Não estava acreditando que isso estava acontecendo comigo, parecia um pesadelo em que eu nunca acordava.
Juro que pensei que não iria aguentar, estava acontecendo tudo tão rápido e com tanta força que eu já estava fraca demais pra pensar em qualquer coisa a não ser chorar. Naquela hora eu queria sumir, só queria estar em paz.
Como se não bastasse ainda tinha uma manhã toda dentro daquela escola que parecia uma prisão. A minha situação piora cada vez mais, mas eu estava aparentemente bem e é isso que importava.
Indo para sala encontro JP sozinho a procura de alguém, passo por ele e antes mesmo de pensar escuto:
- Lisa - ele grita no corredor- Lisa, preciso falar com você!
Paro e espero ele se aproximar. Sinto o seu cheiro cada vez mais perto de mim, e difícil não perder o controle quando ele esta perto.
- Pode falar - viro e observo ele me encarando - JP ?
- Esta tudo bem? - ele chega mais perto - Desde ontem você está estranha.
- Esta tudo bem, só estou um pouco ....
Antes mesmo de terminar a frase ele sai, acho que só um "estou bem" já era o suficiente para ele.
Entro na sala, como era o primeiro dia de aula ainda não tinha um lugar. O unico lugar que eu achei em meio a uma sala imensa era do lado de JP. Fingi não ligar para aquela situação, mais era apavorante pensar que passarei quase um ano sentada ao lado dele.
-Bom dia alunos - uma professora nova interrompe meus pensamentos - Meu nome é Carla e eu sou sua nova professora de Matemática... -E ela continuava sua apresentação tediante até tocar o sinal para a proxima aula.
Não sabia o que estava acontecendo comigo ou sabia, me perguntava a todo momento o por que Deus estava permitindo aquelas coisas na minha vida.
Naquele momento eu achava que não tinha nenhum sofrimento maior que o meu, que só por que eu tinha 15 anos aquilo não poderia estar acontecendo. É mais aconteceu, e para uma menina com a mentalidade tão infantil quanto a minha naquela época aquilo poderia ser mais um suicídio em meio a tantos.
Me perco em meus pensamentos e quando vejo já está tocando o sinal para o fim da última aula.
Chegando em casa não tinha ninguém e isso era bom, porque tinha tempo pra pensar no que estava prestes a acontecer. Quando meus pais chegaram a primeira coisa que veio a minha cabeça era sumir dali o mais rápido possível, mas escolhi ficar e escultar.
Desci a escada e sentei na sala que ficava proximo dali. Meus pai sentaram perto de mim e começaram a falar tudo o que estava acontecendo. Já era de se esperar a separação dos dois, mas eu nunca achei que isso realmente iria acontecer. Eu estava com o coração acelerado, suando frio, respirei fundo e disse:
- Pode começar.
Sem entender nada minha mãe encara meu pai e depois ambos me encaram.
- Estamos nos divorciando - disse meu pai com a voz trêmula - Sei que isso é tão difícil pra você quanto pra nós.
- Para, não quero ouvir mais nada - Disse com o tom de voz mais alto que consegui, me levanto e saio gritando - EU ODEIO VOCÊS! !
Alguém bate na porta, não penso duas vezes. Corro para porta chorando desesperadamente ao abrir me espanto, não acreditava em quem estava do outro lado da porta, não sabia oque fazer diante dessa situação. Mas quem estava em minha porta? Isso mesmo, pois é JP, o que tem a ver ele vir na minha casa? Nessa hora tão inconveniente? O que ele queria?
-JP ? O... o que você está fazendo aqui ? - eu perguntei gaguejando. Não sei qual de nós dois estava mais surpreso. Eu por JP bater a minha porta essa hora sem avisar ou ele por ser atendido por mim com os olhos inchados e vermelhos das lagrimas que ainda escorriam na minha rosto.
- Lisa, você está bem ? O que houve ? Cheguei em uma hora ruim ? - perguntou JP parecendo preocupado.
- Por que se importa ? - As palavras vieram a minha cabeça e rapidamente voaram pela minha boca sem eu nem me dar conta do que estava dizendo.
Ele aparentemente sem acreditar no que estava ouvindo respondeu:
- Claro que eu me importo com você, mais do que você pode imaginar.
Sem acreditar naquelas palavras, dei um sorriso um tanto irônico e rebati:
- Se importa tanto comigo que esta saindo com uma das minha melhores amigas, beijando-a e abraçando-a na minha frente. E faz isso sem nem se importar com o que eu sinto!
Foi quando disse isso que percebi que estava gritando com ele. Meus pais sem entender nada apareceram atrás de mim, se intrometendo na minha discussão com JP e perguntando o que estava acontecendo e por que tanta gritaria.
Fiquei sem graça e sem reação diante a tal situação.
-JP desculpa mas você veio em péssima hora, depois conversamos, tchau.
Antes mesmo de terminar minha frase, fechei a porta sem pensar duas vezes.
Quando me virei me deparei com meus pais esperando uma explicação, como não podia bater a porta na cara deles também, resolvi dar uma de rebelde e ir para o meu quarto, quieta...
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Minha vida ou quase isso
De TodoEsse é um pequeno diário sobre minha vida e as pessoas que já passaram por ela. Vou começar a contar do meu primeiro caso de amor ou quase isso.