Amor e Ódio

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Mesmo isolados naquela casa há dias, os dois não se encontraram, Mina já estava cansada de esperar essa obra do destino acontecer. A rosada andava de um lado para o outro, já estava deixando o namorado apreensivo.

— Mina, sossega — o ruivo se pronunciou.

— Preciso pôr meu plano em prática — disse determinada.

— Mina, não é melhor deixar eles se acertarem sozinhos? — Kirishima disse em baixo tom.

— Kiri, eles já estão há 4 dias sem se encontrarem, temos que aproveitar o período que não tem ninguém lá — disse com as mãos na cintura — Eles só precisam de um empurrãozinho.

— Mina — tentou relutar, mas a menina lhe lançou um olhar pidão — Me prometa que essa será sua última tentativa.

— Claro que será, meu plano é brilhante e vai dar certo — sorriu confiante.

— O que eu preciso fazer? — perguntou desconfiado.

Planejou tudo com ele, o plano era perfeito e simples, não tinha como dar errado. Bom, nem todos concordavam com isso, as meninas em si acharam um belo plano, mas a rosada esqueceu de levar as variantes em consideração. Ela riu quando falaram isso, Mina nunca foi muito boa em exatas, foi preciso Momo lhe dizer o óbvio: ela não estava levando em consideração os sentimentos de Ochako e Bakugou, iria cometer o mesmo erro que os amigos.

{...}

Uraraka ria da mensagem de sua amiga enquanto saia do elevador, só Mina para lhe fazer sair do quarto e ir até a cozinha esconder um doce que ela tinha comprado, antes que todos voltassem da aula. Tudo bem, ela iria receber uma pequena recompensa por ajudar a amiga.

A castanha olhou pela porta da sala e constatou que estava sozinha, fazia dias que não saia direito do quarto, Deku e Iida até tentaram, mas falharam. Revirou os armários da cozinha e a geladeira em busca do doce, mas não conseguia encontrar, já estava pensando que alguém havia comido e que a amiga iria surtar.

Sentiu um olhar em suas costas e seu corpo arrepiou por inteiro, olhou sobre o ombro e viu a figura loira parada na porta. Não tinha doce nenhum.

— Deixa eu adivinhar, te falaram para vir guardar alguma coisa? — o loiro disse quebrando o silêncio, mas a castanha fingiu não ouvir, respirou fundo, aquela situação estava acabando com ele — Um dia vai me deixar explicar o que aconteceu? Sabe que tenho o direito de me explicar — a olhou nos olhos.

A menor deu um longo suspiro, ele estava certo, merecia ser ouvido, mas ela ainda não estava pronta para ouvir suas desculpas esfarrapadas. O encarou por alguns segundos, juntando forças para sair dali — Agora não, Bakugou — disse ríspida.

Concentrou em mover suas pernas para longe dali, mas ao passar pelo loiro, ele segurou levemente o seu braço e a encarou. Naquele momento, o ar faltou em seus pulmões.

— Você disse que me odeia — sua voz falhou no final e um olhar triste o tomou, ela nunca tinha o visto assim — Você me odeia? — sua voz mal saiu, que pergunta dolorosa de se fazer, mas a resposta poderia doer mais ainda, porém ele precisava saber o quão fodido estava.

A garota respirou profundamente, como poderia odiar quem a ensinou amar? Como podia odiar a pessoa que movia céus e terras por ela? Odiar quem a amou do jeito que ela é, aceitou cada defeito e a ajudou melhor. Definitivamente, ela não o odiava, não conseguiria fazer isso.

— Katsuki — ela o fitou e ele soltou seu braço, não esperava mais nenhuma resposta, a castanha deu um longo suspiro e retornou a falar — Eu odeio o modo como fala comigo quando está bravo — o surpreendeu — E odeio quando arruma seu cabelo, odeio suas enormes botas de combate e suas manoplas — ele riu, ela já tinha lhe dito isso — Eu simplesmente odeio quando alguma situação nos deixa desentendidos — seus olhos marejaram — Odeio como consegue ler minha mente — suspirou e limpou uma lágrima que caía — Odeio tanto isso em você que até me sinto doente. Odeio como está sempre certo — tentou segurar as lágrimas — E odeio quando você mente — mas não conseguiu — Odeio quando me faz rir muito que minhas bochechas chegam a doer — respirou fundo — Odeio quando não está por perto e o fato de não me ligar, mas eu odeio, principalmente — tentou segurar o choro novamente — Não conseguir te odiar, nem um pouco, nem mesmo por um segundo, nem mesmo só por te odiar — deixou as lágrimas caírem — Eu odeio não conseguir deixar de te amar — seu rosto estava vermelho e não conseguia mais conter as lágrimas — É desgastante te odiar quando eu quero te amar.

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