02/11/2014 - 00:19h

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Um buraco, um vazio...

 

Agora eu morreria. Naquele milésimo de segundo, eu soube. Eu queimaria. Um milhão de imagens rodopiaram em meus pensamentos.

As mãos dos mantos negros me soltaram e eu caí. Direto no centro da fogueira. Senti o calor na pele. Esperei pela dor agoniante. Pensei que queimaria, mas braços fortes me ampararam.

Abri os olhos e perdi o fôlego. Ouvi o crepitar assustador do fogo. Labaredas vermelhas e laranjas dançavam à nossa volta. Quase fiquei cega com a cor. Não entendi como não havia me transformado em cinzas. Fitei o olhar de fogo amarelado no rosto dele e acariciei a bochecha de Dukian:

-        Como você fez isso?

-        Eu sou o filho do fogo e do sangue. Elas não podem me queimar. – Ele sorriu.

-        Saia da fogueira Hannah, senão sua mãe morrerá – um dos mantos anunciou.

-        Onde ela está?

-        Se deseja que ela viva, saia da fogueira.

Me agitei nervosa nos braços de Dukian.

-        Isso é uma armadilha Hannah. Não acredite em uma palavra do que elas dizem.

-        Mas e minha mãe? E Lucian? De um jeito ou de outro nós precisamos sair daqui.

-        Eu sei disso, noivinha.

-        Então vamos! – Tentei me soltar dos braços protetores dele.

-        Não Hannah, nós precisamos de um plano!

-        Não há tempo para isso. – Por algum milagre, consegui escorregar para o chão, e graças a proteção de Dukian, atravessei a fogueira.

-        Você é maluca Hannah?! Elas vão te pegar!

Dukian ameaçou me seguir, mas de repente arregalou as órbitas. Ele moveu o corpo para frente e quando esticou o braço, uma labareda subiu uns dez metros acima de sua cabeça.

Os mantos riram atrás de mim.

-        Filho ingênuo da princesa Acássia. O fogo pode não queimar você, mas pode te aprisionar.

-        Suas malditas! – gritei e não sei de onde veio tanta coragem. Me atirei desvairada em cima delas.

A um passo de distância, parei. Uma a uma, elas foram baixando o capuz negro. E cada um dos seis rostos, fez meus órgãos se retorcerem. Todos os meus poros arrepiaram.

As mulheres, pareciam corpos em decomposição. Não possuíam olhos, a pele delas se dobrava pelo rosto como se derretessem, como se fossem feitas de cera.

O pouco cabelo fino, caia sujo, por cima de suas cabeças carecas, com veias roxas pulsantes. Arfei desesperada.

Dei um passo para trás e queimei o braço na fogueira. A fogueira de repente parecia minha melhor opção.

Elas esticaram os braços para mim. O Fantasma Profano apareceu atrás delas. Estremeci. Tentei voltar para a fogueira mas pelo visto não seria simples. Dukian não pôde me puxar sem que eu me queimasse. Se eu recuasse mais um passo, voltaria para a fogueira, só que dessa vez, arderia.

E eles se aproximavam. Seis mantos negros e o Fantasma Profano. Cada vez mais perto.

-        Dukian, o que eu faço, agora?!

-        Eu disse pra você não sair, Hannah. Merda! Elas me prenderam aqui.

Dukian sacudiu os braços e continuou aprisionado. A fumaça que escapava dos olhos do Fantasma Profano, se alastrava pelo chão. Em dois segundos aquilo tocaria em mim.

Sem pânico, Hannah. Nada de enlouquecer.

Arranhei meus braços e engoli o grito.

Não fiquei para conferir. Minha única opção de fuga era pelo lado. Eu correria e tentaria encontrar uma maneira de resgatar Dukian.

Meu coração vibrou brutalmente nas costelas quando deixei a frente da fogueira alucinada. Se eu quisesse rever Lucian e minha mãe, eu precisava acima de tudo, me manter viva.

Foi com esse pensamento que as pernas pareceram funcionar. E com um pensamento que ia direto de encontro a esse, que fui obrigada a frear com o que me deparei, onde as árvores da floresta se fechavam.

Lucian. Caído perto de uma raíz. Pálido. De olhos fechados.

Ele está morto?

-        Não!!!! – gritei com lágrimas escorrendo pelo rosto e uma ardência rasgando a garganta.

Agachei onde ele estava e apoiei sua cabeça em meu colo.

-        Por favor, Lucian. Fale comigo, fale comigo.

O sacudi como faria se ninasse um bebê. Ele não se moveu. Seu corpo ainda quente me deu esperanças de que estivesse vivo. Mas seus membros rígidos me deixaram desesperada. Girei a cabeça para trás e olhei para a fogueira. Os mantos negros e o Fantasma Profano, haviam desaparecido. Isso não trouxe nenhum alívio. Imaginei se não estariam logo ao meu lado naquele segundo. Observando a cena. Se divertindo com minha dor. Seria essa a parte da perda do ritual?

Sacudi a cabeça. Eu me recusava a acreditar que Lucian, poderia estar morto.

-        Acorda Lucian. Acorda! – gritei de novo.

Coloquei meus dedos debaixo de seu nariz. Nada. Lucian não respirava. Seu peito não se mexia. As lágrimas escorriam pelo contorno do meu pescoço e pingavam no rosto dele.

-        Não, não, não!

Enterrei os dedos em seu cabelo escuro. Acariciei suas bochechas e contornei seu pescoço que agora tinha uma nova cicatriz de tribal negro. Um sinal horrível de que ele havia sido torturado.

-        Abra os olhos, Lucian. Eu sei que pode me ouvir.

Repousei a cabeça dele delicadamente na grama e encostei o ouvido em seu tórax para ouvir seu batimento. Nada. O peito de Lucian estava oco. Nenhum som.

Abracei seu corpo e soltei um choro convulsionado. Meu próprio peito esvaziou naquele segundo. Solucei.

-        Não, Lucian. Você não pode morrer.

-        Finalmente nos encontramos. - Uma mulher sussurrou.

Ouvi aquela voz feminina ecoar pela floresta. Me sentei na grama e procurei ao redor. Ninguém. Quando olhei para frente, já era tarde demais para fugir.

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Beijosss e até terça!

E OLHE BEM PARA TRÁS, VEJA SE NÃO HÁ ALGO BEM AS SUAS COSTAS...

 

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