pra ela. – Só que aqui dentro, nesse tapete. – ficou em cima dela. – Com a lareira acesa... – beijou o pescoço. – E esse frio gostoso.
- Frio mesmo. – Camila sorriu. – Vem me esquentar sua sem-vergonha.
Passaram o resto do dia ali se curtindo e namorando. Todo aquele tempo que passaram juntas foi bom para que se entendessem como se estivessem casadas. Camila aprendeu que Lauren gostava de atenção nos momentos mais simples como o horário de almoço e jantar, gostava que olhasse pra ela quando estivesse comentando algo. Era extremamente carinhosa e exigia isso na cama, ainda que vez ou outra se mostrasse mais ousada. Já Camila era mais fechada, mas com habilidade, Lauren tirava esse vício de ser reservada. Era organizada e gostava de planejar tudo, ao contrário da outra. Tinham em comum o bom senso e bom gosto. Com os dias, perceberam que tudo podia se adaptar desde que se esforçassem e fossem flexíveis uma com a outra. Ainda que mais intransigente, Camila cedia aos pedidos de Lauren, porque esta sabia dobrar a namorada, pois a entendia e em forma de agradecimento paparicava a chef.
- Parece que você me entende. – Camila falou enquanto arrumava a mala para irem embora. – Acho que já me conhece de cabo a rabo. – riu enquanto fazia um sacrifício para a mala fechar.
- Não sei se conheço, mas presto muita atenção em você. – Lauren veio para ajudá-la e apenas abriu o extensor para que folgasse mais em espaço.
- Por isso sabe exatamente o que quero.
- Por isso faço o que você quer e negócio o que você precisa, mas não quer. Você não gosta de mudanças, às vezes perde por deixar de experimentar. E eu estou aqui pra fazer você mudar de opinião sempre que for preciso e poder aproveitar melhor a vida.
- E eu te amo. – aproximou-se para beijá-la.
- Também te amo baixinha teimosa.
Despediram-se do lugar com um sentimento nostálgico.
- Vamos voltar aqui, pode apostar. – Lauren abraçou Camila.
Olharam para a casa por um breve tempo e foram embora. Cada uma em seu carro e sem paradas. Chegaram ao Rio no domingo à noite, mas Camila preferiu ir direto para o apartamento da namorada.

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